Michael Jackson no Hotel Boston Zaragoza

*Este texto faz parte de uma série de depoimentos sobre a  estadia de Michael Jackson em diversos hotéis pelos muitos países em que esteve, principalmente em turnês.
Em cada um deles é possível capturar um pouco da essência da personalidade de Michael, e mesmo em meio à grandiosidade e consequente solidão que a fama carregam consigo, é possível entrever um homem carismático, que a todos marcou positivamente e que deixou saudades em quem o conheceu mesmo que brevemente.
Aqui, o gerente do Hotel Boston, em Zaragoza Espanha, sr. Antonio Anadón deixa um relato que revela o lado menino em contraposição com o lado “estrela” de Michael Jackson, terminando com uma comovente homenagem.
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EXPERIÊNCIAS COM O Mr. KING

Minhas memórias da passagem do Mr. King pelo nosso hotel  eu as tenho de uma forma um tanto estranha.  Por um lado foi para nós uma prova de alta qualidade, e éramos muito jovens como empresa e o desafio era bem relevante. E em segundo lugar, o nervosismo que nos chegou através do desconhecido para coordenar todos os serviços e fazer com que tudo funcionasse como deveria ser.

Para  registro, e prestando uma sincera homenagem ao nosso “Prezado Cliente”, tomo a liberdade de listar alguns dos episódios que vivi e que, pessoalmente, me tocaram e terminaram  nas conversas junto à mesa de muitos de nós.

Uma semana antes do evento, eu tinha em meu poder uma caixa de instruções, muitas das quais me afetaram diretamente, por exemplo: O nome de Michael Jackson em nenhum momento poderia ser falado em público e, se necessário, seria chamado pelo codinome “Mr. King” .

Sete dias antes de nosso ilustre convidado visitar-nos, fomos renovar a academia (fitness)  no segundo andar e camarim para os bailarinos, levando cadeiras, mesas e luminárias de modo que o conjunto de artistas que coreografou para a estrela, pudesse maquiar-se facilmente.

Sobre a chegada do artista, eu tinha que entrar na sala rigidamente controlada, pontualmente  às cinco horas da manhã, para encher  uma centena de balões, a metade vermelhos, e o restante, balões pretos. Um requisito essencial após o banho, era que ninguém usasse qualquer tipo de cheiro de desodorante, perfume, loção pós-barba  que pudesse dissipar os aromas encomendados dos Estados Unidos.

No dia anterior, montamos no quarto ao lado da Suite Presidencial um deck de madeira como uma pista de dança de nove metros quadrados (três por três), além de uma TV gigante com DVD, um dispositivo que por ignorância do produto naquela  época, tivemos que investigar e alugar de  uma empresa em Barcelona, ​​porque em nossa cidade, ninguém sabia sobre o que nós falávamos, fosse para aluguel e , muito menos para a compra – para poder esquentar e ensaiar, de forma que, ao sair do hotel para o show, não haveria espaço para improvisação.

E finalmente chegou o grande momento tão esperado por todos. De manhã cedo, tanto a guarda  de segurança do Estado,  como clientes, fãs, curiosos e público em geral, tomaram  a posição mais ou menos privilegiada  de estar o mais próximo possível de seu ídolo.

Por parte do  hotel em Boston , também fizeram seus deveres, e estávamos preparados para o iminente, inclusive para resolver situações descontroladas com tamanho  grande sucesso, como assim foi.

Lembro-me com grande precisão que o “hall” de entrada  do hotel foi tomado por um mar de gente que não é facilmente controlada, e só foi porque o  funcionamento interno  decorreu como um maquinário de relógio suíço, e pudemos  fazer isso, depois de cruzar o limiar da nossa casa o personagem tão famoso, e mesmo rompendo-se as portas semi-circulares de cristal, tivemos sorte que ninguém se feriu.

Para mim, entre outras coisas, me foi  confiada  a tarefa de fornecer a necessária cobertura de segurança privada para que nenhuma pessoa estranha, tanto do pessoal do hotel como do público em geral pudesse chegar  aos aposentos de  número dois, que tinham sido reservados para “merecido descanso do Rei do Pop”. Estando na missão a mim destinada, acompanhado por dois membros da unidade de resposta da polícia nacional, vivemos um susto, como quando as portas do elevador se abriram e  avançou  sobre mim uma pessoa de cor e medidas muito generosas, do tipo que,  popularmente chamamos de dois por dois, e acreditando que eu era mais um fã, imobilizou-me  instantaneamente, mas, graças à agilidade mental de um dos agentes, com o grito de “segurança, segurança” imediatamente me libertou de seus braços e do meu medo, e começou a pedir desculpas como se fosse uma anedota a história que hoje relato. Então, sem fechar a porta do carro, ele saiu, a estrela, o Rei, o cantor, aclamado,  mundialmente famoso, e eu estava lá, compartilhando com um grupo de personalidades escolhidas para acompanhá-lo  até a Suíte Presidencial, a nossa mais luxuosa e bem equipada  acomodação, o apartamento  223.

Depois do que aconteceu com a escolta  pessoal de Mr.King  e já reconhecido por todos como um membro de confiança do hotel, fui eleito (leia-se recompensado) como a única pessoa que poderia entrar na sala para depósito de suas quatorze malas de uso pessoal às quais  ninguém tinha acesso. Depois de uma maneira descontraída  eu era capaz de falar com a pessoa responsável pelo transporte da bagagem do seu séquito, totalizando três caminhões e ele me disse, é claro,  em castelhano perfeito, que deu o que tinha para viver em outros países, diversos lugares e  hotéis e  a experiência lhes dizia que só deviam confiar neles mesmos,  tinham receio e, porisso traziam tudo tão controlado ao extremo de levar um arco detector de metais, o qual por certo não se montou, para que, ao mínimo gesto suspeito fosse descoberto imediatamente.

Entre outras tarefas, eu era o fotógrafo escolhido para fazer a recepção de uma estatueta de D.  José Antonio Barrios, um famoso mestre da escultura em madeira,  para entregar no dia da sua partida.  Da minha parte, parti para o ponto de manhã, tendo levado a câmara a uma loja especializada perto do hotel para colocar o filme  (não conhecíamos a digital), baterias e flashes  foram verificadas e substituídas, pois seria uma oportunidade única, e não havia  margem para erro. E assim, quando fomos convidados para a suíte de Mr. King, eu comecei a trabalhar, e disparei com a minha câmara de todo e qualquer ângulo possível com a convicção de que, entre todas as fotos tiradas, teria alguns quadros seguros. Uma vez que nosso hóspede nos deixou para voltar à sua amada América, saí rapidamente para trazer o filme para revelar com um pedido urgente para conseguir fazer a seleção de fotos ainda de manhã e aí ouvimos a última surpresa que nos aguardava naquele dia, e outra não foi, senão que, na manhã,  o filme em questão não foi corretamente colocado, resultando que a carretilha ficou travada e não podia correr e se fizeram todas as fotos sobre o mesmo negativo, não se podendo ver nada de nada e sem a possibilidade de repeti-las, gerando desgosto em todas as pessoas envolvidas.

Estas linhas são uma lembrança das experiências em  que tivemos o privilégio de ter a visita de Jackson à nossa casa, gostaria que servissem  para oferecer a minha demonstração de tristeza pela perda de uma pessoa  tão única e irrepetível, como você, e como pode ser observado, após 13 anos de sua passagem pela nossa terra, posso garantir que você deixou uma marca que até o dia  de hoje é tão agradável, ouso dizer sem medo de contradição, que vai acompanhar o resto da nossa vida, tanto como empresa –  hotel, como a título pessoal.

Desde o hotel de Boston, que sempre digo ao Mr. King:
De coração eu digo obrigado a  Michael Jackson  por ter proporcionado uma experiência que, de outra maneira eu não teria tido

Assinado:  Antonio Anadón

 Gerente de Banquetes e membro E.P.I.

Junho 2009

Fonte: http://www.hotelboston.es/girazaragozamichaeljackson

PS: Agradecimento especial á amiga Irleide na tradução e * introdução do texto

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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