Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap-7

“STOP! THE LOVE YOU SAVE MAY BE YOUR OWN”

“PARE! O AMOR QUE VOCÊ SALVAR PODE SER O SEU”

Davellin Arvizo, a irmã de 18 anos de Gavin, estava reservada e com a fala mansa, quando foi a sua vez de ir ao banco das testemunhas. Quando ajustou o microfone, a jovem parecia nervosa. Ela se recusava a olhar na direção de Michael, exceto no momento em que teve que reconhecê-lo como réu, a quem ela não via em dois anos.
Foi pedido à Davellin que voltasse no tempo, até 1999 mais especificamente, quando foi aceita como estudante na Hollywood High School, em Los Angeles, tendo que pegar o ônibus escolar do apartamento de apenas um quarto de sua família que ficava do outro lado da cidade. Davellin disse que era uma aluna aplicada, detalhou suas boas notas e o seu interesse pelo teatro, explicando que foi especialmente aceita numa escola que ficava bem longe de sua casa.
Tom Sneddon pediu à jovem que descrevesse o tamanho da sua residência que ficava na Soto Street, um apartamento que era tão pequeno que a jovem o comparou, apontando para a bancada do juiz e, em seguida, para um outro funcionário do tribunal, indicando que era num espaço curto como este que os 5 membros de sua família viveram durante aquela época – talvez, menor do que 500 metros quadrados.
Davellin falou sobre como ela e seus irmãos foram apresentados à Jamie Masada, o dono de um legendário clube, o Laugh Factory (Fábrica de Risadas *), localizado na Sunset Strip. A jovem explicou que ela e os garotos faziam parte de um “acampamento de comédia” para crianças carentes, e disse ao júri que, no verão de 1999, eles tiveram uma aula de técnica de piadas de estrelas como Paul Rodriguez, Shawn Wayans e George Lopez, as crianças se divertiam, usando sua pobreza para ganhar risos nas esquetes que eles realizavam, e adoravam os comediantes com quem trabalhavam.
Foi em algum momento do ano 2000 que a família Arvizo soube que Gavin, aos 10 anos, tinha sido diagnosticado com tipo misterioso de câncer que arriscava seriamente sua vida. Naquela época, sua mãe, Janet, apresentou uma lista de desejos do garoto à Jamie Masada, que queria muito fazer alguma coisa que pudesse auxiliar a cura de Gavin.
Um dos maiores desejos do menino era ser apresentado à Chris Tucker, Adam Sandler e Michael Jackson. Através de alguns contatos que Masada tinha no ramo do show business, Gavin e sua família se tornaram amigos tanto de Chris Tucker quanto de Michael Jackson, e cada um dos dois estendeu a mão para o menino em 2000, quando ele mais sofreu com os complicados ataques de náusea e falta de ânimo em decorrência do tratamento quimioterápico.
Uma vez que estava bem o suficiente para deixar a cama do hospital, Gavin ficou na casa de seus avós, em El Monte, e algumas celebridades arrecadaram fundos para que o quarto do garoto pudesse ser altamente equipado, levando, assim mais conforto e qualidade de vida à Gavin. Enquanto lutava contra o câncer, o garoto recebia uma boa parte de visitas de celebridades, algumas delas não muito conhecidas, mas que, no entanto, doavam dinheiro, brinquedos e outros presentes para ele. Davellin testemunhou que às vezes celebridades de “grande nome” o visitavam, e que Gavin tirou fotos com algumas lendas, entre elas, Kobe Bryant * [um dos mais conhecidos jogadores de basquete dos Estados Unidos. N.T.]. Quando uma foto de Gavin ao lado de Kobe foi mostrada ao júri, Davellin disse que o superstar do basquete tinha dado ao seu irmão uma camisa especial.
Davellin contou ao júri que, inicialmente, Michael Jackson tinha ligado para Gavin enquanto este ainda estava no hospital e, mais tarde, tinha feito mais chamadas para a casa de seus avós. Durante todo este período, Michael dizia à Gavin para manter forte a esperança, falando ao garoto para “comer todas as células cancerosas assim como o Packman”. Michael estava tentando ensinar à Gavin uma técnica de visualização, o sugerindo que imaginasse suas células saudáveis comendo as células cancerosas. Jackson queria que o menino ficasse bem, e convidou Gavin para ir à Neverland.
O primeiro passeio da família Arvizo para Neverland teve todas as despesas pagas por Michael, era o início de muitos luxos extravagantes que o cantor sempre ficava feliz em proporcionar. A limusine chegou ao apartamento deles – que ficava no leste de Los Angeles – e os transportou até o rancho, onde foram recebidos na casa principal pela equipe de cozinheiros e, depois, por Michael, que comia um sanduíche e foi extremamente humilde. Cada Arvizo foi aconchegado num quarto, três no total, e, após se estabelecerem neles, Davellin e seus irmãos foram levados para dar uma volta no rancho em carrinhos de golfe, conhecendo o zoológico, o cinema e outros locais.
Davellin testemunhou que, nesta primeira visita, seus pais tiveram uma discussão que se tornou violenta. Aparentemente, David Arvizo tinha ciúmes da diversão que Janet estava tendo com Michael e, com raiva, jogou uma garrafa de refrigerante nela e saiu do quarto de hóspedes, deixando a mãe em lágrimas. Quando foi perguntado à Davellin se ela tinha visto sua mãe ser agredida por David em outras ocasiões, a garota respondeu: “Sim”. Ela disse ao júri que sua mãe fora agredida muitas vezes, e que eram “muitas para contar”. A garota também declarou que seu pai batia nela e em seus irmãos “demais”.
Quando o promotor a pediu para contar sobre sua primeira visita à Neverland, Davellin falou sobre a refeição que fizeram na sala de jantar de Michael com o cantor presente, lembrando que, enquanto à mesa, Gavin perguntou aos pais se ele e Star poderiam ficar com Michael na casa principal. Ela falou aos jurados que Gavin pediu para ficar no quarto de Jackson, e que seus pais não fizeram nenhuma objeção.
A segunda vez que ela e seus irmãos visitaram Neverland, Davellin disse, foi numa viagem com Chris Tucker, que acompanhara a família Arvizo em duas ocasiões: a primeira foi quando Michael não estava presente no rancho, e a outra fora quando Bashir estava filmando seu infame documentário. Entre essas visitas, Davellin testemunhou que seus irmãos iam à Neverland inúmeras vezes na companhia de seu pai, mas que ela não tinha estado presente.
Em algum momento deste mesmo ano, até o final de 2000, os pais das crianças se separaram. De acordo com Davellin, a família Arvizo sofreu quando David saiu de casa e que sua mãe, Janet, teve que lutar ainda mais para conseguir pagar as consultas médicas de Gavin. Já que o garoto ainda não tinha superado o câncer, já que Janet não tinha mais acesso ao carro de David, a família se aproximou ainda mais de Michael por causa de sua ajuda. Davellin contou aos jurados que Michael Jackson dera um Ford Branco à sua mãe.
Enquanto Sneddon questionava a jovem garota de cabelos negros, a maioria de seus testemunhos estava relacionada às alegações de que Michael Jackson e seus 5 conspiradores haviam planejado raptar, aprisionar e extorquir a família Arvizo em fevereiro e março de 2003. Davellin comentou sobre uma “conspiração”, que começou logo após a exibição do documentário de Bashir; momento em que ela, seus irmãos e sua mãe pegaram um vôo com Chris Tucker para verem o Michael.
Davellin afirmou que durante a estadia dos Arvizos e de Michael no Miami Berry Isle Resort, sua família foi proibida de assistir ao documentário de Bashir que seria exibido na rede de TV americana, ABC. A garota ainda testemunhou que ela e sua família, apesar de terem seus próprios quartos no resort, sentiram que estavam em cativeiro, impossibilitados de deixar a suíte de Michael. Ela disse que viu seu irmão sendo levado para dentro do quarto pra conversar com Jackson e seus conspiradores “à sós”, e contou que, em três ocasiões, notou o irmão agir de uma maneira diferente, explicando que Gavin estava muito “alegre, correndo de um lado pro outro, muito falante e brincalhão”.
Davellin disse aos jurados que, em sua viagem de volta à Neverland, viu Michael e Gavin aos sussurros, passando uma lata de Coca-Cola Diet um para o outro. Ela não pôde afirmar o que tinha na lata, mas levou os jurados a crerem que Michael estava tentando se divertir com Gavin; a sugestão da garota era a de que Jackson tentara embebedar seu irmão com vinho.
Quanto à outras observações, Davellin falou que, durante o vôo de Miami à Santa Barbara, Michael presenteou Gavin com um relógio de $7.000 e uma jaqueta.
Quando chegaram à Neverland, Davellin disse ao júri, Chris Tucker já não estava mais com eles, e ela e sua família se sentiram desconfortáveis na presença de Michael e seus conspiradores, que pareciam “monitorar” os Arvizos e diziam que a família poderia estar sendo ameaçada de morte. Davellin afirmou que os associados de Jackson a assustaram ao mesmo tempo em que os esforços de relações públicas estavam sendo feitos. Aparentemente, os conspiradores estavam preocupados com uma campanha de relações públicas que fora criada para frustrar o documentário de Bashir.
Davellin falou que, depois de sua chegada ao rancho, ela e sua família “receberam uma lista de coisas boas a dizer” para um documentário-resposta de Michael Jackson. Tom Sneddon questionou a jovem durante horas, nas quais Davellin repetidamente alegava que ela e sua família tinham sido mantidos em cativeiro em Neverland. Ela ainda disse que os Arvizos deixaram o local em circunstâncias estranhas.
“Estávamos com medo por causa de toda aquela situação”, explicou Davellin, “Toda aquela situação, todo o segredo. Estava realmente agressivo. Eu fiquei com medo. Não entendia o que estava acontecendo…”.
Antes de seu depoimento terminar, Davellin alegou que nunca experimentara álcool até a ocasião em que o próprio Michael a entregou algo alcoólico para beber. A jovem também falou sobre o envolvimento de sua mãe com o novo namorado, o Major Jay Jackson, com quem sua família passou um tempo durante a exibição do documentário de Bashir. Davellin lembrou, em detalhes, uma entrevista que foi dada no apartamento de Jay Jackson, em Los Angeles. Foi uma entrevista conduzida por Brad Miller, um detetive particular que trabalhava em nome do famoso advogado Mark Geragos, que ainda representava Jackson na época.
A entrevista foi gravada em áudio por Miller e, mais tarde, seria usada como evidência. Nela, a família Arvizo – Gavin, Star, Davellin e Janet – deu uma brilhante visão de Michael Jackson, dizendo ao detetive que Jackson tinha sido “como um pai” para eles, que era um homem generoso e bondoso, que os dava um “amor incondicional”.
EXHBIT 5000-A do caso do povo do estado da Califórnia Vs. Michael Joe Jackson era uma transcrição da entrevista dada à Brad Miller, que mostra que, em 16 de fevereiro de 2003, a família Arvizo havia expressado fortes sentimentos sobre Michael Jackson que não se encaixavam em nada naquele depoimento de Davellin.
Na fita, ficou claro que cada Arvizo – Janet e seus filhos – participara da entrevista de bom grado. Eles até deram permissão para gravá-la em áudio, e pareciam muito alegres e otimistas ao darem seus testemunhos. Naquela época, Davellin tinha 16 anos de idade, Gavin tinha 13 e Star, 12. Brad Miller começara com Janet, perguntando-lhe como a família veio a conhecer Michael Jackson; Janet estava ansiosa para falar sobre o ano de quimioterapia e radioterapia que o filho, Gavin, passou, e que, de alguma forma, salvou sua vida.
Quando Janet contou sobre o extenso tratamento contra o câncer, realizado no Kaiser Permanente Hospital na Sunset Boulevard, explicou que uma equipe de 12 médicos não conseguiu afirmar o tipo de câncer do qual Gavin sofria. Ainda era um mistério o fato de seu filho ter sobrevivido e estar livre da doença.
Na gravação, Janet afirmou que, durante o combate ao câncer, Gavin perdeu seu rim, sua glândula supra-renal esquerda, a ponta de seu pâncreas, o baço e diversos linfonodos. Ela contou à Miller que os médicos também extraíram um tumor de 7kg de Gavin, e que o estágio 4 do câncer já tinha começado a ir para os pulmões do garoto. Gavin tinha recebido inúmeras transfusões de sangue, tanto de células brancas quanto de células vermelhas, às vezes simultaneamente.
Quando o detetive perguntou à Gavin sobre sua amizade com Michael, o garoto disse: “Michael falou para eu me apressar, terminar a quimioterapia e ir para Neverland”. Na fita, Gavin lembra que ficava no hospital sempre pensando em visitar o rancho e ver o Michael
pessoalmente, “Isso sempre me fazia feliz”, disse o menino, “porque Michael sempre colocava um sorriso no meu rosto”.
Brad Miller queria saber se Michael já tinha ido ao hospital para visitar o garoto e Gavin respondeu que Jackson estava sempre viajando, afirmando que, em vez da visita, Michael ligava para ele e às vezes os dois ficavam horas no telefone, falando sobre alguns lugares remotos do mundo. Gavin sentia que Michael era um grande amigo e disse à Miller: “eu poderia ligar e falar com ele em qualquer momento”.
Quanto à Janet, ela insistiu que o papel que Michael desempenhava era o de uma “figura paterna” tanto para Gavin como para Star e Davellin. Ela disse que Jackson “sabia que os três precisavam dele”, especialmente desde que seu pai, David Arvizo, maltratava a família. Janet afirmou que o papel de David foi para “se certificar de que parecia ser um bom pai”, mas insistiu que ele, de fato, tinha causado muitos danos à elas e às crianças durante anos.
Janet queria que o detetive soubesse que ela e David estavam separados judicialmente, aguardando o divórcio, e afirmou que o ex-marido fora preso por violência doméstica em outubro de 2001. Janet afirmou que David Arvizo se declarou culpado das acusações e que, após a realização de uma investigação, “os investigadores viram que David fizera muito mais crimes não apenas à ela, mas também contra as crianças”.
Janet disse que David Arvizo enfrentou 9 acusações criminais, incluindo “abuso infantil” e “ameaças terroristas”. Ela alegou que todos os seus três filhos haviam sido agredidos por ele. Em certo momento da gravação, Gavin tomou a palavra, alegando que seu pai o batia mesmo durante o seu tratamento contra o câncer, até mesmo após a cirurgia. Star Arvizo disse à Miller que David tinha chutado sua cabeça, certa vez. Na fita, Davellin alegou que, uma vez, David quebrou seu cóccix.
Foi triste. Enquanto as crianças Arvizos faziam suas alegações, elas contavam sobre como David as jogava contra a parede, arrancava chumaços de cabelo de Janet – havia muita violência doméstica. Janet disse à Miller que tinha conseguido uma medida cautelar para que David se mantivesse longe dela, de seus filhos e até de seu cachorro, Rocky, que também teria sofrido agressões físicas de David, segundo Janet. A Sra. Arvizo também falou que qualquer coisa que ela e seus filhos gostassem, David tirava.
David Arvizo, funcionário do Vons Supermarkets, da Safeway Company, nasceu em 20 de setembro de 1966. Janet foi casada com ele por 17 anos, e disse que na maioria deste tempo, ela rezava para “ser liberta deste mal”. Ela disse ao investigador que quando Michael Jackson surgiu em sua vida, ele era “uma pessoa doce, gentil e amorosa”, e que ela sentiu que ele também sabia que ela “teria que se libertar de David”.
Janet falou que seu futuro ex-marido se encontrou com Michael inúmeras vezes e que, inicialmente, acompanhou a família nos passeios à Neverland. De acordo com Janet, no princípio, quando as coisas ainda iam bem em seu casamento, David testemunhara uma “bela história sobre Michael e David” ser filmada por razões de Neverland.
O filme no qual Janet estava se referindo era um rápido vídeo de Michael passeando com Gavin por Neverland. Mais tarde, o júri assistiu ao vídeo e viu o pequeno e frágil corpo do garoto, bem mais fraco que seu irmão, Star, que tinha que levá-lo numa cadeira de rodas. O garoto parecia estar prestes a chorar. No filme, a câmera seguia os três – Michael, Gavin e Star. Michael segurava um guarda-chuva preto para se proteger do sol e sua música, I‟ll Be There, ia tocando ao fundo.
“If you should ever find someone new… I hope that he‟ll be good to you… „Cause if he doesn‟t I‟ll be there…”.
Era comovente assistir aos três se movimentarem em silêncio perto de uma bela lagoa, sob os gigantes carvalhos, com a voz angelical de Michael penetrando no coração de toda e qualquer pessoa que visse aquela cena.
“I‟ll be there… Just call my name… And I‟ll be there”.
Enquanto o vídeo era exibido aos jurados, todos estavam vidrados na imagem de Michael ao lado daquela frágil e jovem criança numa cadeira de rodas. Muitas pessoas assistiam àquilo com os olhos marejados e todos os presentes no tribunal puderam sentir um nó na garganta.
Mas a felicidade de Gavin em Neverland não era assim tão simples, tão fácil quanto a comovente canção de Michael fazia parecer. Janet diria à Brad Miller na gravação que David Arvizo tinha seus planos à respeito de quem poderia ser amigo de Michael em Neverland. Ela afirmou que David já não permitia que ela visitasse o rancho porque tinha medo que “contasse ao Michael tudo o que as crianças estavam passando”. Janet disse que tinha medo de David e de suas “maneiras demoníacas”, e desejou que Michael pudesse protegê-la.
Janet também descreveu uma visita particular em Neverland, quando ela e Michael estavam dançando, se divertindo e que, depois, David ficou com muita raiva e a espancou de tão forma que Michael nunca mais a viu durante o resto daquela visita. Ela descreveu Jackson como um “homem de família”, alguém que iria proteger a ela e seus filhos. Cada uma das crianças contou à Miller que consideravam Michael “como um pai”. Elas disseram que ele as tinha dado segurança, amor e tentava fazê-las “tão felizes quanto possível”, porque não queria que o câncer de Gavin voltasse.
Na fita, Gavin disse à Miller que tinha ido à Neverland com David por “mais de 10 vezes” e explicou que, a cada visita – durante as quais David ainda lutava contra o câncer – eles passavam a noite lá. Às vezes, Gavin ficava na casa de hóspedes com o pai, mas disse que se sentia mais seguro com Michael e, por isso, preferia ficar na casa principal, mais especificamente no quarto de Michael. Em mais de uma ocasião, Gavin fala, ele e seu irmão dormiram na cama de Jackson. Às vezes, o cantor dormia no chão, e outras, os três dormiam juntos – Michael, Gavin e Star.
Gavin insistiu que Michael nunca agiu inadequadamente com ele, e disse diversas vezes que pensava nele “como um pai”. De acordo com o garoto, Michael queria ter certeza de que o câncer iria desaparecer e nunca mais voltar. Gavin ainda falou que Michael o amava muito. O menino contou ao investigador que Jackson fazia tudo o que podia para vê-lo feliz. Michael não queria que Gavin receasse o câncer.
Todas as três crianças contaram à Miller que Michael tinha sido nada além de “bom” e “gentil” com eles. Quanto à Janet, ela insistiu que era muito “sensível a qualquer coisinha” e que continuou com Gavin. Ela disse ao investigador que sempre foi muito protetora com seus filhos e não tinha nenhuma apreensão de deixá-los na companhia de Michael.
Janet abria seu coração, assegurando à Miller que ela e seus filhos nunca tinham conhecido nada além de negligência e rejeição até que Michael apareceu. “Temos sido rejeitados, negligenciados, pisados, abusados, tendo portas fechadas nas nossas caras, oportunidades perdidas”, ela insistia, “E Michael nos tirou dessa situação, nos levou pra frente e disse: „Você é importante pra mim. Você pode não ser importante para algumas pessoas, mas é importante para mim‟”.
Janet ainda comentou sobre a mídia batendo em sua porta a partir do momento em que o documentário de Bashir foi exibido, mencionando as ligações que recebeu de jornais, revistas e programas de todo o mundo, “Você fala nele, e todo mundo te liga”.
Ela também contou ao detetive que ela e seus filhos não tinham histórias pra vender para a imprensa, que tudo o que a mídia estava tentando comprar simplesmente não existia. A relação entre Michael Jackson e seus filhos era pura e inocente.
Janet disse que Michael orava junto com ela e seus filhos, que ele tinha conversado sobre Deus com as crianças. Janet Arvizo estava irritada porque, depois do documentário de Bashir, tudo estava sendo distorcido pelas pessoas da mídia, que não paravam de bombardear seu apartamento, a casa de seus pais em El Monte, oferecendo carros e dinheiro, desesperadas para obterem uma declaração ou uma foto de alguém da família.
Janet não entendia como os repórteres conseguiam ser tão insensíveis. Ela se ressentia com todas aquelas ligações feitas aos seus primos e outros parentes distantes. Ela odiava as tentativas da mídia de “conseguir uma estória” de qualquer jeito.
Gavin, por sua vez, ficava muito triste em ser ridicularizado na escola e em seu bairro. O garoto contou ao detetive Miller que depois da exibição do documentário de Bashir, ele foi ferido por todas aquelas alegações públicas e por todo o barulho que tinha sido feito a partir de um comentário seu sobre dividir a cama com Michael Jackson. Gavin disse que estava irritado com as crescentes acusações, e que ficava ainda mais indignado com os últimos rumores, que eram um bando de mentiras.
“Eles me chamam de homossexual”, Gavin dissera, “Eles dizem que estou mentindo e que sequer tive câncer. Qual é! Eu sofri durante todo aquele ano, passei por uma quimioterapia de doses de adulto. Quimioterapia é tóxico. Doi. Eu vomitava muito, eu vomitava ácido, vomitava sangue. E os repórteres e toda aquela gente simplesmente diziam que isso nunca tinha acontecido”.
Para Gavin, a reação ao documentário de Bashir foi mais do que perturbadora. Foi frustrante e maldosa. O garoto também disse que teve pena por a mídia estar fazendo aquilo com ele, e se sentiu arrependido por ter causado aquilo ao Michael. Janet ficou igualmente perturbada, principalmente porque seus pais estavam sendo perseguidos em seu próprio quintal todos os dias.
“Meus pais são confiáveis. Eles são firmes em suas virtudes”, contou Janet à Miller. “Eles vêem o quão importante Michael é pra mim e o impacto que ele teve na minha vida e na vida de Gavin, Star e Davellin, e não há nenhuma quantia em dinheiro que nos faça vender [uma estória], porque o que há de mais importante neste mundo é o amor. Tudo começa com o amor, tudo se colore com o amor, e tudo termina com amor”.
Estas foram as palavras vindas da boca de Janet e suas crianças na noite de domingo, 16 de fevereiro de 2003. E foi nesta mesma noite, antes de a gravação terminar, que os Arvizos juraram, sob pena de perjúrio, sob a Lei do Estado da Califórnia, que tudo o que tinham dito sobre Michael Jackson naquela entrevista era verdade.

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Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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