O ser mitológico por Tony Bellotto

O ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendo nascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim, tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível. Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, na infância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades, obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Na maturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear em carrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeu exatamente do que se tratava o tal  “mundo dos adultos”.
Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças, o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmente espancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressão psicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológico ajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho e compreensão verdadeiros.
Com essas crianças comunicava-se da mesma forma com que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.
Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial ao elevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantas transformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nunca deixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negra norte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musical irresistível, ousadia de produção, competência e muito – muuuiiito – suingue.
Quincy Jones, músico, maestro e arranjador de excepcional talento, ajudou o ser mitológico nessa jornada. Do ser mitológico aceita-se que tinha habilidades múltiplas – dançava, cantava e compunha como poucos – e que com elas conseguiu apaixonar pessoas do mundo inteiro, independente de suas raças, classes sociais, nacionalidades, religiões, crenças etc.
Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes como um anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundo estranho que o amou e não o compreendeu.
Na morte sabe-se que a imprensa, que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida – e tanta atenção dera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades – acabou por reconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente a brilhante música que concebeu, cantou e dançou.
Diz-se por fim que, ao morrer, o ser mitológico livrou-se do corpo que era ao mesmo tempo depósito de dons e talentos e também de dores e sofrimentos.

E que se lembrou, no último instante de vida, da frase do discurso de um grande e admirável conterrâneo: free at last!

Off The Wall, de 1979, o primeiro disco da fase adulta do ser mitológico, e primeira parceria com o produtor Quincy Jones. Está tudo ali: a riqueza da música negra, desenvolvida em décadas de trabalho por gravadoras como a Motown – e a mistura com elementos de rock e pop.

É um disco que aprendi a amar graças a minha mulher, Malu – a quem dedico esta crônica -, uma das maiores devotas de Michael Jackson de que se tem notícia. Ela já passou essa paixão aos nossos filhos, também admiradores do grande músico negro norte-americano.

Por Tony Bellotto

http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/arquivo/free-at-last/

PS: Materia da MJBEATS minha segunda casa e lar mesmo no momento inativa
Compartilhada de minha amiga Leda Santos.

“Comentario meu MJJKING”   -Malu Mader .. sou mais sua fã agora fã de MJ.. e Tonny Bellotto sempre admirei a banda e vc como musico tenho mais motivos agora .

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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2 respostas para O ser mitológico por Tony Bellotto

  1. Thucka disse:

    Poxa vida, bem legal esse!!!!!
    Gostei tirando o começo pq eu nunca achei q o MJ lembrava uma mulher, que parecia hermafrodita e tal. Na verdade ngm q eu conheça acha isso, sério msm. E ele negava isso veementemente. Não entendo pq insistem em falar isso! Mais ta valendo a critica do Tony!!!!

  2. jordanea disse:

    que novidade eu não sabia que Malu Mader era fã de Mike,que admiro ainda mais essa mulher agora,lindo ela passar isso aos filhos!eu era membro do mj beats desde de 2005 e nunca tinha prestado atenção nessa materia,muito obrigada!

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