Brilhante entrevista à Geraldo Rivera, em 2005.

Brilhante entrevista à Geraldo Rivera, em 2005.

Geraldo Rivera: Como vai, cara? 

Michael Jackson: Como vai?

GR: Bom ver você.

GR: Você ainda sorri?

MJ: Com certeza, eu sorrio muito.

GR: Você sorri quando você está em um estúdio como este, fazendo música?…

MJ: Claro, eu amo música.

GR: É bom voltar pra música?…

MJ: É fantástico. Porque ahhh… É a minha vida. Isso é o que eu faço.

GR: Você tem sido tão mal tratado, você quer falar sobre como você está se sentindo?

MJ: Eu vou bem, Geraldo, e você?

GR: A despeito do que quer que esteja acontecendo no mundo, você está bem?

MJ: Eu vou muito bem obrigado.

GR: Sabe, foi maravilhoso ver você com as crianças, o que eu acho que é o real Michael Jackson, que não tem sido visto… você com seus próprios filhos, um em fraldas, os outros dois pequenos. Eu não sei como você se vira sem uma babá.

MJ: Bom, eu gosto de tomar conta dos meus filhos sozinho, é… é divertido, foi por isso que eu os tive, para poder tomar conta deles. E é simplesmente um grade relaxamento para mim, sabe, é um prazer, me mantém rindo e feliz, eles são crianças inocentes, doces e maravilhosas.

GR: Eu te vi como um tipo de árbitro entre os canais Nickelodeon e Disney. Você ficou com alguns problemas difíceis para resolver. Mas você tem uma vida tão normal. É doce de ver.

MJ: Obrigado. Eles me trazem isso.

GR: Me diga, me diga, o que as crianças significam para você, suas próprias crianças.

MJ: Eles significam… é duro expressar em palavras, porque eles significam tudo. O modo como você explicaria como seus próprios filhos fazem com que você se sinta… Eles são o mundo para mim, eu acordo e estou pronto para o dia por causa deles. Eu dou café da manhã a eles, eu troco fraldas, se eles querem ler, nós lemos muito, nós brincamos de esconde-esconde, cabra-cega, nós passamos momentos maravilhosos.

GR: E você pode criar um mundo que ao menos começa a parecer normal? Eles não conhecem nenhum outro, obviamente.

MJ: Eu dou o melhor de mim, com certeza.

GR: Assim, isso é obviamente uma prioridade para você.

MJ: Sim, claro. Eu quero ser o melhor pai do mundo, claro.

GR: Eles sabem quem você é? Ou o que você significa para as pessoas?

MJ: Sim, eles sabem. Eles têm estado em turnês comigo e em limousines no meio de um mar de fãs.

GR: Eles gostam?

MJ: Eles acham excitante. Eles querem subir no palco. Eles me atormentam para subir no palco comigo. Então, com certeza, eu vou levá-los comigo e deixar o mundo vê-los pela primeira vez.

GR: Eles não vão dizer, ‘Papai, eu quero ir pra casa e assistir Nickelodeon?’

MJ: (rindo) Provavelmente, provavelmente.

GR: Eles fazem isso também.

MJ: Sim.

GR: Então como você se sente estando aqui de novo, estando no estúdio de novo, focalizando a música de novo? É um alívio em algum sentido?

MJ: É um grande alívio. Faz com que eu me sinta totalmente em casa. Eu sou eu mesmo. É pra isso que estou aqui. Qualquer arte… isso poderia ser um filme, sabe, música, eu amo qualquer tipo de arte.

GR: Então, quando você é, vamos dizer, o Rei do pop, isto é, quando você se sente mais confortável? Ou é o processo criativo?

MJ: O processo criativo, sim. Eu sou obcecado em criar…

GR: Eu vi você e Randy, o modo como vocês agem – me lembra muito do modo como eu e meu irmão somos juntos. Quem é o cabeça?

MJ: Randy.

GR: Não foi isso que eu vi.

GR: Mas, heim, você confia na sua família.

MJ: Claro, você tem que confiar.

GR: É aquela coisa de que ‘sangue é mais grosso do que água’? O que é?

MJ: Família é tudo. É amor. É o que nós somos ensinados. Nós somos amigos, no final das contas, o que é importante. Ao contrário do que o público ou a imprensa diz, nós somos amigos. Nós nos amamos muito.

GR: Então a família está unida e se apóia, a despeito de todo o conteúdo dos tablóides?

MJ: Isso é sensacionalismo.

GR: Como você lida com isso?

MJ: Como eu lido com sensacionalismo?

GR: Sim. Como você lida com o fato de tudo na sua vida ser maximizado, exagerado, quase ao nível grotesco.

MJ: É como ver um filme de ficção. Porque é ficção. É como assistir ficção científica. Não é verdade. Eu me conheço e é triste quando as pessoas têm que ler aquelas coisas e acreditam.

GR: Você teria que dar uma entrevista coletiva toda semana e dizer ‘este é o rumo du jour [do dia]’, não é verdade.

MJ: Eu sei que uma hora a verdade vai prevalecer e eu só me importo com a verdade.

GR: Eu pesquisei e eu não pude achar alguém que tenha sido mais frivolamente processado do que você e pelas mais ultrajantes razões. Um de seus advogados me disse que uma mulher ligou e disse, ‘Não aceite mais nenhum pagamento, Sr. Advogado, eu sou a esposa – Billie Jean…’ obviamente do seu hit, quer dizer, como você… em primeiro lugar, como isso afeta você?

MJ: Me afeta? Sim, mas eu me tornei imune de certo modo também, eu tenho pele de rinoceronte, mas, ao mesmo tempo, eu sou humano. Assim, alguma coisa pode me machucar, mas eu sou muito forte. E eu simplesmente não gosto das pessoas ouvindo informações tão falsas.

GR: Por exemplo, você foi pai de quádruplos no ano passado?

MJ: Esse foi um rumor louco.

GR: Então eles se tornaram gêmeos. Eu não sei o que aconteceu com os outros dois, talvez eles foram abduzidos por aliens.

MJ: Eu ouvi sobre essa estória e eu não tenho gêmeos coisa nenhum. Eles dizem que eu estou escondendo-os ou algo assim? Outro rumor inventado.

GR: Então é completamente falso.

MJ: Quanto maior a estrela, maior o alvo. Eu não estou qurendo dizer que eu sou o ‘super-duper star’, eu não estou dizendo isso. Eu estou falando do fato de que as pessoas visam celebridades, nós somos alvos. Mas a verdade sempre prevalece. Eu acredito nisso. Eu acredito em Deus, sabe?

GR: Essa fé sustenta você?

MJ: Certamente, sustenta.

GR: E a amizade?

MJ: Que amizade?

GR: Você se apóia em amigos? Você tem pessoas que ficam com você através dos altos e baixos? Quem são seus melhores amigos?

MJ: Meus filhos, minha família, meus irmãos e minhas irmãs e, sim, a maioria das pessoas tem. A maioria das pessoas tem.

GR: Você quer mencionar os nomes dos amigos de verdade?

MJ: Os mais leais, você não os conheceria assim, é…

GR: Elizabeth Taylor?

MJ: Ah, ela é muito leal, eu vejo Elizabeth Taylor sempre. Ela é minha amiga querida, eu estava na casa dela agora mesmo. Nós temos conversas maravilhosas ao telefone à noite, às vezes, várias vezes por semana…

GR: Então há quanto tempo vocês são amigos?

MJ: Eu conheço Elizabeth intimamente desde os 16 anos…

GR: E faz música desde os 5.

MJ: Sim.

GR: Então você está em sua quinta década fazendo música. Quarenta e um anos fazendo música.

MJ: sim.

GR: Você não cansa?

MJ: Não, não, não de jeito nenhum. Eu nunca tenho o bastante disso.

GR: Realmente.

GR: Você não cansa do Randy?

(Rindo)

GR: Ele está aqui, ladies and gentlemen.

MJ: Nunca, nunca, nunca. Ele é maravilhoso. Ele tem sido incrível, me apóia e é incrivelmente brilhante.

GR: Então eles são todos diferentes. Sua família toda é doida, excêntrica, como a minha…

MJ: Cada irmão, irmã é completamente diferente, como qualquer família, você tem todos os elementos diferente… Isso é o que faz uma família.

GR: Quando você tem um escrutínio tão intenso, como você vive qualquer tipo de vida normal? Como você diverte fora da sua propriedade?

MJ: Eu não me divirto. Eu saio algumas vezes, mas não sempre. Eu crio meu mundo atrás dos portões, porque eu não posso ir ao cinema local descendo a rua ou ao parque ou comprar um sorvete no mercado, na loja da esquina. Então você quer criar esse mundo atrás dos portões e isso é o que eu tento fazer. E não é só pra mim. Se eu posso compartilhar com a minha família, amigos ou quem quer que seja, eu compartilho.

GR: E essa necessidade de privacidade gera todos esses rumores loucos e especulações. Um difícil ato de balancear que você tem que experienciar.

GR: Mas você não está se queixando, está?

MJ: Eu não. Acontece com celebridades.

GR: Eu tento assimilar. Eu não sei do que eu sou rei… o rei de receber tiros talvez. Ha ha ha ha.

MJ: “O Rei do Jornalismo”.

GR: Então, e as crianças com problemas? Você mencionou o esforço para aliviar o sofrimento decorrente do Tsunami. O que é isso? É sua própria paternidade que motiva isso?

MJ: É se importar. E ler a Bíblia, aprender sobre Deus, Jesus, amor. Ele disse, ‘traga as crianças’, ‘imite as crianças’, ‘seja como as crianças’ e ‘cuide dos outros.’ Tome conta de pessoas velhas. E nós fomos criados com esses valores. Esses são valores muito importantes e minha família e eu, nós fomos criados com esses valores e eles continuam fortes em nós hoje.

GR: E o que você me diz sobre fazer seus próprios filmes de novo? Você teve ‘The Wiz’ e alguns outros, mas nós não temos visto você na telona há algum tempo.

MJ: Eu vou me dirigir. Eu amo dirigir. Eu amo criatividade e eu acho que quando um artista vai adiante com uma produção de algum tipo, se ele pode se expressar do modo como ele vê que deveria ser feito, eu sinto e eu vejo que eu sou um visionário. Se eu posso dar isso, eu dou e isso é o que eu amo fazer com a música, a dança e a arte.

GR: E você acha que a arte tem um papel na vida real? Especialmente com relação a essa gravação e ajuda às vítimas do Tsunami?

MJ: Eu vi isso no dia seguinte ao Natal e como os números continuaram sua escala, simplesmente tornou-se fenomenal e eu nem podia acreditar que era verdade. Eu estava espantado. Eu disse, eu pensei que eu devia fazer alguma coisa. Foi pra isso que Deus me deu talento. Para dar e ajudar pessoas e retribuir. Então, meus irmãos e eu decidimos fazer uma música juntos…

GR: Você pegou o telefone e disse: ‘E aí, manos’? O que você disse?

MJ: Randy e eu, nós simplesmente dissemos: “Oi, nós queremos fazer alguma coisa no estúdio para as vítimas do Tsunami. Vamos nos encontrar e organizar”. E eles disseram: “Ótimo, vamos fazer”.

GR: Contudo, você está de volta. Eu acho que as pessoas apreciarão o fato de você estar de volta. Você não exaltaria um mundo em que você pudesse se concentrar em sua arte e seus filhos?

MJ: Eu amaria. Quer dizer, é o que me dirige. O meio. O arte. Esse é o mundo em que eu estou confortável.

GR: Em Gary, Indiana, você imaginava como seria seu mundo como um homem de 46 anos?

MJ: Eu nunca pensei sobre isso. Eu soube minha vida toda que eu queria fazer algo maravilhoso e ajudar pessoas e, realmente, eu nunca pensei claramente sobre isso quando eu era bem pequeno. Eu apenas cantava, dançava e não entendia por que as pessoas estavam aplaudindo e gritando. Você realmente não entende. Você não sabe por que…

GR: Quando você pegou a coisa? Quando você entendeu seu lugar na sociedade?

MJ: Não demora muito quando você fica mais velho. Você adquire uma personalidade mais lapidada e seu cérebro começa a crescer. Você começa a raciocinar e entender mais coisas, pesquisando.

GR: Não é legal ter uma conversa na televisão onde as pessoas podem ouvir você sendo normal, comum, razoável.

MJ: Eu sou assim o tempo todo. Eu estou apenas sendo eu mesmo. Deus te abençoe. Obrigado.

GR: Em um certo ponto, Michael Jackson e os irmãos Jackson se separam artisticamente, este é um momento na sua vida em que vocês estão voltando a se reunir? Obviamente, você continuará sua carreira solo, mas qual é o grande plano, qual é o grande cenário desse estágio da sua vida? O que falta alcançar? O que você gostaria de fazer?

MJ: Há muitas surpresas. Filme. Eu amo filmes.

GR: O que mais?

MJ: É inovação, pioneirismo, levar o meio para um novo lugar.

GR: Vídeos musicais?

MJ: Não, eu usei o meio do vídeo musical, o meio curta-metragem para me levar ao próximo nível. Eu estou me divertindo muito.

GR: Você olha para trás e contempla, ah, Deus, Thriller é a performance musical mais vendida de todos os tempos, você cruza seus braços ao redor disso?

MJ: Eu tento não pensar muito sobre isso, porque eu não quero que meu subconsciente pense que eu já fiz tudo, está tudo acabado agora. Por isso, eu não ponho prêmios ou troféus na minha casa. Você não encontrará um único disco de ouro na minha casa. Porque faz você se sentir satisfeito. “Olhe o que eu fiz”. Mas eu sempre quero sentir que eu não fiz nada ainda.

GR: ‘O Rei do Pop’ e agora eu olho em algum dessesperformershá um novo – há o 50 cent um outro- eu esqueci o nome dele, mas eles são bem conhecidos, porque eles sobreviveram a violentos ataques em que eles quase morreram e eles fazem hip hop – é uma era diferente na música popular – você acha que você será mais parecido com ele – mais urbano – ou o mundo voltará ao pop e rock tradicional?

MJ: Boa música e boas melodias são imortais. A cultura muda, a moda muda, costumes, boa música é imortal. Nós ainda ouvimos Mozart hoje, Tchaikovsky, Rachmaninov, qualquer um deles, qualquer um dos grandes. Boa música é como uma boa escultura, uma boa pintura. É pra sempre. Gerações e gerações. Eu sei que isso é um fato.

GR: Por outro lado, eu entrevistei Barbara Streisand em um ponto crucial da carreira dela, ela ia fazer duetos com os BeeGees e outros artistas populares – ela mudou o tempo para surpreender as pessoas. Você consideraria fazer umapproach hip hop?

MJ: Eu já fiz muito disso…

GR: E rap?

MJ: (risos) Eu não faço rap, eu poderia…

GR: “Eu sou Michael Jackson e eu quero dizer…” (risos)

MJ: (risos) Eu escrevi versos rap para rappers muito famosos, mas eles são muito melhores nisso do que eu. Eu não quero competir.

GR: Você não admira que, a despeito de sua vida isolada e de você ter sido uma estrela por tanto tempo, você ainda tem o que parece ser uma relação muito passional e profunda com a comunidade. Isso apóia você? Isso te sustenta? Você concorda comigo?

MJ: Sim, eu concordo, porque é importante amar seus vizinhos.

GR: Mas de onde esse amor vem? De onde vem esse amor quase instintivo?

MJ: Eu verdadeiramente penso que vem da minha mãe e de Deus. A forma como nós fomos criados. Os valores que meu pai embutiu em nós na juventude. E ela estava sempre com a Bíblia nos ensinando – nós íamos ao culto sempre. Quatro vezes por semana. E eu fico feliz por nós termos feito isso, porque aqueles são valores que são muito importantes. Eu não sei se eu poderia ter me saído tão bem sem eles.

GR: Você ainda passa tempo com sua mãe e seu pai?

MJ; Sim, claro.

GR: Eles não estão longe daqui agora? Como é essa relação? Eu sou muito próximo à minha mãe, obviamente.

MJ: É maravilhosa. Nesta fase, você tende a apreciar mais quem são seus pais e o que eles fizeram por você. Você começa a retraçar o caminho para onde você está em sua vida e todas as coisas maravilhosas que eles colocaram em você. Você começa a vê-los vindo à tona. Eu estou começando a ver muitas coisas. Características em que meu pai e minha mãe me influenciaram.

GR: Meu amigo Cheech, que você conhece…

MJ: Ele é ótimo…

GR: …cujo parceiro Tommy Chong ajudou a descobrir vocês, ‘Bobby Taylor and The Vancouvers’, diz que, conforme ele envelhece, ele vê a face do pai dele no espelho. Você sente isso? Você está ficando como seu pai?

MJ: Eu sou muito parecido com meu pai de muitas maneiras. Ele é muito forte. Ele é um guerreiro. Ele sempre nos ensinou a sermos corajosos e confiantes e acreditarmos em nossos ideais. Não importa, nenhuma estrela está longe demais para ser alcançada e você não desiste. E nossa mãe também nos ensinou isto.

GR: Então você também é um guerreiro?

MJ: Absolutamente.

GR: É assim que você se vê?

MJ: Abolutamente.

GR: Me diga mais sobre o modo em que você se vê?

MJ: Como eu me vejo? Eu tento ser gentil e generoso, dar às pessoas e fazer o que eu acho que Deus quer que eu faça. Às vezes, eu rezo e digo: “Deus, onde eu devo ir agora? O que você quer que eu faça a partir daqui?” Eu sempre fui espiritual assim. Não é nenhuma novidade.

GR: Você assistiu o filme “Finding Neverland” ou leu sobre J. M. Barrie, o homem que escreveu “Peter Pan.”

MJ: Eu sei muito sobre o Sr. Barrie. Eu admiro o trabalho dele e tenho sido um fã por muitos, muitos, muitos anos.

GR: Você sabe, ele teve experiências difíceis, parecidas com as suas, eu não quero me aprofundar muito nisso. Nos diga o que levou à criação de Neverland. Quer dizer, especificamente o lugar – Há 2, 3Neverlands. Há a Neverland de Peter Pan, há aNeverlandna mente de Michael Jackson e também há o lugar físico que você criou onde eu visitei você quando você trouxe crianças da parte pobre da cidade. Por que você criou esse lugar?

MJ: Eu crieiNeverlandcomo um lar para mim e para meus filhos, e foi simples, quase como se fosse feito subconscientemente. Como eu disse antes, onde eu posso ir? Quer dizer, é difícil. Eu tentei sair como eu mesmo e um policial me disse: “coloque um disfarce e dê um autógrafo para minha esposa”. Eles me dizem: “Por que você está aqui fora sem segurança?”. Eu não posso sair. Eu saio algumas vezes, mas é muito difícil.

GR: Mas você tinha Neverlandantes de ter filhos, foi pra você? Os animais exóticos, eles eram para Michael Jackson?

MJ: Para mim e para compartilhar com os outros. Eu me dei a chance de fazer o que eu não podia fazer quando era pequeno. Nós não podíamos ir ao cinema. Nós não podíamos ir à Disneyland. Nós não podíamos fazer todas aquelas coisas divertidas. Nós estávamos em turnê. Nós estávamos trabalhando duro. E nós gostávamos disso. Mas isso me permitiu ter um lugar atrás dos portões onde o mundo que eu amo está.

GR: Você criou, como Barrie, esse mundo imaginário, alguma coisa perdeu a graça com o tempo, Michael? Você acha as llamas, os trens e os passeios bobos?

MJ: É chamar Deus de bobo se você fizer isso, porque Deus fez todas as coisas, grandes e pequenas. Outros homens têm suas Ferraris e seus aviões ou helicópteros ou qualquer coisa onde eles encontrem prazer. Meu prazer é dar e compartilhar e ter diversão inocente.

GR: Sua casa. Com toda a grandeza de Neverland. Sua casa é bem modesta. E seu estilo pessoal. Eu não vejo nenhuma grade jóia, por exemplo. Como você não tem um grande diamante com “Michael” escrito nele?

MJ: Eu sou modesto dessa maneira. Se eu tivesse um, eu provavelmente daria para a primeira criança que dissesse: “uau, eu gosto do seu colar”. Quando eu estava crescendo, estrelas como Sammy Davis, Fred Astaire, Gene Kelly… se eu admirasse algo que eles estivessem usando, se eu simplesmente dissesse: “eu amo essa camiseta que você está usando”; eles dariam pra mim. É uma característica doshow business. Entregue.

GR: A despeito do olhar atento da mídia no dia em que eu estava lá e você convidou as crianças carentes, como é tê-las lá ? Por que você faz isso? Eu queria perguntar isso a você naquele dia, mas eu coloco a questão agora.

MJ: Eu viajei o mundo 8 vezes. Eu faço tantos hospitais e orfanatos quanto faço concertos. Mas, é claro, não é coberto (pela imprensa). Não é por isso que eu faço, por cobertura. Eu faço porque é do meu coração. E há muitas crianças na cidade que nunca viram as montanhas, que não andaram num carrossel, que não tocaram um cavalo ou uma llama, nunca os viram, então se eu posso abrir meus portões e ver essa alegria, uma explosão de gargalhada das crianças e elas correndo pelos caminhos, eu digo: “Obrigado, Deus”. Eu sinto que eu ganho o sorriso de aprovação de Deus, porque eu estou fazendo algo que traz alegria e felicidade para outras pessoas.

GR: Então você é próximo dos seus irmãos?

MJ: Sim.

GR: Como afeta você quando eles se envolvem… como o incidente de Janet no Superbowl?

MJ: Ah, eu não posso falar pela minha irmã.

GR: Me diga como você responde como um irmão e telespectador.

MJ: Realmente, eu estava olhando bem lá e eu não vi. Eu estava na casa de um amigo, Ron Burkle, com uma tela de cinema, foi enorme na tela e eu não vi. Eu ouvi toda essa controvérsia no dia seguinte e disse: “Isso não é verdade”. Eu nem mesmo vi.

GR: Você acha que a controvérsia foi exagerada?

MJ: Sim.

GR: Você acha que isso é um fenômeno relacionado aos Jacksons ou é um atestado da época social neste país?

MJ: Essa é uma hipótese interessante também. É ambos. É difícil responder. Eu prefiro não responder essa.

GR: Você ligou pra ela e disse “Não se preocupe com coisas pequenas”?

MJ: Sim, algo assim. “Seja forte. Isso vai passar” “Não se preocupe com isso”. “Eu vi coisas piores”. Eu disse: “Janet, você é muito nova para lembrar, mas eu uma vez assisti o Ocar com David Niven e um homem nu saiu correndo. Agora, ele não chegou lá sozinho. Isso foi organizado e ninguém… eles nem disseram nada sobre isso”. Eu disse isso tudo. Foi ao vivo ao redor do mundo. No dia seguinte, era uma piada.

GR: Eu acho que há o elemento Jackson.

MJ: Você pode dizer isso.

GR: Eu acho que a coisa foi exagerada. Eu acho que essa coisa com os Jacksons foi parte da razão.

MJ: Obrigado, Geraldo.

GR: Então você vai adiante com essa gravação, o que nós devemos esperar? Nós vamos ouvir isso no rádio e então as pessoas vão mandar dinheiro e ele vai para essas crianças na região do oceano índico?

MJ: Eu gostaria muito disso.

GR: Agora me diga, como esse ato de grandeza, compaixão faz com que você se sinta? Ás vezes, eu acho que eu me sinto melhor dando do que recebendo na vida, explique a mecânica disso na sua própria vida.

MJ: Com certeza, é verdade. É simplesmente a idéia… Eu não sei qual a psicologia disto ou o que mais. Eu simplesmente amo trabalhar duro em algo. Colocar tudo junto. Suar em cima disso e então compartilhar com as pessoas, e então tê-las amando isso. E eu sempre rezo para que eles gostem. Isso é o que me dá uma grande satisfação como um artista.

GR: Você fica frustrado, profissionalmente ou pessoalmente, quando as pessoas dizem que este projeto de Jackson fracassou ou aconteceu isso e aquilo. Sua coletânea ‘Number Ones’, por exemplo, 7 milhões e meio de cópias vendidas. Eu acho que isso é platina quadruplo ou seja lá como vocês classificam isso. E, todavia, a caracterização por alguns no negócio da música ao menos é que você não… sabe, que não foi umhit.

MJ: ‘Number Ones’… Eu não sei sobre qual projeto você está falando, o último…

GR: A coletânea, o último projeto.

MJ: A coletânea é um sucesso enorme.

GR: 7 milhões e meio.

MJ: Exato

GR: Por que as manchetes…

MJ: Porque notícias negativas, sensacionalismo parece vender mais do que notícias maravilhosas, positivas. As pessoas preferem ouvir fofocas. A verdade é que meus últimos 8 álbuns chegaram ao primeiro lugar nos charts, então as pessoas gostam de sensacionalizar as coisas e forjar estórias, rumores, algumas vezes…

GR: Isso te machuca? Você quer gritar: “Ei, espere um minuto, olhe os números”.

MJ: É um lugar comum na humanidade que eu não gosto. Essa parte dela, esse tipo de… Mas então há um lado bonito na humanidade também, não há?

GR: Mas não em Eminem. Nós falamos sobre isso. Eu acho que você deveria falar. Por que não?

MJ: Falar sobre o quê?

GR: Stevie Wonder disse como foi realmente rude para alguém que ganhou seu dinheiro da comunidade destratar a comunidade em um sentido racista e eu disse que foi uma apresentação desavergonhada e cega. Diga-nos como isso te machucou e como você se sente sobre isso agora.

MJ: Eu nunca encontrei o Sr. Eminem e eu sempre o admirei. Tê-lo fazendo isso como um artista para outro artista foi muito doloroso e é triste, porque eu acho que o que Stevie Wonder disse é verdade. Eu apenas não quero dizer muito mais do que isso. Ele deveria se envergonhar do que ele está fazendo. Stevie disse que ele é um M***. Ele usou a palavra. Foi o que ele disse. Eu não estou dizendo. Stevie disse. Stevie é incrível. Ele é um dos homens mais doces no mundo.

GR: Stevie disse e ele é um M****. Então, quando Stevie disse isso você sentiu uma tremenda sensação de solidariedade, de amor fraterno?

MJ: Sim, eu amo Stevie Wonder. Para mim, ele é um profeta da música. Eu sempre o amarei. Muitas pessoas respeitam Stevie e ele é uma entidade muito forte neste meio, nesse negócio, e, quando ele fala, as pessoas ouvem. E foi errado da parte de Eminem fazer o que ele fez. Eu tenho sido um artista na maior parte da minha vida e eu nunca ataquei um colega artista. Grandes artistas não fazem isso. Você não tem que fazer isso.

GR: Eu mencionei o fiasco de Janet e a resposta exagerada para isso. Outra vez, você acha que ele só fez isso porque ele sabia que nada aconteceria para ele, porque você é Michael Jackson?

MJ: Sim, mas não magoa. É bobo. É elementar. Eu espero que ele esteja se divertindo…

GR: Como uma piada infantil. Ainda fere seus sentimentos e você não gostaria que seus filhos vissem.

MJ: Ah, Deus, eu odiaria se eles vissem isso. Eu odiaria isso.

GR: Você sabe se eles sabem disso.

MJ: Se eles sabem? Hmmm, não.

GR: Finalmente, nós deliberadamente evitamos o caso e não falamos nada a respeito sobre o caso que está pendente. Você está sob uma ordem de silêncio. Eu sei que você recebeu permissão do juiz para ler uma declaração. Eu odeio terminar uma entrevista desse modo, mas se você quiser ler a declaração agora, eu acho que é importante.

MJ: Certamente: “Nas 2 últimas semanas, uma grande quantidade de informação suja e maliciosa saiu na mídia sobre mim. Aparentemente, essa informação vazou através da transcrição do ‘Grande Júri’, onde nem eu nem meus advogados estávamos presentes. Essa informação enoja e é falsa.

Anos atrás, permiti que uma família me visitasse e passasse um tempo em Neverland. Neverland é minha casa. Eu permiti que essa família fosse pra dentro da minha casa, porque eles me falaram que o filho deles estava doente com câncer e precisava de minha ajuda.

Durante vários anos, ajudei milhares de crianças que estavam doentes ou com problemas.

Esses acontecimentos causaram um pesadelo para minha família, meus filhos e a mim. Nunca mais pretendo colocar-me em posição tão vulnerável.

Amo minha comunidade e tenho muita fé no nosso sistema judiciário. Por favor, mantenham uma mente aberta e deixem-me ter meu dia de julgamento. Mereço um julgamento justo como qualquer cidadão americano. Vou ser inocentado quando a
verdade for dita”.

GR: Michael, há algo mais que você gostaria de dizer?

MJ: Não, não… Ah, sim. Gostaria que o público mantivesse a mim e minha família nas orações deles. Isso seria muito bom.

Entrevista por Geraldo Rivera, traduzido por Andréa Faggion

Fonte: MJBeats/edcyhis

 

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Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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