Grandes da Indústria: Música & Michael

Entrevista com Cory Rooney e Chris Apostle em 8 de julho de 2009
Traduzida e editada por Bruno Couto Pórpora


Michael Jackson entreteu o mundo com sua voz e seus passos desde os seis anos de idade. Sua recente morte provocou muitas perguntas. Mais do que tudo, as pessoas ao redor do mundo querem saber porque o Rei do Pop se foi repentinamente.

Em 1979, Michael lançou Off The Wall pela Epic Records – uma divisão da Sony. O álbum foi aclamado pela crítica, ao mesmo tempo que vendia 20 milhões de cópias e que concedia a Jackson prêmios Grammy pela primeira vez desde os anos 70.

Três anos depois, o Enluvado lançaria o disco mais popular da história da música, Thriller. Sua voz, dança e habilidade como performer foi algo diferente de tudo que o mundo já havia visto, deixando uma marca definitiva no gênero do videoclipe.

Em 1993, o executivo musical Chris Apostle começou sua carreira como Vice Presidente de Projetos Especiais de Gravação na Sony Music Entertainment. Ele seria mais conhecido como a mão direita de Tommy Mottola – o presidente da companhia e uma lenda da indústria musical -, trabalhando com todo mundo de Mariah Carey a Jennifer Lopez e Marc Anthony.

Nos últimos 20 anos, Apostle tem sido amigo do produtor/compositor Cory Rooney. Em 1998, Mottola nomeou Rooney Vice Presidente da A&R da Epic. A VH1 chamou Rooney de o segredo mais bem guardado da indústria musical. Ele já compôs e produziu para artistas incluindo Jennifer Lopez, Mary J. Blige, e Destiny’s Child entre outros. Durante seu tempo na Epic, Cory tornou-se amigo de Michael Jackson.

Enquanto trabalhava no estúdio com Michael, Rooney teve a oportunidade de ver um lado de Jackson que poucos conheciam. Por exemplo, em uma reveladora conversa em 2001, Jackson contou a Rooney que ele nunca mais faria uma turnê, e se a fizesse, ela o mataria.

Entre outras coisas, Cory conta que era fácil trabalhar com Michael – ao contrário do que a mídia conta. Rooney relata um momento quando Michael se desculpou por chegar tarde numa gravação no estúdio mandando uma cesta com cerca de 100 DVDs e um recado que dizia, “Estou muito arrependido por não respeitar o seu tempo.”

Rooney não se surpreendeu quando Jackson se virou contra o então chefe da Sony Tommy Mottola, em 2002. Ele diz que Michael sentia que ninguém estava do seu lado, que ele não estava recebendo o amor e respeito que merecia.

Mas mais importante, Rooney e Apostle esperam que as pessoas lembram das contribuições de Michael Jackson para a música e, como Apostle diz, reconheçam o musicólogo que ele era.

Chris Yandek: Cory, você teve uma chance de trabalhar com Michael, você escreveu e produziu algumas canções com ele. Como era o seu relacionamento com ele?

Cory Rooney: É engraçado, alguém me perguntou isto outro dia e eu disse, ‘Eu esperei a minha vida e carreira inteiras para finalmente ter a chance de trabalhar com Michael, ser reconhecido, ter meu talento reconhecido por Michael’. Quando o momento finalmente chegou para nós entrarmos no estúdio, gastamos quase um mês só conversando e ele me educou em tantas coisas diferentes. Nós mal conseguíamos terminar alguma música. Foi uma experiência completamente diferente do que eu acreditei que seria.

CY: Uma completa distração, não trabalhando e conversando sobre um monte de coisas?

CR: Sim. E aí a relação me transformou rapidamente num executivo. Eu acho que minha força por ele no momento se tornou maior do ser um compositor ou produtor, me tornei seu “inside man” na época. Ele sentia na época que ele não tinha aliados ou pessoas que o apoiassem na Sony.

CY: Sério?

CR: Foi maravilhoso! Eu rapidamente me tornei seu aliado número um na companhia.

CY: E o que você aprendeu dele na época em que se tornou seu aliado? Tipo, quem ele era? Parece que haviam sempre pessoas tentando sugá-lo e dizendo a ele para fazer isto ou aquilo. Parecia que ele não tinha controle em um certo ponto de sua vida, estou certo?

CR: Sim. Quero dizer – você acertou no ponto. A primeira coisa que eu comecei a notar nele foi que ele sempre queria tanto agradar. Ele queria tanto agradar que pensava demais em muitas coisas. Tipo, ele teria um álbum gravado e eu o escutaria e diria, “Michael, isto é inacreditável!” [Michael]: ‘Sim, mas eu acho que não está pronto ainda’. Porque ele tem um milhão de pessoas ao pé do ouvido dele dizendo a ele diferentes coisas em diferentes direções. Ele era levado a todo tipo de direção pelas pessoas e eu me surpreendi pelo fato de que ele era tão facilmente manipulado.

CY: Chris, eu tenho que dizer que por mais de uma década você foi um grande jogador na Sony Music Entertainment. Qual foram seus negócios com Michael e o que você conheceu dele enquanto ele estava na Sony?

Chris Apostle: Bem, meus negócios, diferente dos de Cory, eram bem limitados. O tempo real que eu passei com ele foram apenas dois dias. Ele estava mixando uma faixa com Jay Z e Jay Z já tinha se tornado um grande jogador na indústria. Eu lembro de entrar no estúdio antes de Michael ter chegado e Jay Z estava trabalhando na letra da música, e eu apenas me lembro que Jay Z estava quase, eu nunca havia o visto tão humilde. Ele estava quase nervosamente excitado por estar trabalhando com Michael Jackson. Aquilo me deixou impressionado.

Eu sou mais velho do que Cory e cresci com Michael desde que ele começou. O que eu aprendi estando dentro da Sony foi que a maioria das pessoas, os executivos como diz Cory diziam, davam direções a ele, todas estas idéias, sobre o que ele deveria fazer ou não, o que eu acho que era mais ignorado sobre Michael e o que ele fazia era que Michael estava sempre trabalhando em sua música. Você escuta sobre todas as outras coisas acontecendo, mas é engraçado quando você assiste a uma entrevista recente, aquela do Martin Bashir e Martin estava dizendo, “Bem, é bom que você está trabalhando em música novamente.” E ele foi bem firme quando disse, “Eu estou sempre fazendo música”. O que você acha, Cory? Ele provavelmente deve ter duzentas músicas na espera guardadas em algum lugar.

CY: Há algumas notícias, e eu li um artigo outro dia sobre ele ter 200 músicas não publicadas que foram deixadas para suas crianças, para que elas possam comercializar, e são avaliadas em algo em torno de 60 milhões de dólares, Chris.

CR: Certo. Eu acho que este é meio que o método antigo da Motown. Stevie Wonder tem cerca de 2.000 músicas que ele guardou pelo mesmo motivo. Verdade. Michael estava sempre compondo. Sempre… sempre trabalhando com música. Como eu disse, ele nunca se satisfazia consigo mesmo.

CY: Os comentários que ele fez sobre Tommy Mottola há muitos anos atrás, os comentários sobre ele não estar feliz com o álbum que ele lançou em 2001. Foram 30 milhões de dólares gastos nele, mas você se surpreendeu quando ele fez tais comentários, chamando Tommy Mottola de um monte de coisas?

CR: Eu não me surpreendi. Como eu disse, ele sentia que não tinha pessoas ao seu lado na gravadora. Pela maior parte, eu não acho que as pessoas realmente demonstraram o amor e respeito que deveriam ter demonstrado a ele na gravadora. Verdade, podem ter sido gastos 30 milhões de dólares no disco, mas ao mesmo tempo os negócios envolvendo aquele disco foram minados ao ponto de que Michael não poderia vencer mesmo se ele quisesse. Você entende?

CY: Sim.

CR: Eles armaram a situação e colocaram uma marca tão alta no disco, em termos de sua recuperação financeira e coisas assim. Era uma situação de perder ou perder. E eles fizeram isto para poderem dizer ok, nós queremos que você faça o esquema todo. Nós queremos que você venda discos. Nós queremos que você saia em turnê. Eles acharam que ele ia sair correndo e dizer, ‘Cara, preciso fazer tudo isto para recuperar o disco’.

CY: Chris, algo a acrescentar?

CA: Um artista poderoso como Michael, ele não é o primeiro artista que decidiu não estar feliz em sua casa, a gravadora que senta lá e decide o que ele deve fazer. Quando artistas do nível dele não estão felizes, eles falam. Alguém como ele, que apenas lidava com o alto nível – Japão e Mottola. Estou certo que o nível de frustração estava fora de controle. Foram muitas circunstâncias que o levaram àquele ponto.

O que me ofende brutalmente e é apenas um rumor, mas é algo que eu realmente acredito, eu realmente acredito que ele foi chantageado em todo aquele escândalo. Eu acho que em algum momento a verdade aparecerá. Este homem deu milhões e milhões para caridade. Nunca falam sobre o que ele fez. Eu acho que sua reação era natural e que ele foi pressionado. Se você olha para a qualidade do trabalho dele, Chris, volte para Off The Wall, que é o meu disco favorito de Michael Jackson. Mas cada disco, não me importa se for Dangerous, cada um, estes discos eram perfeitos, nada além de sucessos.

Cory e eu sentamos num escritório da Sony uma vez e assistimos a um show, um DVD ao vivo. Um colega nossa, Ron Grant, nos chamou e disse, ‘Caras, vocês querem assistir uma coisa?’ E pensamos bem, meio dia, assistiremos algo por cinco ou dez minutos. Era um show não editado, duas horas e meia em um estádio no Brasil. Ele nunca parou durante as duas horas e meia. O ponto que eu quero destacar é que ele não está tendo seu papel reconhecido pelo que ele contribuiu musicalmente ao mundo. Ele é provavelmente o maior música que conheceremos em nossa geração. Você nunca verá algo assim novamente. Isto tem de ser discutido e levantado.

CY: Como a indústria musical vai ser afetada no futuro agora?

CR: Eu não acho que a indústria musical olhou com profundidade no que Michael Jackson significava para todos, todos nós artistas, produtores, atores, atrizes, todos nós, o entretenimento como um todo. Eu não acho que eles olharam profundo o suficiente, porque todo mundo está ocupado falando *****. Quando Michael foi julgado, ninguém… ninguém parou para ir apoiá-lo no julgamento.

CA: É.

CR: O cara foi absolvido em dez acusações de abuso sexual infantil. Ninguém disse, ‘Me desculpe, Michael’. Ninguém disse, ‘Michael, sabíamos que você era inocente’. Ninguém fez um tributo na BET para ele então. Ninguém tocou sua música e fez uma maratona então. Ninguém correu e fez um show. Por que Michael deveria sair em turnê para levantar dinheiro? Por que os artistas não se juntaram e disseram, ‘Hey! Sabe o que? Vamos fazer uma turnê como Michael fez com We Are The World e vamos levantar dinheiro. Vamos fazer isto logo’. Ninguém fez isto. Tookie Williams é o fundador de uma gangue, você sabe?

CV: Sim.

CR: Eles estavam tentando conseguir um perdão na pena de morte dele e metade de Hollywood apareceu por este homem. O que eu não entendo é tipo, ok, as pessoas não queriam chegar nem perto de Michael Jackson quando ele estava em apuros.

CY: Mas elas apóiam um assassino.

CR: Mas elas apoiam um homem que executou famílias. Uma garotinha implorou por sua vida e ele a executou. Eles alegaram que ele escreveu livros infantis em seu tempo na prisão, que ele tentou mudar sua vida. Ele foi indicado ao Nobel da Paz. Bem, e as milhões de crianças que Michael Jackson ajudou por toda sua carreira? Mesmo assim, duas crianças aparecem com falsas acusações e estas duas crianças se tornam as crianças que o destroem. É loucura. Me faz olhar para o mundo do entretenimento e apenas dizer que estou rodeado por hipócritas.

Quando você me pergunta como irá afetar a indústria, eu acho que eles nem ao menos percebem a grandeza da coisa. Todo mundo vai fazer seus tributos porque agora todo mundo quer ficar um pouco sob os holofotes, querem brilhar um pouco. Agora, do nada, todo mundo quer dizer algo bom sobre ele.

CY: Todo mundo quer ser relevante.

CR: Todo mundo quer ser relevante e isso me aborrece.

CY: Depois de 93, deveria ele ter sido mais sábio ao invés de fazer o documentário com Martin Bashir e dizer que era ok dividir sua cama com uma criança? Você não acha que a maioria das pessoas vão dizer que bem, em certo sentido, ele meio que trilhou seu caminho?

CR: Deixa eu lhe explicar o que foi me dito diretamente por Michael. Michael e eu conversamos sobre isso. Ele disse, ‘Cory, quando eu era criança, não me negaram apenas minha infância mas me negaram amor. Quando eu me aproximava para abraçar o meu pai, ele não me abraçava de volta. Quando eu ficava com medo dentro de um avião, ele não colocava seu braço ao me redor e dizia Michael, não se preocupe. Vai ficar tudo bem. Quando eu tinha medo de entrar no palco, ele dizia, ‘Coloca essa bunda logo no palco!’. Não apenas ele, mas todo adulto ao seu redor.

Então ele me disse, ‘Cory, eu nunca negarei amor a uma criança e se isso significa que eu devo ser crucificado ou ser colocado na cadeia, então é isto que eles terão de fazer’. Quando chegou a hora do julgamento começar, na primeira vez que isto aconteceu, seus conselheiros disseram, ‘Michael, isto não é bom. Pague esta criança e vamos continuar’. Na segunda vez ele disse, ‘Você sabe o que? Tudo o que aquilo fez foi me fazer parecer culpado como se eu estivesse escondendo alguma coisa. Então desta vez não haverá pagamentos. Eu vou lutar na corte. Você verá. Serei inocente.’

Bem no dia em que ia sair o veredicto, eu falei com sua família porque lembro de assistir as notícias e de que Michael tinha 45 minutos para chegar lá. Então eu conversei com alguns parentes que estavam na casa com Michael. Eu perguntei, ‘Bem, que diabos ele está fazendo?’ Ele estava lá em cima se vestindo. Ele desceu. Ele rezou com sua família e disse a todos, ‘Eu quero que vocês não se preocupem comigo porque eu estarei bem.’

E ele foi até lá, ele estava talvez um pouco nervoso batendo os pé, cantando no carro e tudo, e ele chegou lá com seu irmão e sua irmã. Mas ele não estava preocupado. Vou te dizer uma coisa, eu estaria em frangalhos. Eu não sei se conseguiria enfrentar uma corte como ele.

CY: Chris, algum pensamento sobre isso?

CA: Quando eu assisti o especial do Bashir ontem, eu só queria ver por mim mesmo sobre o que era e refletir sobre ele. Quando Martin perguntou a ele sobre o primeiro incidente em que ele pagou os acusadores, eu achei irônico e incrivelmente sincero a maneira como ele disse, ‘Eu apenas decidi que queria deixar aquilo de lado’. E ele deixou aquilo de lado o que, aliás, não é a primeira vez que isto acontece com alguém na história do show business. Ele queria que eles desaparecessem. Da segunda vez, ele lutou.

Mas o que Cory dizia voltando à sua infância e tudo mais, ele estava refletindo sobre o fato dele ter acne quando jovem, o que todos nós passamos em uma fase de nossas vidas, e como seu pai gozava sobre sua acne e sua pele. Você está falando sobre um jovem que nunca teve a chance de crescer e ser normal. O garoto cresceu muito diferentemente da maioria das pessoas. Por isso ele é Michael Jackson, mas há muitos motivos pelas suas inseguranças. E sobre a segunda acusação, eu acredito cem por cento, eu irei ao túmulo acreditando que ele era completamente inocente. Ele foi chantageado pelo homem que queria ser roteirista ou escrever livros ou fazer filmes, que seja. Isso era uma informação de dentro que era bem conhecida.

CR: O documentário de Martin Bashir, eu não acredito que as pessoas lembram que uma semana depois ou talvez algumas semanas depois, o próprio Michael exibiu uma outra versão do programa.

CY: E ele tinha tudo gravado por ter sido esperto o suficiente levando um cameraman.

CR: Ele foi sábio o suficiente para filmar e isto exibiu claramente como o cara manipulou tudo e tornou tudo mentira. Eles perguntam a Michael, ‘Você é gay?’ E Michael diz, ‘Eu não quero responder esta pergunta.’ Então, foi a esta pergunta a que ele respondeu isto. Mas foi rapidamente editado por Bashir dizendo, ‘Obviamente ele não queria responder por razões claras.’

Então quando Michael exibiu sua versão, ele pergunta, ‘Você é gay? Michael diz, ‘Eu não quero responder esta pergunta’. Então ele diz, ‘Mas se você desligar sua câmera, eu responderei sua pergunta’. Então o cara disse ok, desligou a câmera. Então Michael diz, ‘Não. Absolutamente não. Eu não sou gay, mas eu tenho milhões de fãs gays e se eles querem acreditar que eu seja gay, deixe-os acreditar que sou gay.’ Ele disse, ‘Eu não me importo. Eu não quero ofender ninguém.’ Entende?

CA: Eu tenho que dizer algo aqui, eu não acredito que a este ponto este tipo de assunto ainda esteja sendo discutido.

CR: Sim. É loucura.

CA: Não falam sobre o que este homem fez pelo mundo e eu tenho um grande amigo que Cory não sabia que estava trabalhando nesta turnê com ele, alguém que trabalhou com Cory no show de uma diva e ele disse, ‘Ele estava melhor do que nunca’. Ele estava lutando porque era um show longo e difícil, mas ia acontecer. Ele cancelou dois shows, tudo bem. Esse cara tinha 50 shows alinhados.

Estava acontecendo. Eles estavam no Staples Center, toda a produção. Você está falando sobre um show multi-multi-milionário. Estava acontecendo. Esse pobre garoto vai para casa à noite e diz que não se sente bem, e no dia seguinte ele é levado de nós. Eu usarei uma palavra que Cory usou, provavelmente a coisa mais devastadora a qual já tive de lidar na minha vida. Eu sinto como se tivessem arrancado meu braço direito de mim. As pessoas tem que prestar um pouco mais de atenção para o que ele contribuiu ao mundo e parar com toda essa porcaria de Wacko Jacko.

CR: Mas não vão parar, porque é isto que eles preferem.

CA: Liza foi muito legal. Eu assisti ela outra noite.

CY: Sim. Eu a vi no Larry King.

CA: Ela estava lá e disse “pára” e ela conversava com Larry King. Ela disse pára, poxa, vamos celebrá-lo um pouco. Tudo vai sair, as pessoas vão entrar no frenesi, você vai começar a ouvir rumores, os livros vão começar a ser lançados. A Sony está fabricando discos. Aposto que eles têm quatro máquinas agora só fabricando discos dele. Me desculpe. Eu vou deixar Cory assumir a liderança agora, estou devastado com tudo isto. Estou triste. Estou muito emocionado e vou para minha fazendo esta semana, Cory, onde eu tenho todos os vinis originais e vou tocá-los. Alguém tem que falar sobre o que este homem contribuiu e parar com toda a *****.

CY: Muitas pessoas dizem que ele não era o mesmo após o julgamento de 2005 e que as coisas chegaram ao fundo do poço, com todos esses problemas pessoais e, é claro, ouvimos boatos nos últimos anos sobre problemas de saúde. Algum pensamento ou conhecimento sobre essa situação?

CR: Eu sei que ele realmente tinha problemas de saúde. Isto é o número um. Michael Jackson tinha outros problemas de saúde que nunca foram discutidos como o que é chamado de pé de dançarino. Pé de dançarino é quando seus pés, após anos de dança, uma dançarino cobre seus pés para dançar. Você os cobre com fita ou algo assim. Mas é claro, porque você não recebe oxigênio o suficiente, a pele resseca. A pele começa a quebrar e cair, quase como pedaços de papel e Michael sofria muito com isto.

O que acontecia é que, às vezes, ele sofria tanto com isso que tinha que enfaixar os pés. Por isso você o veria algumas vezes com os pés engessados. E sim, ele tomava analgésicos por conta disso? Sim. Tenho certeza que sim. Eu nunca o vi tomar uma pílula, mas certamente conversei com ele sobre isso. Agora, o que quer que autópsia revelar, o que quer que o resultado revele sobre como este homem se foi daqui, tudo ainda será o resultado do que o mundo do entretenimento fez com ele, e ponto final.

[Parte 2]

CY: Seria justo dizer que foi o show business e os negócios, porque ele tinha todos estes problemas financeiros, e por isso ele teria sido pressionado? Ele disse que queria fazer 10 shows, mas então se tornaram 50 para esta coisa em Londres que ia acontecer já no próximo mês. Ele se sentiu pressionado a fazê-los por conta de problemas financeiros?

CA: Escuta, eu tenho certeza que ele quis fazer esta turnê de retorno e conseguir um monte de grana, o que ele honestamente merece. Eu ainda acho, como Cory disse, que ele foi empurrado por gente extremamente poderosa e que ele não foi tratado bem. Nós sempre estivemos neste negócio e alguém que Cory e eu conheço disse muito bem, ‘Você não pode fazer nada neste negócio sem o artista, mesmo que o artista seja o que você considera a pior coisa do mundo. Você ainda precisa do artista.’ Bem, parece pra mim que os grandões na indústria esqueceram, em algum momento, que ele deveria ser cuidado.

CR: Isto foi há anos atrás. Eu vou voltar a aproximadamente oito anos atrás e Michael me disse, ‘Cory, eu não posso mais sair em turnê. Eu não vou mais sair em turnê. Ok?’ Eu perguntei, ‘por que Mike?’ E ele disse, ‘Porque isto me matará’. Foi o que ele disse para mim. Ele disse, ‘isso me matará’. Por que ele diria algo assim? Ele disse, ‘Bem, você se lembra de quando eu estava me preparando para o meu show e desmaiei no estúdio da Sony?’ Ele disse, ‘Bem, é porque quando eu me preparo para uma turnê, eu me desidrato. Eu não como. Eu não bebo. Eu não durmo. Eu mergulho completamente na preparação da turnê.’

Ele disse, ‘Eu não faço isso de propósito. É apenas algo que não penso mais. Entende? Da última vez, eles me fizeram andar com um soro. Ele disse, ‘Então eu apenas decidi, e meus médicos decidiram que talvez seja melhor eu não fazer mais isto’. Ele disse que queria fazer o álbum Invincible funcionar comercialmente até onde conseguisse. Ele tinha terminado com as turnês. Ele ia fazer o álbum Invincible e continuar lançando álbuns. Ele disse, ‘Eu faço álbuns até não poder mais fazê-los, mas eu não posso sair em turnê.’

CY: Seria justo dizer que a derrocada de Michael Jackson foram as pessoas gananciosas que obviamente queriam os 85 milhões de dólares obtidos com os ingressos para os shows de Londres, por exemplo? Seria justo dizer que foi a ganância que o levou e outras pessoas que foram forçadas dentro da situação?

CR: Eu não chamaria isto de ganância. Eu apenas acredito que ele não teve escolha. Eu acho que financeiramente, às vezes fazemos o que temos de fazer. É o mesmo motivo para um boxeador como Joe Lewis retornar após ter se aposentado há anos. Joe Lewis subiu no ringue e teve de lutar porque não tinha mais dinheiro. Eu não estou dizendo que Michael não tinha dinheiro algum.

CY: Mas ele devia 400 milhões de dólares.

CR:
Mas ele tinha uma dívida. Ele definitivamente tinha uma dívida. Ok, quando você tem uma dívida e gente te pressionando, ok Michael, mais uma turnê e limparemos esta dívida. Ok, sabe o quê? Conhecendo a pessoa que ele é, o entertainer que ele é, ‘bom, vamos ao trabalho’!

CY: É uma surpresa para muitos, mas ao mesmo tempo é uma dessas grandes tragédias a quais lembraremos e diremos que ele teve seus altos mas teve seus baixos também?

CR: Eu diria que minha maior oração é para pedir a Deus que deixem este homem em paz, e esperança para que seu legado viva e não seja sujado por toda estas porcarias que dizem. Mas eu temo que para sempre isso será um problema. Do mesmo modo que você sempre ouve essas coisas loucas sobre sei lá, Elvis Presley.

CY: Sobre como ele morreu.

CR: “Como ele morreu”.

CY: As teorias conspiratórias.

CR: Uma teoria conspiratória. Como Bruce Lee morreu? Como Marilyn Monroe morreu? Você sabe o que estou dizendo? Michael não é comparável a essa gente. Eu diria que Elvis Presley é o mais próximo que você pode chegar. Eu não vou descreditar Elvis Presley, mas são duas pessoas diferentes. Michael, até onde eu sei, superou Elvis e tudo o que Elvis foi há muito tempo trás.

E ele se mantinha por algo diferente. Ninguém fala sobre como ele fez a Victory Tour, e eu me lembro quando criança, Michael estava na Victory Tour e toda noite os noticiários anunciavam que Michael Jackson doou sua renda de cada cidade, ele doou para uma nova caridade. Ele doou toda sua renda da Victory Tour para instituições de caridade. Eu achei aquilo fantástico. Este cara doando milhões de dólares cada noite para uma nova caridade! E ele parava em cada cidade e visitava crianças que sofreram queimaduras, estavam doentes ou o que fosse. Ele tinha tempo para fazer tudo isso.

CY: Chris, algum pensamento?

CR: Duas coisas. As comparações entre Elvis e Michael são óbvias considerando o que eles significavam para a cultura americana e mundial. Diferenças, Elvis, eu acredito, morreu aos 42. E Elvis, seu maior faturamento foi quando ele morreu, muito mais do que quando ele estava vivo. Volte aos altos e baixos, todos os artistas têm altos e baixos. A maioria dos baixos geralmente contribuem à falta de criatividade, de treino, o corpo se deteriora, etc… etc. Michael teve o maior dos auges e se você se lembrar do maior dos auges, nunca haverá novamente algo daquele gênero em nossa era.

Em primeiro lugar, os álbuns eram brilhantes. As performances eram brilhantes. Ele era brilhante. Ele era um ícone, provavelmente a pessoa mais famosa no mundo. Eu acredito que os seus baixos não foram totalmente atribuídos a um declínio artístico. Eu acho que os baixos foram forçados a ele pelo que as pessoas fizeram com ele. E eu acho isto muito triste. Artistas envelhecem como atletas. Eles mudam.

Eles fazem turnês diferentes. Eles começam a tocar em cassinos. Eles começam a tocar em festivais, etc. Esse cara foi forçado, ele foi forçado a descer mais baixo do que qualquer artista deve descer. Não foi por falta de talento. Algo sobre Michael que as pessoas não percebem é que eu até o chamava de musicologista. O cara conhecia cada canção, cada gravação, cada estúdio, todo o Sun Studios, Memphis, Motown, Nova York, LA, tudo. Ele conhecia tudo. Os músicos. Os instrumentos. Os microfones. Ninguém fala sobre isso. Ninguém discute isto e é inacreditável. E aliás, diferente de Elvis, este cara estava fazendo isso por 43 anos. 43 anos, Chris. Meu Deus.

CY: Eu acredito que, olhando a indústria como um todo e do modo que as coisas andam, mais vale um nome do que um talento musical. A indústria está quebrando? Certamente há talentos aí fora que sempre irão se dar bem, mas está quebrando no sentido de não termos mais grandes identidades, estas figuras maiores do que a vida. Agora é apenas um artista depois do outro.

CR: Eu acredito que é por conta desta nova independência encontrada pela internet.

CY: Estamos em um momento de transição.

CR: Certamente é um momento de transição. Mas quando eu digo que é um estado de encubação, eu digo porque agora nós vamos presenciar o renascimento da música de verdade. Isto é porque havia uma época onde você tinha um Earth, Wind and Fire ou Michael Jackson com um disco como Off The Wall, onde todos trabalhavam duro pra caramba e soava maravilhoso. Uma gravadora não daria chance a eles se não soassem como Chris Brown ou Rihanna, porque não é o que eles procuram.

Agora, de forma independente, quando se torna a coisa mais tocada da internet e as pessoas não têm escolha além de seguí-la, a gravadora acaba patrocinando.

CA: A indústria em que trabalhamos apareceu com esses grandes artistas como Michael, os U2s, os Bruce Springsteens, os Dylans e de repente decidiu, sabe o quê? Nós vamos dar a vocês Lindsay Lohan. Nós vamos dar a vocês Paris Hilton. Nós vamos dar a vocês Kelly Osbourne. E o público sentou e disse, ‘Isto é o que você tem a me oferecer? Eu não vou pagar $17,99 por isto. Ao inferno isto, eu roubo uma música na internet.’

Ah, me repreenderam na Sony uma vez e eu vou contar. Eu sugeri que deveríamos permitir que cada artista novo tivesse seu primeiro single para download de graça na internet. ‘Então, você realmente não quer trabalhar aqui por muito tempo’. Eu disse, não, eu quero. Ele disse, ‘Bem, nossa divisão de publicação não vai gostar disto, tampouco os artistas’. Eu disse, sabe o quê? Talvez você convença três de cinco pessoas. Talvez você convença duas de três pessoas que amam o artista e que queiram comprar o single, mas isto foi após conversar com minha sobrinha que tinha 13 anos na época. Eu perguntei, ‘A que loja de discos você vai?’ E ela respondeu, ‘Loja de discos?’ Bem, tinha uma Coconuts perto de onde ela morava. Uma Sam Goody’s também. Ela diz então, ‘Eu não vou a uma loja de discos em três anos’. Eu disse, ‘Você tem 100 CDs no seu quarto’. E ela, ‘Eu os consegui pela internet’.

CV:
Porque ela compra pela Amazon.com.

CR: É isto o que está acontecendo. Amazon.com, Itunes, o que seja. Estou te dizendo, a música vai melhorar muito. Vai se tornar interessante. Vai ser boa e interessante e todo mundo vai perceber isto, porque eu não sei se você teve a chance de assistir o que a BET tentou fazer na outra noite.

CY: Foi horrível. Foi detestável.

CR: Foi horroroso. Simplesmente não fazia sentido. Foi uma vergonha. A melhor apresentação daquilo foi o The O’ Jays e eles são caras velhos mas eles carregam verdade. Todo o restante é puramente lixo.

CY: Os Beatles, as Supremes, estes foram grupos que são parte da história da música. E você olha os grupos de hoje e pergunta si mesmo, quantos destes grupos serão realmente lembrados daqui a 50 anos?

CR: Não há ninguém especial agora. Os O’ Jays eram especiais. Os Beatles eram especiais. Por que eles eram especiais? Os Beatles sentavam e trabalhavam para serem especiais. A combinação de John Lennon e Paul McCartney compondo e eu não sei se você já prestou atenção nisto, mas eles eram o oposto um do outro. Era o que tornava tudo isso louco. Era brilhante.

CY: E agora todo mundo só quer gravar um disco, recolher o cheque e ir para casa.

CR: Ah sim. E todo mundo tem a audácia de dizer que Chris Brown é o próximo Michael Jackson.

CY: Você está zoando comigo?

CA: Mas eles falam sério.

CY: Eu sei, mas eu tô perguntando se você tá zoando comigo? Eles podem até falarem sérios mas, cara, você tá zoando comigo?

CR: É como eu me sinto em relação a isso.

CR: É como eu me sinto em relação a isso. E sabe, há momentos em que eu estou no estúdio e digo, nossa, não consigo acreditar que estou trabalhando com esta pessoa e ela é deste modo. E todos eles tem a audácia de serem grosseiros.

E aí você trabalha com um cara como Michael Jackson que quando estava atrasado, quando ele deveria chegar no estúdio ao meio dia e apareceu quinze para às uma, se sentiu tão mal pelo atraso que ficou se desculpando por toda a gravação. No dia seguinte, ele mandou uma cesta gigantesca porque conversamos sobre filmes e sobre o quanto eu amo filmes.

CY: Com todo tipo de filme nela.

CR: Meu Deus, tinha provavelmente 100 DVDs. Tinha pipoca, doces, todos os tipos de livros sobre curiosidades de filmes, todo tipo de coisa. E novamente o cartão dizia, ‘Me desculpe por não respeitar o seu tempo.’

CY: E é justamente o pensamento que conta. Absolutamente!

CR: Certo. Eu diria ao Mike, que horas você quer começar amanhã? Ele diria, ‘Cory, você é o chefe. Você me diga o horário. Se você quiser que eu apareça às sete da manhã, eu aparecerei.’ Ele disse, ‘Você é o chefe. O que você me disser.’

CY: O que eu acho interessante nestes comentários é o modo como a mídia o retrata, como um cara que queria sempre fazer as coisas do jeito dele.

CR: De modo algum, de modo algum. É como eu disse. Se simplesmente o mundo parasse e prestasse atenção.

CA: Parando por um minuto e voltando ao presente, eu estou horrorizado em pensar no tipo de tributos a Michael Jackson que vão sair. Fico horrorizado em pensar no que a sua família pode tentar lançar. Horrorizado em pensar que discos as gravadoras vão tentar montar.

CR: A coisa que eu quero ver sair é, bem, Michael estava guardando toda a gravação da Victory Tourporque ele é dono de toda a gravação da turnê. Eu costumava implorar a ele o tempo todo. Na verdade, eu tenho um DVD ineditado dela.

CA:
Talvez Cory mostre um dia para você.

CY: Ah, ele me emprestará e eu prometo que o devolverei depois.

CR: É maravilhoso. O cara não dublou nada. Sua voz soava fantástica. É incrível. Ele dança o show todo. Ele fazia tudo assim. Ele se condicionou para poder fazer tudo isto.

CA: Naquele show de duas horas e meia que assistimos, no Brasil, ele nunca deixava o palco. Quando Michael deixava o palco, era por um minuto para trocar de roupa e era realmente um minuto. Não eram dez minutos. Por acaso, alguém se preocupou em falar sobre os pés de dançarino, em como ele sofria com isso? Alguém se preocupou em olhar como esse garoto dançava? Quem idolatrava Michael Jackson? Fred Astaire. Ele era o cara.

CA:
São tantas histórias. São tantas coisas. Michael adorava sentar e contar histórias. Ele adorava falar, falar, falar, sobre tudo. Toda vez que ele ia a uma cidade eu lembro que ele queria ir a uma livraria. Eles fechavam a livraria para ele ir comprar livros. Ele lia muito. Ele me educava sobre a África e o quanto a África era bonita. Ele disse, ‘Você sabe, as pessoas não querem que você saiba o quão bonita a África é porque elas estão lá roubando-na de todas suas riquezas.’ Mas ele disse, ‘É o lugar mais bonito que já estive em toda a minha vida’. Ele me trouxe fotos. É maravilhoso. Lembra-se Chris, do David Blaine se enterrando vivo?

CA: Sim, claro que me lembro. Ele costumava se divertir com a gente em nosso andar na Sony. Você não se lembra, mas ele costumava ficar lá com a gente na época em que o seu amigo 50 Cent nos trazia café.

CY: Esta é uma história bem estranha, mas continue.

CR: Então, David Blaine se enterrou vivo no edifício Trump.

CY: Trump National Towers.

CR: Certo. Quando eu contei ao Michael o que estava acontecendo, ele virou, ‘Você só pode estar brincando?’ Eu disse, tô te falando. Ele nem sequer sabia quem era David Blaine. Eu comecei a enviar videos para ele porque não tínhamos YouTube na época. Eu mandei filmagens para explicar a ele quem David Blaine era. Ele ficou tão fascinado. Entramos em uma van naquela noite e fomos ver David Blaine.

Nós pulamos fora da van e ele tinha um disfarce e ninguém sabia que era ele. Ele saiu da van, chegamos lá, sentamos e ele ficou fascinado. Foi engraçado. Então rimos porque ele disse, ‘Sabe o que? Na maioria das vezes alguém vai achar que é um cover meu e não eu mesmo. Às vezes eu posso sair assim.’

CV:
Você parece ter tido muitas conversas pessoais com ele, mas você já chegou a conversar com ele sobre cirurgia plástica?

CR: Sim.

CV:
E o que ele lhe disse?

CR: Ele disse, ‘Qual é a diferença entre eu e Sylvester Stallone e qualquer outro em Hollywood?’ Ele disse, ‘E daí? Minha doença de pele, eu não quero ser branco.’ Ele disse, ‘Não é o que estou tentando fazer, mas não pude evitar minha doença de pele. Eu tentei fazer uma cirurgia para igualar minha pele e não ficou do jeito que eu queria que ficasse, mas esta não é a razão pela qual eu me tornei um homem negro de pele clara.’ E quanto ao nariz ele disse, ‘Eu odiava meu nariz assim como Sylvester Stallone odiava o dele.’

CA: Olhe o que o pai dele lhe dizia.

CR: Sim, ele disse, ‘Eu detestava meu queixo. Eu detestava meu nariz.’ Eu disse, ‘E daí?’ E ele respondeu, ‘Por que implicam só comigo?’ Ele disse, ‘Eu posso lhe mostrar 20 pessoas em Hollywood que fizeram plásticas no nariz, lábios, botox, todo tipo de coisa.’

CY: Há mais alguma coisa que vocês gostariam de dividir?

CA:
A única coisa que quero dividir é que meu tio costumava ser muito amigo de Bill Cosby. No final dos anos 60, ele me deu um dos primeiros discos que tive. Eu acho que o primeiro disco que tive foi do The Monkeys. Ele me deu um disco que Michael Jackson fez com Bill Cosby. Eu ainda o tenho. É meio como um submarino amarelo com um encarte lindo dentro. Um dos meus ítens que mais gosto e mal posso esperar para vê-lo no sábado.

Sobre meus pensamentos em relação a Michael Jackson, eu apenas espero que as coisas se resolvam nas próximas semanas. Eu espero que algumas pessoas comecem a discutir todo o bem que ele fez, porque se você for pesar o bom contra o ruim, ele é a pessoa mais famosa do mundo. Está na TV 24 horas por dia há seis dias. É apenas o que eu espero. Deus o abençõe e deixei-o descansar em paz e nós todos o veremos em algum dia no futuro de nossas vidas, e tenho certeza que ele estará cantando e dançando pra cacete.

CR: No sábado eu fui à igreja e conversei com meu pastor porque queria esclarecer uma coisa. Eu queria ter certeza de que não vou ser atacado ou causar problemas por me expressar do modo que me expresso. Eu disse, para não comparar quem quer que fosse a Cristo porque não há comparação. Se você olhar por um segundo para este mundo em que vivemos dentro do mundo de Deus, que é chamado de mundo do entretenimento.

CV:
Sim, isto é justo.

CR: Michael para mim, não só para mim como com certeza para dezenas e dezenas e centenas de pessoas que se sentem do mesmo modo. Michael Jackson era como a figura de Cristo para nós. Saber que este homem, nos últimos 15 anos, foi atacado, crucificado, difamado, entende, todo mundo preferia falar algo negativo, como ele querer comprar os ossos do homem elefante. E daí? Sabe o quê? Eu os compraria também.

CA:
Eu também.

CR: Eu acho legal. Eu o faria também. Mas porque era ele, sempre preferiam a negatividade a algo positivo. Meu coração está totalmente quebrado. Minha inspiração, a luz da inspiração que eu tinha desde criança está quase apagada neste momento para mim. Eu não sei, porque eu não fui um dos discípulos que seguiram atrás de Cristo e que tiveram de olhá-lo sendo crucificado.

Mas tenho certeza de que seus corações estavam tão quebrados como o meu está agora. Voltando agora às questões do entretenimento, tudo o que posso dizer é que estou feliz por vivermos em uma época onde podemos fazer as coisas meio independentemente, e não termos que lidar tanto com os hipócritas apesar de estarmos sempre rodeados por hipócritas nesse negócio. É uma tragédia. Eu sempre imaginei como seria se, bate na madeira, algo acontecesse com Michael. Eu não acho que queria sentir isto um dia. Eu sempre pensei, meu Deus, o que aconteceria? E bem, aqui estamos. E até agora, tudo o que aconteceu é praticamente igual ao que imaginei que aconteceria.

CA: Cory e eu nos falamos inúmeras vezes por dia. Isto basicamente pelos últimos 20 anos.

CY: De verdade.

CA: Quando isto aconteceu, eu estava mandando um e-mail para o Cory e, de repente, sua esposa me ligou e me contou. Eu não soube de Cory por três dias. Emails, ligações, sem respostas. Eu sabia que ele estava de luto e eu estava entorpecido com o que aconteceu.

CR: Porque eu chorei por três dias.

CA: Ele me ligou na manhã de segunda e eu acho que esta é uma citação bem apropriada, ‘Ok, é segunda. Nós temos de voltar ao trabalho porque Michael teria voltado ao trabalho’.

CR: E esta é a verdade. Michael teria voltado ao trabalho. Como eu disse, ele lidava com os coisas, teve suas feridas. Ele era um dos caras mais durões que eu já conheci, esta é a verdade.

CV: Você me contou uma história completamente diferente da qual a mídia em geral está contando. O que você me diz é que a indústria não está focando no quão importante este cara era como um todo?

CR: Não.

CA: Não. Nem perto disso.

CR: Eles nem riscaram a superfície.

CY: Como você sabe, neste ciclo de notícias 24 horas, o que é importante é o que eu lanço, o quão rápido eu lanço e quem está escutando.

CR: Este tipo de notícia, é a razão pelo qual o National Enquirer existe.

CY: Ainda existe. Eu não sei se você ouviu, mas a revista Vibe fechou hoje. Com os tablóides online agora, não me surpreenderia se o National Enquirer tivesse o mesmo destino. Eu não sei se vocês sabem disso, mas eles têm tido problemas financeiros nos últimos seis meses. Agora, é tudo online.

CR: Sim, eu acredito nisto e foi o que eu disse. Sabe o quê? Isso dá a liberdade para pessoas como você poderem fazer algo certo.

CY:
Verdade.

CR: Ao invés de seguir o Enquirer, Star Magazine, que eles posicionam bem ao lado dos caixas pra quando você passar ler alguma manchete de ***** na capa. Michael Jackson dorme numa câmara hiperbárica.

CA:
Não. É “Obama é gay” na semana passada.

CR: Disto que estou falando, chega disto. Eles sempre vão optar pela baixeza maior ao invés de dizer “vamos começar a contar quantas crianças tiveram suas vidas mudadas por Michael Jackson” ou algo assim. Aqui está algo que nunca foi discutido. Mas os garotos que alegadamente acusaram Michael eram crianças que se envolveram ou cujos pais se envolveram em extorsões antes.

CY: Eu lembro do recente, ela tentou fazer os filhos se machucarem na JCPenney e processá-los por danos físicos ou algo assim.

CR: Sim e então eles tentaram fazer algo com George Lopez. Tentaram dizer que ele roubou o dinheiro deles no show de comédia quando eles estavam lá. Ele disse que eles roubaram uma de suas carteiras.

CY: Pensando bem, lembro que isso foi mencionado por 10 segundos e apenas uma vez.

CR: Porque não é importante para o público.

CA: A mídia começou com esse frenesi com o caso OJ Simpson. E mantiveram com Bill Clinton. Eles bateram muito em Bill Clinton. Foram atrás de George Bush a quem eu não gosto e não apóio, mas eles fizeram um bom trabalho nele também. Agora eles vão atrás de Michael Jackson e não se iluda, em um ano ou dois vão atrás do meu presidente também.

CR: Bem, eles foram atrás de Michael Jordan e suas apostas.

CY: É, ele jogava e era infiel e nada disso é surpreendente no nosso meio. Isso é problema dele.

Fonte: http://thesportsinterview.com/mjackson.html

Extraido : http://www.kingofpop.com.br/

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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Uma resposta para Grandes da Indústria: Música & Michael

  1. crismjj disse:

    oi amiga amei o que li estou sem palavras e com a alma em lagrimas, obrigadooo de coração…………. beijosss

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