Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap-16

DON‟T STOP „TIL YOU GET ENOUGH

“NÃO PARE ATÉ CONSEGUIR O SUFICIENTE”

No Dia da Mentira, em meio à uma atmosfera melancólica e sinais de que o julgamento não estava indo muito bem, a mídia presente no lado de fora da Corte entrevista os fãs de Michael, que pareciam confusos sobre o que o futuro reservava para o pop star. Muitos estavam irritados sobre o fato de acusadores do passado iriam participar do julgamento, certos de que o testemunho de antigas alegações criaria mais prejuízos desnecessários à Jackson.
Os fãs estavam furiosos. Eles sentiam que Michael estava sendo o alvo do tribunal, que estava sendo tratado injustamente. Cansados de vê-lo sendo humilhado pela imprensa todos os dias, alguns fãs de Michael Jackson temiam que o pop star fosse desgastado. Muitos estavam convencidos de que uma sentença de prisão seria o fim do Rei do Pop.
As pessoas se tornaram melodramáticas. Especulavam que, se condenado, Michael morreria numa cela de prisão. Tom Mesereau também concordava com esse pressentimento, mais tarde, ele confidenciou que tinha tratado o julgamento como um caso de pena de morte. Mesereau sentia fortemente que Jackson acabaria morte, se fosse jogado na prisão.
Os milhares de defensores de Michael que viajavam para Santa Maria sentiam que eram uma parte necessária da luta de Jackson. Mesmo que a grande mídia tendesse a ignorá-los, tendesse a tentar diminuir seu significado, os fãs sabiam que tinham um lugar de direito. Os fãs tinham certeza de que suas vozes eram ouvidas, e continuaram afirmando a inocência de Michael. Alguns deles estavam convencidos de uma conspiração – e apontavam seus dedos para a Sony.
A cada dia, na presença de Michael, alguns fãs choravam, outros, cantavam. As pessoas queriam dizer à Jackson que o amavam, que queriam estar perto dele de qualquer maneira possível. Os fãs acordavam muito cedo e iam para frente do tribunal às 6 da manhã, esperando no frio, na chuva – o que fosse preciso – para conseguir um assento público dentro da Corte.
Os fãs que tinham a sorte de entrar sempre se interessavam em ouvir como a mídia relatava as coisas. As testemunhas diziam algo, e a imprensa narrava apenas partes do que elas diziam, partes estas que não ajudavam Jackson em nada. Os fãs ficaram impressionados com o sistema americano de justiça, mas, mais do que tudo, eles odiavam os meios de comunicação e sentiam, com razão, que estes haviam se aliado à Promotoria.
Foi em 1º de Abril que uma importante peça do quebra-cabeça seria revelada. O acordo de 20 milhões de dólares de Jordie Chandler seria analisado minuciosamente, enquanto o importante advogado, tomava a cadeira das testemunhas para prestar o seu depoimento. Para as pessoas presentes no tribunal, Feldman parecia um semideus. O homem tinha um palpável ar de superioridade. Impecavelmente vestido, de postura reta, com um olhar de dinheiro escorrendo de cada bolso, Feldman foi convidado a dizer ao júri sobre sua preparação acadêmica, salientando que ele tinha sido o número um em sua turma no Loyola Law School [Faculdade de Direito de Loyola] e que exercia a profissão desde 1969.
Larry Feldman trabalhou num escritório de advocacia em Los Angeles que abrigava 600 advogados e tinha escritórios em diversos pontos –, Xangai, Washington DC, Chicago – a lista era longa. Feldman fora um advogado especialista em julgamentos durante toda a sua vida, e alegou que se tornara sócio sênior do escritório de advocacia em que tinha entrado logo após concluir sua faculdade de direito; ele falou que tinha representado trabalhadores federais feridos, sindicatos e uma ampla gama de pessoas – incluindo advogados acusados de negligência.
Quando Sneddon pediu ao advogado para falar mais especificamente sobre sua vasta gama de clientes, Feldman disse que não queria parecer “convencido”. Larry Feldman tinha tratado de tudo, desde processos contra grupos de rock até ações de defesa de empresas petrolíferas, mas o único nome mencionado foi o de Johnnie Cochran [advogado de Jackson]. Não se pôde deixar de perguntar por que Sneddon escolheu esse nome em particular. Talvez ele esperasse apresentar Feldman como advogado do advogado. Talvez ele estivesse jogando a carta da raça. Talvez tenha sido um pouco dos dois.
Para responder à pergunta de Sneddon, Feldman declarou que representou Johnnie Cochran numa questão legal durante 10 anos – desde o dia em que Johnnie se envolveu no julgamento de O.J. Simpson até janeiro de 2004. Então, enquanto uma lista de suas credenciais era apresentada ao júri, Feldman confirmou que ele era um “Membro da Academia Americana de Advogados”, uma distinção limitada a 1% de todos os advogados dos Estados Unidos. Ele contou aos jurados que foi convidado para a “Academia Internacional de Advogados Especialistas em Julgamento”, uma organização que era, teoricamente, composta pelos 500 melhores advogados do mundo.
Larry Feldman era – como Sneddon apontou – da elite da advocacia.
Uma vez tendo estabelecido isso, o promotor focou suas perguntas no famoso processo que Larry Feldman moveu para Jordan Chandler, o processo que todos do tribunal pareciam ter conhecimento. Em 1993, quando tinha 13 anos de idade, Jordie foi inicialmente representado por Floria Allred, mas o júri descobriu que o menino “quis trocar de advogado”, e foi encaminhado para Larry Feldman através de uma série de mãos bem poderosas. Quando uma foto de Jordie foi mostrada à Feldman, ele identificou o jovem como o “adorável, garoto de boa aparência”, que tinha arquivado um processo contra Michael Jackson por abuso sexual.
Feldman declarou que apresentou o caso, Chandler VS. Jackson, no Tribunal Superior de Los Angeles, mas disse que o caso nunca foi a julgamento, já que um acordo em favor de Chandler foi fechado em 1993 ou 1994. Feldman não tinha certeza sobre a data exata, e Sneddon não insistiu. Em vez disso, o promotor queria agilizar o assunto para 2003, para saber mais sobre a época em que Larry Feldman fora contatado pelo advogado Bill Dickerman, que tinha ligado para falar sobre uma outra família – a família de Gavin Arvizo.
Larry Feldman não se lembrava se tinha sido Bill Dickerman tinha estado com os Arvizos no primeiro encontro deles em seu antigo escritório, então localizado em Santa Monica, mas Feldman assumiu que Dickerman levou os Arvizos lá em pessoa. Embora não tenha conseguido lembrar os detalhes do encontro propriamente dito, Feldman declarou que, em 2003, ele se reuniu com Janet, Gavin, Davellin e Star Arvizo, que usou “um processo” para determinar como ele poderia lidar com o caso Arvizo.
“O processo que eu sigo no meu escritório de advocacia em todos os momentos é, as pessoas chegam, contam uma história factual…”, declarava Feldman, “Depende do caso, mas, de um modo geral, nós então começamos a fazer uma pesquisa, uma pesquisa legal, para tentar entender o que diz a Lei.”
Feldman explicou que a gênese do caso Arvizo foi o documentário de Martin Bashir, e testemunhou que a família queria fazer uma reclamação contra o jornalista e a empresa britânica para qual ele trabalhava – a questão fundamental é que o Sr. Bashir tinha filmado as crianças Arvizo sem qualquer consentimento de sua mãe.
Larry Feldman disse que ele tentou “decifrar” as reivindicações dos Arvizos, mas quando não consegui, ele decidiu entrar em contato com o Dr. Stanley Katz, especialista em psicologia, a quem pediu para se encontrar com as crianças Arvizo. Para os observadores do tribunal, pareceu uma estranha coincidência ser o Dr. Stanley Katz o mesmo psicólogo com quem Feldman tinha se consultado no caso Chandler VS. Jackson.
No entanto, o Dr. Katz foi a pessoa solicitada a fazer uma avaliação sobre os Arvizos, para determinar a natureza e a “gravidade” de suas queixas. A família Arvizo, Feldman testemunhou, precisava de um “expert” para falar com eles – que era um elemento chave para sua decisão sobre se deveria ou não levar o caso deles.
“A medida mais sensata era chamar um especialista, o que eu não era, para passar algum tempo com os três jovens”, Feldman contou ao júri. “Davellin não era realmente a questão, e sim Janet, Star e Gavin, e eu deixei passar alguns detalhes especiais, que ele poderia identificar, no que estava acontecendo.”
O júri soube que, como resultado do encontro com Stanley Katz e com a “avaliação” com os Arvizos em maio ou junho de 2003, Larry Feldman chamou a família de volta ao seu escritório para discutir suas opções. Feldman falou que, com base no que Stanley Katz dissera a ele através de um relatório oral, com base nas discussões iniciais dos Arvizos com o psicólogo, e com base no estado de espírito da família, uma decisão foi tomada – e os Arvizos foram visitar o Dr. Katz pela segunda vez.
Larry Feldman explica que, após conversas posteriores entre a família Arvizo e o psicólogo, como resultado de um relatório que o Dr. Katz havia feito sobre os Arvizos, Feldman decidiu chamar o chefe do Departamento de Crianças e Serviços Familiares dealertando a agência que um caso de alto perfil poderia estar às mãos.
Feldman declarou que a razão pela qual contatou o Departamento de Crianças e Serviços Familiares era a de ter “certeza absoluta” de que não haveria vazamento sobre qualquer coisa em relação a um relatório que o Dr. Katz iria apresentar. Mas, quando o tal relatório saiu, o DCFS * [Department of Children and Family Services, Departamento de Crianças e Serviços Familiares em inglês. N.T.] decidiu que este não deveria ser entregue à agência na época. O DCFS recomendou que o relatório fosse entregue a uma agência de aplicação da lei, e Larry Feldman ligou para o promotor Tom Sneddon.
Enquanto falava com uma voz profunda e formal, Larry Feldman contou que, quando contatou Tom Sneddon, solicitou ao promotor de Santa Barbara a condução de uma investigação. Feldman insistiu que não tinha planos de abrir um processo civil contra Michael Jackson na época. O advogado afirmou que estava representando a família Arvizo a respeito das possíveis reivindicações contra Martin Bashir. Feldman também testemunhou que “terminou” sua relação com os Arvizos através de uma carta, em algum momento de outubro de 2003.
No entanto, Feldman admitiu mais tarde que fizera posteriormente “algum trabalho” em nome dos Arvizos, em 2004. O advogado disse ao júri quem, quando Michael Jackson foi preso, ele decidiu registrar uma reclamação contra o DCFS em nome dos Arvizos, já que a agência do governo acabou deixando “vazar” o nome Arvizo à imprensa. Feldman acredita que a família estava possivelmente buscando uma forma de indenização monetária do DCFS, atestando que a agência governamental foi a responsável pela “explosão” do nome da família em todos os noticiários.
Quando chegou a hora de Tom Mesereau começar seu interrogatório, a tensão era tão alta que parecia ser como assistir ao início de uma luta de boxe profissional. Mesereau não perdeu tempo e logo chegou ao assunto principal, que neste caso era o dinheiro. O advogado de defesa queria que o júri entendesse que, independentemente do resultado do julgamento, Gavin e Star Arvizo teriam até seus 18 anos para processar Michael Jackson. O advogado de defesa quis esclarecer, para o registro, que, se uma condenação penal ocorresse num caso de abuso sexual infantil, os meninos Arvizos poderiam usar qualquer coisa que quisessem do caso criminal, poderiam levar qualquer prova para um paralelo processo civil, a fim de reivindicarem milhões de dólares em danos.
“Em outras palavras, se Michael Jackson fosse condenado por crime de abuse sexual infantil neste caso, tanto Gavin quanto Star Arvizo poderia usar essa condenação para essencialmente ganhar um caso civil sobre semelhantes fatos alegados contra o Sr. Jackson?”, Mesereau questionou.
“Isso mesmo.”, Feldman respondeu.
“Se houvesse uma condenação pelo crime de abuso sexual infantil neste caso, e se Star ou Gavin Arvizo decidissem entrar num processo civil com base nos fatos alegados, essencialmente, a questão restante seria quanto dinheiro se conseguiria, correto?”
“Provavelmente. Eu acho que é por aí.”, admitiu Feldman. “Quer dizer, nada é tão simples como acabou de dizer. Você sabe disso tão bem quanto eu. Mas, essencialmente, acho que seria isso que aconteceria.”

Mesereau venceu neste ponto. Ele tinha uma resposta direta de Feldman bem no início. Mas, enquanto os dois advogados começavam a passar por cima de detalhes importantes, eles não conseguiam mais concordar em muitas outras coisas. Depois de um tempo, as brincadeiras dos dois se tornaram uma luta livre jurídica, quase incompreensível para quem estava de fora. Tom Mesereau, que não tinha sido o número 1 de sua turma, que não tinha sido nomeado um dos “500 melhores advogados do mundo”, parecia ter se preparado para uma grande batalha, e Larry Feldman não estava prestes a ser superado. Feldman argumentou com Mesereau em quase todos os pontos.
A questão fundamental que Tom Mesereau queria que Larry Feldman admitisse era que, se o promotor ganhasse o atual caso criminal, esta condenação salvaria, para qualquer advogado civil, uma grande quantidade de tempo e dinheiro para uma investigação de uma subseqüente ação civil. Mesereau estava indiretamente dizendo ao júri que os Arvizos estavam, talvez, usando o dinheiro dos contribuintes para reduzir os custos de um demorado processo civil. Era uma insinuação que ressentiu Feldman, e os dois advogados argumentaram sobre o assunto. Apesar de educados e precisos, eles estavam verbalmente tentando cortar a garganta um do outro.
“Senhor, você contou a um grande júri do Condado de Santa Barbara que sofreu um custo enorme de despesas durante seu processo contra o Sr. Jackson em 1993?”, Mesereau questionou.
“Sim. E era verdade”, Feldman o respondeu.
“E se um custo fosse estabelecido através de uma condenação penal, um advogado civil poderia evitar a maioria desses custos, correto?”
“Alguns desses custos. A maioria não”, Feldman falou. “Alguns, quer dizer, certamente alguns dariam pra evitar.”
“Você poderia evitar muitos dos custos de investigação, correto?”
“Você sabe, é que… Eu posso…?”, Feldman gaguejou.
“Basta responder à minha pergunta, se puder”, insistiu Mesereau.
Mas Feldman disse que não poderia responder à questão do jeito que estava sendo colocada. Feldman queria explicar que os Arvizos não evitariam completamente os custos de investigação, que qualquer advogado civil que pegasse o caso ainda sofreria muitos dos custos da investigação, talvez num grau menor. Feldman admitiu que alguns dos custos seriam diferentes, mas insistiu que as taxas legais seriam as mesmas.
“Mas, se você tivesse que avaliar as suas taxas legais em horas, senhor, e se você não tivesse que provar os débitos, você economizaria uma enorme quantidade de taxas legais, não é?”, Mesereau perguntou.
Feldman afirmou que Mesereau estava errado, dizendo ao advogado de defesa, “Não é assim que funciona”. Mas ficou claro para o júri – e para todos na sala do tribunal – que Larry Feldman fora abalado por Mesereau. À medida que o interrogatório ficava cada vez mais aquecido, Mesereau conseguiu fazer com que Feldman admitisse que, sem uma condenação criminal prévia, um julgamento civil duraria meses. Feldman começou a discutir sobre pontos delicados e tentou afirmar que ainda existiriam os custos e um processo para obter um julgamento civil contra Jackson. Mas, no final, Feldman enfim admitiu que, com uma condenação criminal em mãos, o longo processo de um julgamento civil seria quase eliminado.
“Então, no processo civil em que representou o Sr. Chandler e seus pais contra o Sr. Jackson, houve uma reconvenção * [ação promovida com o objetivo de defender-se alguém de pessoa que primeiro lhe moveu um processo. N.T], não foi?”, Mesereau perguntou.
“Houve?” Feldman rebateu, parecendo atordoado.
“O Sr. Jackson entrou com um processo por extorsão, não foi?”
“Eu não sei. Eu sei que ele reclamou… Eu sei que o investigador dele, o Sr. Pellicano, alegou extorsão”.
“Você não se lembra?”
“Não to dizendo que isso não aconteceu. Eu apenas não me lembro”.
Enquanto questões jurídicas corriam pela sala, Tom Mesereau conseguiu estabelecer – e quebrar, em termos genéricos – o fato de que o caso Jordie Chandler de 1993 teve linguagem no acordo de pagamento que afirmava que “nenhum dos lados admite qualquer ato errado da outra parte”.
Em relação ao caso Arvizo, Mesereau atacou o acordo de encaminhamento que Larry Feldman tinha com o advogado Bill Dickerman, insinuando que os dois advogados tinham um plano de trabalhar juntos a fim de receber o pagamento da maior quantidade possível de dinheiro. Uma tempestade de perguntas veio de Mesereau sobre o montante de dinheiro que Feldman e Dickerman esperavam receber se instaurassem um processo contra Jackson em nome dos Arvizos, mas suas perguntas foram recebidas com impasses.
Larry Feldman não pareceu lembrar os termos que ele tinha trabalhado com Dickerman. Feldman sabia que Dickerman queria dinheiro – ele tinha certeza disso. Mas Larry Feldman não conseguiu identificar os termos financeiros exatos que ele e Dickerman haviam feito. Quando pressionado sobre o assunto, a alegação de Feldman era a de que, desde que o caso Arvizo “não fosse nunca a algum lugar”, ele não tinha nenhum motivo especial para recordar os detalhes exatos. Feldman tentou fazer pouco caso de sua ligação com Bill Dickerman. Ele claramente não queria ser retratado como um caça-litígios. * [Caça-litígios: um advogado especializado em reivindicações de danos pessoais, geralmente representando pessoas contra grandes empresas ou pessoas importantes. N.T.]
Quando Mesereau trouxe à tona uma série de faxes e cartas trocados entre os dois escritórios de advocacia após Dickerman referir os Arvizos para Feldman, Larry Feldman admitiu ter concordado em pagar algo à Bill Dickerman se Feldman levasse o caso Arvizo. Feldman disse aos jurados que ele seria o advogado responsável pelo caso, que Dickerman teria muito pouco trabalho a fazer, exceto, talvez, uma tarefa pequena aqui ou ali.
Com o clima esquentando dentro do tribunal, Mesereau continuou a atacar Feldman em dois pontos:

1) Larry Feldman fez sua carreira processando pessoas de alto perfil.

2) A família Arvizo, juntamente com Bill Dickerman e Larry Feldman, se levantaram para conseguir dinheiro em cima de Michael Jackson – se o júri acreditasse que um abuso sexual havia ocorrido.
“Agora, no Condado de Los Angeles, você é conhecido como um dos mais famosos advogados, correto?”, Mesereau perguntou.
“Diga isso de novo pra imprensa. Eu quero… Essa é a coisa mais legal que alguém já falou sobre mim neste caso”, brincou Feldman.
“Verdade?”
“Acho que sim.”
“Você tem inúmeros prêmios multimilionários que ganhou por seus clientes, correto?”
“Sim.”
“E na maioria dessas situações, você tinha o que é chamado de arranjo da taxa de contingência, correto?”
“Oh, tenho certeza. Ao longo da minha carreira jurídica, isso está absolutamente correto.”
“E de um modo geral, num arranjo de taxa de contingência, o advogado do queixoso nesses casos, ou seja, você, recebe uma porcentagem de tudo o que é recuperado para o cliente, é verdade?”
“Sim.”
Feldman foi forçado a admitir que em um caso de taxa de contingência, há um incentivo para o advogado para receber o maior acordo possível. Enquanto lançava as perguntas, Mesereau olhou para dois documentos assinados pelos pais de Jordie Chandler, que tinham consentido o acordo de taxa de contingência à Feldman. Sem entrar nos valores em dólares exatos do acordo, Mesereau estabeleceu que os pais de Jordie, que se divorciaram muito tempo antes de 1993, receberam dinheiro do acordo de Michael Jackson. Ter Evan e June Chandler recebendo seus dinheiros separadamente foi ideia de Jordie Chandler – segundo o testemunho de Feldman.

Mesereau trouxe detalhes da defesa criminal de Evan Chandler, já que Evan tinha sido processado por Jackson por supostamente ter tentado extorquir dinheiro de Michael Jackson. Enquanto os dois advogados discutiam, percebeu-se que, não somente os pais de Jordie receberam o pagamento separado, como também o marido de June na época, David Schwartz, decidiu apresentar seu próprio processo contra Michael Jackson – também em busca de seu pagamento.
“Você tem representado os pais de Janet Arvizo nesse caso, correto?”, Mesereau quis saber,
“Os pais dela?”, Feldman perguntou.
“Você os representou numa tentativa de nos impedir de ver se ela depositou dinheiro na conta dos pais, é verdade?”
“Eu impedi que conseguissem o… Que conseguissem entrar nesses registros bancários dos pais dela”, respondeu Feldman.
“E, ao fazer isso, senhor, você tentou nos impedir de ver se havia cheques de Janet ou David Arvizo depositados na conta dos pais dela?”
“Não, Sr. Mesereau. Eu impedi que arrastassem esses pobres pais, que nem sequer falam inglês, pra essa confusão.”
“Senhor, você não pode impedir os pais de serem intimidados como testemunhas neste caso, não é?”
“Não.”
“E você sequer tentou fazer isso?”
“Eu não poderia.”
“A única coisa que você tentou fazer foi nos impedir de ver se Janet tinha colocado dinheiro na conta de seus pais.”
Quando o tom de Mesereau aumentou, Tom Sneddon fez uma objeção, dizendo ao tribunal que a testemunha estava sendo atacada. No entanto, Mesereau estava no bom fundamento jurídico. Mesereau estava contanto com documentos judiciais, e, através deles, o advogado de defesa conseguiu provar que Larry Feldman tinha representado os pais de Janet Arvizo de dezembro de 2004 a janeiro de 2005. Durante todo esse tempo, Mesereau servira os pais de Janet com uma intimação para ver todas as suas verificações e os registros financeiros.
Do banco das testemunhas, Feldman admitiu que havia impedido Mesereau de prosseguir com a possibilidade de que Janet estava concentrando dinheiro. Quando Mesereau fez uma pesquisa sobre o trabalho que o famoso advogado tinha feito, gratuitamente, em nome da família Arvizo, Feldman admitiu ter agido em nome de Janet Arvizo, seus três filhos, seus pais, e que também aconselhara o novo marido de Janet,Major Jay Jackson,  em conexão com um mandado de busca em seus registros militares.
“Quantas vezes você acha que falou ao telefone com o promotor Sneddon sobre este caso criminal?”, Mesereau perguntou.
“Bem, não sei. Pelo menos duas ou três vezes.” Feldman disse. “Nós não tivemos muitas ligações. Francamente, eu liguei pra ele quando o chamei para falar: „ Aqui está o caso. Faça o que quiser com ele‟. E, talvez… Eu não sei… Cinco, seis [outras ligações]… Não muitas. Quer dizer, eu não sei. Algo do tipo.”
“Quantas vezes você acha que se encontrou com o Sr. Sneddon em relação a sua apresentação do caso Chandler em 1993?”
“Eu não sei se o encontrei em 1993. O Sr. Sneddon?”
“Sim.”
“Em 1993, eu estava sozinho, sem… Eu estava lidando…”, a voz de Feldman foi sumindo.
“Você certamente falou com ele.” insistiu Mesereau.
“Eu estava lidando com o caso. Tenho certeza de que falei com ele, mas acho que nunca me encontrei com ele. Talvez sim… Eu poderia ter feito isso. Simplesmente não consigo me lembrar, Sr. Mesereau. Faz muito tempo. Quer dizer, foi há 12 anos. E também o caso foi em Los Angeles, e você sabe, eu estava lidando com advogados de LA, advogados criminais.”
“Seria correto dizer que você, pelo menos, conversou com o Sr. Sneddon várias vezes sobre sua representação do Sr. Chandler?”.
“Você sabe…”, Feldman disse, “Não o senhor… O Sr, Chandler naquela época era o pequeno Jordie, que agora é um senhor. Ou é do pai que estamos falando? Quando você diz „Sr. Chander‟ está se referindo ao Jordie? De quem estamos falando?”
“Qualquer um deles.”
“Você sabe, eu não acho… Pode ter acontecido. Não posso negar isso. Só não me lembro de qualquer maneira. Não me lembro de ter muitos, ou qualquer discussão real com o Sr. Sneddon sobre o caso.”
Os presentes no tribunal observaram cuidadosamente como as questões de alta potência do advogado eram contornadas. Alguns estavam sentados em silêncio, se perguntando qual era o mérito exato do caso de Jordie Chandler.

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Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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