Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap-15

“WE ARE HERE TO CHANGE THE WORLD”

“ESTAMOS AQUI PARA MUDAR O MUNDO”

Enquanto o julgamento se tornava uma verdadeira guerra, a luta a respeito da permissão do testemunho sobre as acusações do passado contra Michael Jackson se tornou uma questão jurídica, em que os especialistas não conseguiam entrar em acordo. As regras pareciam um tanto amplas, e uma audiência especial foi realizada sem a presença dos jurados. A equipe de defesa argumentou que as alegações passadas contra Michael eram irrelevantes, que os antigos acusadores não tinham credibilidade.
Mas a promotoria queria que o juiz deixasse o testemunho entrar no julgamento como uma disposição “similar de má conduta”. Se o  determinasse que as antigas alegações tinham relevância para as acusações atuais, poderia ser permitido o testemunho de seu valor probatório. A equipe de defesa de Jackson ficou indignada com aquela manobra da promotoria, argumentando que qualquer acusação passada somente seria usada para constranger e humilhar Michael Jackson.
Especialistas jurídicos acreditavam que se as antigas acusações de má conduta fossem introduzidas no caso, o júri poderia decidir o foco dessas tais alegações e, portanto, ignorar algumas das “imprecisões” do testemunho de . A equipe de defesa afirmou repetidamente que as alegações feitas pelo acusador de Jackson em 1993 foram motivadas pelo acordo financeiro desejado pela família Chandler, e lutou veementemente para desconsiderar as alegações de Jordie Chandler, insistindo que o garoto – que aparentemente provocou um acordo de 20 milhões de dólares para a família – apresentou uma história cheia de buracos.
Fora da Corte, o empresário de longa data de Jackson, Frank Dileo, afirmaria que Michael havia prometido à Jordie Chandler uma carreira cinematográfica, dizendo aos membros da imprensa que, quando a carreira do rapaz não se materializou, as acusações de abuso sexual de repente surgiram. Houve alegações de que os próprios Chandlers tinham admitido que queriam dinheiro, houve alegações de que os Chandlers queriam que Jackson os lançasse para a fama, mas ninguém da mídia relatou isso.
Na frente do Juiz Melville, Tom Mesereau não só argumentou contra a validade da história da família Chandler, como também argumentou contra a validade das alegações feitas pelos acusadores anteriores de Michael, prometendo ter evidências suficientes para tirar o crédito de cada um deles. O advogado de defesa disse à Melville que “os promotores estão tentando sustentar um caso fraco”, trazendo meninos cujas histórias estavam “cheias de problemas”. Mesereau afirmou que as testemunhas que a promotoria pretendia convocar sobre os alegados atos passados tinham sido envolvidas em suas próprias ações civis contra Michael e eram pessoas “armadas para lutar”.
“Por que permitir que venham funcionários descontentes que já perderam em suas ações judiciais?”, Mesereau disse sobre o testemunho de terceiros sobre aqueles alegados atos. Mas seus argumentos caíram em ouvidos surdos.
No fim da audiência especial, o juiz Rodney Melville decidiu em favor da acusação, tomando a decisão de permitir a apresentação de testemunhos sobre alegados atos sexuais passados – não apenas dos acusadores como também de ex-funcionários de Neverland que afirmavam ter presenciado certos atos.
Isso foi considerado uma “vitória” importante para a promotoria. O Juiz Melville decidiu que permitiria que o júri de Santa Maria ouvisse o testemunho acerca de amizades do passado de Michael com outros cinco meninos, e nesta lista estava incluindo o ator Macaulay Culkin.
Mas Macaulay Culkin, juntamente com outros dois garotos que foram nomeados, acabaria por colaborar com a defesa, negando qualquer atitude errada por Michael Jackson. A única pessoa da lista que concordou em cooperar com a promotoria foi Jason Francia, o filho de uma ex-camareira de Jackson, que tinha sido o destinatário de um acordo de 2 milhões de dólares pelo pop star supostamente ter feito “cócegas” nele.
Quanto à Jordie Chandler, o jovem não quis testemunhar, e parecia que a promotoria não conseguiu localizá-lo. De acordo com fontes internas, Sneddon não pôde forçá-lo a assumir a cadeira das testemunhas. Em vez da presença de Jordie, já que o testemunho de terceiros fora permitido, a acusação ofereceu o depoimento de sua mãe,June Chandler, uma decisão que os especialistas jurídicos acharam que seria “devastadora” para a defesa.
A maioria dos comentaristas da TV previu que a decisão de permitir as anteriores alegações de abuso sexual seria um retrocesso enorme para a defesa, um dos quais não poderiam se recuperar. Ansiosamente, Tom Sneddon anunciou que começaria a apresentar testemunhas das acusações passadas dentro de duas semanas, e os jornalistas prometiam aos telespectadores que seria permitido ao júri de Santa Maria ouvir o depoimento de cerca de 5 rapazes os quais o promotor alegou terem sido “preparados” ou molestados por Jackson.
Foi curioso ninguém da mídia ter especulado sobre a estratégia da equipe de defesa em relação a estas acusações do passado. Mesereau estava sistematicamente desenvolvendo uma lista de testemunhas para mostrar que os dois garotos que aceitaram dinheiro de Michael – Jordie Chandler e Jason Francia – tinham interesses financeiros e haviam contratado advogados para entrarem com processos civis. No caso de Jason Francia, a própria mãe do garoto admitiu ter vendido a história do filho para os tabloides.
Para a imprensa, Tom Mesereau uma vez afirmou que a única razão pela qual o Sr. Jackson tinha resolvido as duas acusações anteriores feitas contra ele era a de que seus sócios o aconselharam a “pagar o dinheiro ao invés de enfrentar acusações falsas”. O advogado de defesa disse à imprensa que Michael Jackson “agora se arrepende de ter feito aqueles pagamentos e percebe que os conselhos que recebeu foram totalmente errados”.
Fora da presença do júri, Mesereau confidenciaria que, na época das acusações de Chandler, bilhões de dólares estavam em jogo para todos em volta da “máquina Jackson”.
Para uma pessoa comum, 20 milhões de dólares pode parecer uma quantia absurda, talvez um valor obsceno para ser pago a alguém que estava tentando extorquir dinheiro de acordo com a contra-exigência de Jackson. Mas, para o pop star – que, na época, estava estimado em cerca de 700 milhões de dólares, que tinha dezenas de corporações o patrocinando, incluindo a Sony, a FOX e a Pepsi – 20 milhões de dólares não pareciam muita coisa. As empresas que cercavam Jackson queriam manter seu nome limpo. Afinal, ele era o maior artista do mundo.
Com o avanço muito rápido do caso, a promotoria chamou ao banco das testemunhas o comediante e astro da TV, George Lopez. Lopez estava lá para falar sobre seu relacionamento com a família Arvizo, com quem tinha formado um vínculo nos dias em que Gavin foi diagnosticado com câncer, nos dias em que as crianças Arvizo estavam envolvidas com o clube de comédia Laugh Factory.
Vestido de forma conservadora num terno azul escuro, usando uma camisa branca engomada com uma gravata listrada, o astro da TV contou aos jurados que ele e sua esposa tentaram organizar eventos beneficentes em nome de Gavin e disse que eles visitaram o garoto no hospital em diversas ocasiões. Enquanto George Lopez começava a explicar a natureza de seu relacionamento com os Arvizos, parecia que o comediante estava “puxando sardinha” para a pobre família latina. Lopez certamente estava fazendo uma cena pra eles, tentando mostrar por que ele tinha simpatizado tanto com aquelas pessoas.
Na Corte, apesar de Jackson se esconder atrás de seus óculos, o pop star ouvia atentamente o comediante. Michael estava estudando George Lopez, talvez se perguntando como Lopez, que estava sentado logo à sua frente, tinha se tornado a primeira pessoa famosa a ser atraída pela família Arvizo. De certa forma, fora George Lopez quem conduziu os Arvizos ao longo de um caminho que acabou terminando em Neverland.
Jackson tentou demonstrar pouca emoção, mas era óbvio que ele estava interessado em saber sobre a experiência de Lopez. O pop star permanecia imóvel, como se estivesse observando o testemunho de longe, mas, na realidade, ele estava pendurando cada palavra.
Enquanto se dirigia ao júri, o Sr. Lopez falou num tom agradável, com um brilhante sorriso no rosto. O comediante parecia gostar dos Arvizos, e falou sobre o “clube de comédia” no Laugh Factory, descrevendo um programa para crianças carentes. Lopez explicou que a participação no acampamento de comédia Laugh Factory foi uma chance de orientar crianças que estavam “em risco”.
George Lopez disse ao júri que ele começou a se envolver com o clube de comédia em 1999, quando conheceu as crianças Arvizo e, num primeiro momento, Lopez não tinha nada além de coisas boas a dizer sobre a família. Ele descreveu os três jovens como sendo “boas crianças” e mencionou que a mãe, Janet, parecia ser muito ativa no crescimento e desenvolvimento dos filhos. Ele a considerou uma mãe dedicada e ficou impressionado ao saber que ela se dispunha a pegar o ônibus do Leste de Los Angeles para que seus filhos pudessem ter a chance de trabalhar com um talento da TV.
Lopez tinha uma grande opinião sobre as três crianças Arvizo, a quem ele chamou de “destemidas”. Ele gostou do fato de que eles conseguiam tirar sarro de sua própria pobreza como uma forma de descobrir o humor. Aparentemente, usar a pobreza como uma maneira de criar humor era uma característica que o próprio Lopez havia adotado em sua vida.
George Lopez, a estrela de seu próprio programa de TV na rede de canais ABC, testemunhou que fora comediante de stand-up comedy por mais de 25 anos e que tinha se apresentado no Laugh Factory na Sunset Boulevard por mais de 15 anos. Ele descreveu seu relacionamento com o dono do clube de comédia, Jamie Masada, como uma amizade, e ele respeitava Masada pelo seu interesse por crianças carentes, por fazer seu popular clube disponível para essas crianças durante o dia – permitindo que crianças carentes estudassem comédia com profissionais sem terem que pagar um centavo.
Lopez lembrou que Jamie Masada havia lhe telefonado para contar sobre “uma família latina especial”, que era desfavorecida, que havia pedido para trabalhar com Lopez especificamente. O comediante disse que trabalhou com Davellin, Star e Gavin Arvizo no outono de 1999, se encontrando com eles em sessões de duas horas ao longo de um período de cerca de 7 semanas.
O comediante contou ao júri que aproximadamente 6 semanas depois de o programa de comédia ter terminado, Janet Arvizo ligou para seu celular e estava “completamente perturbada” a respeito da condição de seu filho. Janet estava chorando, porque Gavin tinha sido diagnosticado com um câncer desconhecido. Quando descobriu o quão doente Gavin estava, que o garoto estava lutando para viver, Lopez foi visitá-lo no hospital e encontrou o menino “em condições terríveis”.
Durante sua visita no hospital, Lopez encontrou o pai de Gavin, David, pela primeira vez. Lopez disse que ele e sua esposa tinham ido visitar Gavin no hospital em inúmeras ocasiões e que também visitara o garoto na casa de seus avós em El Monte, a qual Lopez descreveu como uma “casa tratada”, uma típica casa de família de classe baixa, com capas de plástico sobre as mobílias e carpetes de plástico no chão – um lugar que lhe lembrava sua própria casa durante a infância. George Lopez recordou que esta modesta casa era arrumada e limpa, e falou sobre um quarto especial que havia sido preparado para Gavin – um ambiente esterilizado no qual Lopez disse que tinha “que vestir um roupão” para entrar.
Enquanto George Lopez continuava respondendo às perguntas do promotor, o comediante tentou deixar bem claro que estava muito feliz por ajudar os Arvizos e disse que Janet nunca lhe pedira dinheiro. Lopez testemunhou que não tinha certeza sobre o que Janet fazia para viver. Ele pensava que ela era garçonete. No entanto, conforme seu depoimento se tornava mais detalhado, percebia-se que o comediante não sabia mesmo muita coisa sobre Janet Arvizo no todo, que seu relacionamento com ela tinha se limitado a algumas breves conversas no Laugh Factory. Lopez parecia achar que Janet era uma boa mulher, mas ele não pôde basear sua opinião em nada específico.
Durante o interrogatório, o comediante contou ao júri que em fevereiro e março de 2000, quando Gavin estava muito doente, Lopez e sua esposa foram diversas vezes ao hospital para visitar o Gavin e David Arvizo. Quando questionado sobre os detalhes, o comediante tentou manter a calma, mas os observadores do tribunal podiam ver que Lopez estava ficando um tanto desconfortável com a linha de questionamento. Quando foi convidado a dizer ao júri sobre as preocupações de David em relação ao dinheiro, Lopez falou que o Sr. Arvizo “mostrou que ele estava precisando de dinheiro”.
“Você achou estranho o fato de nunca ter visto Janet no hospital?”, Mesereau perguntou.
“Bem, você sabe, eu sabia que ela era garçonete, ou assim eu pensava…”, disse Lopez, “Eu não estava lá o tempo todo, mas a cada visita que fazia, ela não estava lá, então, apenas pensei que ela estava trabalhando”.
“Você não sabia realmente se ela estava trabalhando, não é?”
“Não sei…”
“Ok. E você deve ter pensado que ela era garçonete, mas não sabia realmente onde ela estava trabalhando, certo?”
“Ela nunca me serviu”, disse Lopez, sorrindo para os jurados.
“Ok, ok. Agora, o quão agressivo David foi ao pedir dinheiro?”, Mesereau questionou.
“Sabe, foi muito agressivo”, Lopez contou, “Quando você está conversando com alguém e o assunto sempre aparece, sabe, você meio que tenta escapar disso. Toda vez que nos falávamos, era sempre… Era realmente sobre dinheiro”.
“E ele sempre dizia que não tinha como pagar as contas da família, certo?”, Mesereau perguntou.
“Isso mesmo.”
“E você dava a ele uma pequena quantidade que tinha no seu bolso no momento?”
“Sim. Eu tinha uma pequena quantidade no momento.”
“E ele sempre queria dinheiro, não?”
“Ele queria, sim.”, Lopez disse ao júri. “Eu literalmente dava ao cara tudo o que eu tinha na minha carteira e falava que daria mais depois.”
Lopez falou que regularmente dava à David Arvizo uma quantia de 40 dólares, pacotes de dinheiro em pequenas quantidades de até 80 dólares. Ele testemunhou que foi convidado por David Arvizo para participar de uma arrecadação de fundos para Gavin, que seria realizada no Ice House, um clube de comédia em Pasadena, e contou que ficou mais do que feliz em assumir o projeto. No entanto, quando percebeu que o evento beneficente “não era mais por Gavin”, George Lopez disse aos jurados que começou a mudar de ideia.
“Não era por causa de Gavin e nem pelo que Gavin estava sentindo”, Lopez testemunhou, “Não era por dinheiro pro Gavin. Me pareceu que David Arvizo estava mais interessado no dinheiro do que no bem estar de seu filho.”
George Lopez falou que, por David Arvizo ter dito que sua família não tinha plano de saúde (mais tarde, foi provado que isso era mentira) nem dinheiro para pagar as contas médicas, o comediante concordou em organizar uma arrecadação de fundos, planejando usar seu programa de rádio para atrair uma multidão. Lopez recordou que, quando se atrasou para chamar outros artistas, percebeu que David Arvizo de repente ficou “bastante agressivo” sobre a programação do evento, perguntando sobre quanto dinheiro Lopez achava que poderia conseguir.
“Em algum momento, você achou que David estava extremamente preocupado com dinheiro, verdade?”, Mesereau perguntou.
“Sim.”
“Porque, quando você visitou o quarto em El Monte, ele te mostrou o quarto com DVD e todo o resto, correto?”
“Isso mesmo”, disse Lopez.
“Você sabia quem pagou pela reforma do quarto?”
“Não.”
“Ok. O David nunca falou sobre como o quarto ficou tão legal?”, perguntou Mesereau.
“Não. A minha hipótese era a de que Jamie Masada tinha arranjado tudo aquilo.”
“Agora, você disse aos xerifes, Sr. Lopez, que pensava que David Arvizo estava particularmente apaixonado pela televisão e pelo Nintendo, correto?”
“Sim.”
“Você disse que notou isso, em certo grau, nas crianças também, correto?”
“Sim.”
“Ok. E você contou aos xerifes que tudo que David se interessava era por dinheiro, certo?”
“Sim.”
George Lopez testemunhou com integridade e graça, às vezes, sendo divertido e, na maioria do tempo, sincero. O comediante disse ao júri que, em 2000, ele morava numa casa em Sherman Oaks, e falou que quando descobriu que o câncer de Gavin estava entrando em remissão, ele convidou a família Arvizo para passar uma tarde com ele em sua casa.
Lopez lembrou que ele tinha dirigido até El Monte para pegar David, Gavin e Star, e os levou pra sua casa “para que os garotos pudessem brincar um pouco no quintal”. Lopez disse que levou os meninos ao Pizza Hut, ao shopping, e mais tarde, os deixou em El Monte.
O comediante declarou que Gavin parecia frágil naquela época, mas também parecia mais agitado do que costumava ser no passado. Ele disse que sentiu o comportamento de Gavin um tanto incomum quando eles estavam no shopping, explicando que o garoto apontava para todos os tipos de itens e pedia “tudo” o que via pela frente. George Lopez achou estranho David Arvizo ter ficado “visivelmente de lado” enquanto seu filho pedia à Lopez que comprasse presentes bem caros. O comediante achou estranho o fato de David Arvizo não ter falado nada para tentar parar o comportamento de Gavin.
Lopez falou que, quando chegou em casa mais tarde, depois de ter deixado os Arvizos em El Monte, ele deu uma olhada em sua sala de estar, um lugar que o comediante carinhosamente descreveu como “uma sala muito popular entre os mexicanos – uma sala em que ninguém pode se sentar, onde tudo permanece intacto”. Lopez disse ao júri que, após voltar pra casa, ele olhou para a capa que ficava em cima da lareira e viu que tinha uma carteira lá, uma carteira que não pertencia a ele; George a pegou e encontrou a carteira de identidade de Gavin e uma nota de 50 dólares.
Enquanto segurava a carteira, George chamou sua esposa, Ann, e, então, lhe entregou a carteira. Lopez falou que ligou imediatamente para Gavin pra contar ao menino que tinha achado sua carteira, e planejou deixá-la no Laugh Factory, onde os Arvizos poderiam pegá-la com o dono do clube, Jamie Masada.
Tom Mesereau queria um relato mais detalhado sobre o comportamento dos Arvizos durante aquela ocasião, e George Lopez foi convidado a falar sobre detalhes específicos daquele dia “de compras” com os garotos. Para o júri, Lopez descreveu suas aventuras com os Arvizos em San Fernando Valley, culminando com o misterioso aparecimento da carteira de Gavin em sua casa.
“Você disse aos xerifes que David parecia intencionalmente distante e não fez nenhum esforço para dar um basta nos pedidos de Gavin?”, Mesereau perguntou, referindo-se à farra de compras.
“Verdade.”
“Você achou estranho, certo?”
“Parecia estranho.”
“Você os levou pra almoçar naquele dia?”
“Sim, senhor.”
“E você os levou pra almoçar em qualquer outro dia?”
“Não.”
“Tudo bem. Então, onde você encontrou a carteira?”, questionou Mesereau.
“A carteira estava no manto da lareira da minha casa. Era a única coisa que estava em cima da lareira”, disse Lopez.
“E quando você a encontrou, pensou em como a carteira foi parar lá?”
“Sabe, nunca entendi como ela chegou lá”, Lopez falou, “Porque ninguém ficava naquela sala, então, parecia meio estranho uma carteira ter aparecido bem em cima daquela… Em cima da lareira”.
“E quão alta era a lareira?”
“Sabe, à altura do ombro.”
“Mais alta que Gavin, correto?”
“Naquela época… Talvez.”
“Então, pareceu estranho pra você o fato de uma carteira ter, de repente, aparecido lá?”
“Bem, se tratando daquela sala, sim. Realmente, nada deveria ter nada incomum naquele cômodo.”
“Você viu Gavin ou o David naquela sala?”
“Não.”
George Lopez contou ao júri que, alguns dias depois, ele descobriu que David Arvizo afirmou a Jamie Masada que havia uma quantia de 350 dólares na carteira de Gavin. O comediante disse que, quando David foi pegar a carteira com Masada, o pai Arvizo sugeriu à Jamie que George Lopez tinha “perdido” de alguma forma 300 dólares da carteira de Gavin.
Foi uma acusação que não agradou em nada à Lopez, especialmente quando ele descobriu que Jamie Masada deu 300 dólares para repor o dinheiro perdido sem nunca ter consultado o comediante sobre isso. Lopez disse que se queixou a Mesada sobre repor um dinheiro “supostamente” perdido, mas Jamie Masada insistiu que só queria ficar bem com os Arvizos.
Enquanto o comediante contava a história, as orelhas dos jurados se animaram. Embora o apresentador estivesse tentando minimizar o estranho comportamento dos Arvizos, para os observadores do tribunal, o clã Arvizo estava começando a parecer uma família de farsantes. As intenções deles pareceram ainda piores quando Lopez descreveu as ligações constantes de David Arvizo, afirmando que David estava lhe perseguindo, lhe pressionando agressivamente, tentando organizar o tal evento beneficente.
Lopez disse ao júri que David ligou muitas vezes para a rádio onde ele trabalhava, sempre perguntando sobre dinheiro. As ligações eram tão insistentes que Lopez começou a pensar que talvez o evento de arrecadação de fundos devesse ser cancelado. George Lopez explicou que sua esposa, Ann, havia participado de uma doação de sangue no Laugh Factory em prol de Gavin, e disse que, durante meses, ele ainda estava disposto a ajudar o menino – até que aconteceu um incidente num estacionamento que o fez “chegar ao limite”.
O comediante descreveu uma noite de maio de 2000, recordando que David Arvizo estava o esperando no lado de fora de um restaurante onde o comediante se apresentava. Lopez testemunhou que, quando saiu para o estacionamento às 10 horas daquela noite, David o aguardava, e começou a ficar com raiva e excessivamente agressivo sobre o assunto do evento beneficente. Lopez disse ao júri que os dois “trocaram palavras” naquele momento e que, após a breve conversa, o comediante não quis ver David Arvizo nunca mais.
Lopez contou que chamou David Arvizo de “chantagista” na sua cara e fez uma piadinha sobre ter usado uma “palavra bem grande”. Mas ninguém no tribunal riu.
Enquanto Tom Mesereau ainda o interrogava, George descreveu ter sido ostensivamente perseguido pelo “pai Arvizo” por causa de dinheiro. Quando o comediante descobriu que David tinha ligado para sua casa e discutido com sua esposa, Ann, a chamando de “uma puta de merda” e outros nomes feios, ele simplesmente cortou os laços com o resto dos Arvizos também.

Para o júri, George Lopez reafirmou que trocara “acaloradas palavras” com David Arvizo, que fizera de tudo para fazer com que o comediante se sentisse culpado por não ajudar Gavin. Ele mencionou que, seis meses após ter cortado todos os laços com os Arvizos, Janet se aproximou dele de alguma maneira, talvez através de Jamie Masada, e lhe enviou um chaveiro de metal com uma semente de mostarda pendurada. Lopez sabia que o chaveiro era uma forma de “agradecimento” de Janet, mas, à essa altura, ele realmente não foi tocado por esse gesto.
Para Mesereau, George Lopez descreveu a família Arvizo como sendo “apaixonada” por Michael Jackson. O comediante lembrou que David Arvizo se gabava de suas visitas ao rancho Neverland, e falou que David começou a agir de modo estranho após sua família ter estabelecido uma amizade com Jackson.
“Em algum momento, David começou a se gabar sobre ter ido à Neverland, não foi?”, Mesereau perguntou.
“Sim.”, George respondeu.
“E você achou que a atitude dele mudou, correto?”
“Sim.”
“Você achou que ele começou a ficar meio arrogante, ou esnobe… Seria essa a palavra certa?”
“Enamorado”, disse Lopez.
“‟Enamorado‟. É assim que você descreve a atitude de David depois de ele ter te dito que a família tinha ido à Neverland, certo?”
“Certo.”
“Ok. E você o descreveu aos xerifes como “apaixonado” por sua nova amizade com Michael Jackson, correto?”
“Sim.”
Antes de o comediante terminar seu testemunho, as pessoas se perguntavam por que Michael Jackson não enxergou as verdadeiras intenções dessa família. Claramente, Lopez havia decidido que eles eram “más notícias”, mas Jackson não notara nada de estranho neles. Enquanto deixava a sala, Lopez olhou para Michael e fez um esforço pra sorrir para o pop star
Mas Jackson não achou graça.
Depois de presenciar o testemunho de George Lopez, o Rei do Pop parecia estar percebendo que, de todas as pessoas, ele deveria ter tido algum tipo de rede de segurança, deveria ter tido algum “processo de seleção” que o protegesse de pilantras. Jackson, de alguma forma, foi levado a crer que várias estrelas de TV e cinema adotaram essa pobre e oprimida família latina que, em certo nível, era verdade.
No entanto, ninguém do Laugh Factory tinha informado a Jackson sobre qualquer um dos problemas ou das “preocupações” em relação aos Arvizos.

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Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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