Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap – 21

“SHE‟S OUT OF MY LIFE”

“ELA ESTÁ FORA DA MINHA VIDA”

No primeiro dia em que passou pelos fotógrafos, a mãe do acusador cobriu o rosto com um capuz. Enquanto a mulher entrava no tribunal, Katherine Jackson sentou-se sozinha na primeira fileira de cadeiras, de frente para Janet “Jackson” Arvizo, sem Joe, sem Tito, Jermaine, Randy, ou Jackie, todos os quais haviam estado presentes na maioria do tempo do julgamento. A mãe de Michael parecia insatisfeita, infeliz com a imagem de Janet, e fechou os olhos por uns 30 segundos enquanto a mulher de capuz fazia seu caminho para frente da sala.
Enquanto Janet andava lentamente até o banco das testemunhas, a mulher de 36 anos, em nada lembrava aquela Janet Arvizo do vídeo de refutação. O tal vídeo mostrava Janet e seus três filhos louvando Michael Jackson por ter ajudado a cura do câncer de Gavin, mas o vídeo nunca foi ao ar na TV. No entanto, a fita fora mostrada ao júri por tantas vezes que, no momento em que Janet realmente chegou para testemunhar, os observadores do tribunal tiveram a impressão de que a conheciam.

Os fãs de Michael Jackson tinham o vídeo de refutação memorizado, e as pessoas se divertiam repetindo as frases principais da entrevista, em que Janet alegou ter sido negligenciada e “abatida”. No vídeo de refutação, Janet Arvizo não poderia ter sido mais melodramática. Ela tinha todos os tipos de histórias tristes para contar, insistia que, antes de Michael ter tomado interesse por sua família, ela estava vivendo de uma maneira próxima da pobreza, obrigada a dar cereal para seus filhos comerem no jantar, muitas vezes sem um lugar seguro para viver. Janet alegou que ela e seus filhos tinham sido forçados a dormir num celeiro e que seu ex-marido fingia ser um pai maravilhoso.
Na fita, Janet gastou uma boa parte do tempo atacando o ex-marido, David, pai biológico de seus três filhos. Mas ela passou ainda mais tempo elogiando Michael Jackson por ser uma pessoa vinda para resgatá-la, chamando-o de uma dádiva de Deus, uma pessoa boa e um “homem de família”.

O vídeo de refutação havia criado algumas expectativas e impressões no júri que Janet realmente não tinha previsto. Na fita, ela aparecia como uma mulher glamourosa de cabelos longos e ondulados, lábios avermelhados e uma bela figura. Mas a pessoa que ela tinha sido no passado, a pessoa que Janet tinha sido quando era próxima de Michael Jackson, não era nada além de uma memória da fita.
A presença de Janet no tribunal foi desarticulada e desconcertante. Não somente sua aparência parecia ter desbotado, como também sua personalidade como um todo pareceu ter mudado. Ela não era mais uma mulher glamourosa, e sim um enigma. No banco das testemunhas, Janet Arvizo parecia uma criança e, muitas vezes, agia de forma infantil.
Enquanto falava, ela parecia mudar de forma, projetar imagens e pessoas diferentes. Houve momentos em que a mulher de 36 anos parecia uma dona de casa desleixada, apresentando-se como uma mãe sobrecarregada e cansada demais para se preocupar com sua aparência. Em qualquer outro caso, essa tática poderia ter dado certo, poderia ter gerado simpatia no júri, mas Janet sabia que estava no centro das atenções.
Ela poderia certamente ter usado um terninho elegante, já que sabia que a mídia mundial estava muito interessada em vê-la, que pessoas de todos os cantos da Terra estavam lá para relatar os detalhes de sua aparência no tribunal. Quando Janet se encolheu no banco das testemunhas, uma sala cheia de pessoas da imprensa começou a tomar notas.

Todos no tribunal ficaram chocados ao ver o quanto a aparência física de Janet mudara em dois anos, e as pessoas comentavam isso, fofocando sobre o ganho de peso da mãe do acusador, a escolha em não usar roupas elegantes e o esquecimento de seus truques de beleza, sem qualquer maquiagem no rosto. O cabelo de Janet estava mais curto, ela tinha o rosto mais largo e se vestia como uma menina, usando um moletom rosa e grampos de cabelo em forma de estrelas.
Quanto à sua personalidade, Janet estava numa tremenda confusão, não era mais a mulher confiante que aparecera no vídeo. Na frente do júri, ela raramente dizia coisas que fizessem sentido e raramente respondia diretamente às perguntas. Muitas vezes, Janet chorava pro júri. Suas lágrimas, no entanto, não pareciam reais.
Quando começou a depor, Janet estava chorando, pedindo ao júri que não a julgasse. Ela foi inconveniente, e as pessoas notaram que ela fez alguns dos jurados se sentirem desconfortáveis. Janet era uma pessoa estranha, que fazia escolhas estranhas. Durante o seu testemunho, Janet optou não olhar para Michael Jackson nem para Ron Zonen, o promotor que conduziu seu depoimento.
As pessoas acharam estranho o fato de Janet ter se recusado a olhar para qualquer outro lugar que não fosse o júri, o fato de ela querer desabafar e testemunhar inteiramente aos jurados. De alguma estranha maneira, parecia que Janet pensava que poderia ganhar o caso falando diretamente para o júri, mas o sistema judicial não funciona dessa forma. Para piorar a situação, por diversas vezes, Janet ficava com raiva e a mulher apontava seu dedo para as cadeiras do júri. Alguns jurados diriam mais tarde que acharam o comportamento de Janet ofensivo e bizarro.
Janet fez as pessoas se encolherem.

A mãe do acusador testemunhou durante três dias seguidos, sempre se cobrindo com o capuz do moletom quando fazia seu caminho para a sala. A cada dia ela era cercada por uma multidão de repórteres que nunca conseguiam obter uma imagem clara da mulher. Janet, por ter se casado com um homem chamado Jay Jackson, pediu ao tribunal que a reconhecesse como “Janet Jackson”, mas o juiz Melville negou isso. O juiz disse que ficaria muito confuso e, para todos os efeitos, Janet seria conhecida como Janet Ventura Arvizo.
Antes de entrar na sala, a equipe de defesa argumentou contra o apelo do Direito da Quinta Emenda sobre não poder depor sobre fraude; a defesa disse ao tribunal que Janet não tinha o direito de escolher o que iria testemunhar. A equipe de Jackson apontou que Janet tinha feito uma aplicação de emergência na Previdência Social, recebendo cheques de assistência social, vale-refeição e desemprego – tudo isso enquanto tinha uma conta bancária pessoal com milhares e milhares de dólares disponíveis.
Mas o direito da Quinta Emenda de Janet foi mantido e, num tribunal da Califórnia, ela não pode ser obrigada a oferecer testemunhos que possam ser usados contra ela. Claro, Sneddon esperava que os jurados não ouvissem absolutamente nada sobre os detalhes relativos à fraude de Janet na Previdência Social. O promotor esperava que não houvesse nenhuma menção sobre a fraude da mãe do acusador.
Para ser justo com ambos os lados, o juiz Melville decidiu que iria informar o júri sobre a decisão de Janet sobre evocar seu direito da Quinta Emenda e, além disso, o juiz determinou que permitirá que a equipe de defesa apresente provas sobre a fraude de Janet durante o caso. A equipe de defesa, mais tarde, chamaria um contador público certificado, assim como um especialista em fraudes, a fim de provar que Janet Arvizo estava usando todas as fontes do governo para receber um dinheiro que ela não precisava.
Depois do juramento de Janet Arvizo, o juiz Melville informou ao júri que a Sra. Arvizo tinha evocado seu direito da Quinta Emenda relativo às alegadas acusações sobre fraude na Previdência Social. Instantaneamente, o júri a encarou com olhares de desaprovação. Antes mesmo de abrir a boca para os jurados, a mãe de Gavin Arvizo tinha começara com o pé esquerdo.
Havia mais do que uma pitada de desdém.

Como o promotor de Santa Barbara não havia garantido à Janet imunidade judicial sobre a questão da fraude, um ano e meio após o julgamento de Jackson ter terminado, em novembro de 2006, Janet Arvizo se confessou culpada por ter fraudado os contribuintes americanos. Aparentemente, a fraude da Previdência Social foi algo que Janet Arvizo nunca pensou que seria responsabilizada. Aparentemente, ela estava muito focada num julgamento criminal contra Michael Jackson, o que, de certo, seria seguido por um julgamento civil – para se conseguir dinheiro. Janet Arvizo parecia estar cega por uma quantia milionária. Ela parecia ter pouco interesse em expor sua vida. Qualquer coisa desagradável que pudesse ser revelada era, talvez, ofucscada pela perspectiva de se tornar muito rica.
Janet Arvizo concordou em testemunhar em imunidade, e Ron Zonen foi rápido para tentar estabelecer ao júri que a Sra. Arvizo era uma mulher temente a Deus, uma mulher que vivera uma vida difícil, que sofrera com a doença e a pobreza, que passara por muitos maus momentos. Zonen queria plantar o máximo de simpatia possível, e pediu à Janet que fornecesse detalhes sobre sua vida como mãe de quatro filhos, sobre ela ter recentemente dado à luz um bebê de 8 meses, fruto do seu atual casamento. Ele, então, pediu à Janet para contar ao júri sobre o câncer de Gavin e a experiência de quase-morte que levou a família Arvizo à casa de Michael Jackson.

Nada estranho para casos de alto perfil, o segundo promotor de Santa Barbara, Ron Zonen, era o mais forte membro da equipe da acusação. Ele era bem preparado e direto, nunca expressava a raiva de Tom Sneddon, nunca saía de controle. Ron Zonen estava afiado – tão inteligente quanto se via, ele tinha a vantagem de ser pé no chão, ao contrário de Gordon Auchincloss, que soava incrivelmente arrogante. Dos três, Zonen era o personagem mais simpático. Ele tinha presença, tinha humor. Quando Zonen falava, as pessoas escutavam.
Mas tendo Janet “Jackson” Arvizo como testemunha fez com que Zonen se sentisse numa corda bamba. Janet Arvizo era a peça chave da acusação de conspiração contra Jackson. O promotor colocara Janet no banco das testemunhas numa tentativa de provar que Michael e seus parceiros haviam conspirado para manter Janet e seus filhos presos em Neverland. Para efeito, Janet declarou que sua família foi mantida em cativeiro no rancho por semanas após a viagem para Miami – até que eles concordaram em fazer um vídeo refutação em resposta ao documentário de Bashir.
Janet contou ao júri que seu “cativeiro” começou quando ela recebeu um telefonema de Michael, que pediu para que a família se juntasse à ele em Miami para uma coletiva de imprensa em reposta ao documentário de Bashir. De acordo com Janet, foi o próprio Michael que a ligou para informar que ela e sua família poderiam estar “em perigo”. A Sra. Arvizo afirmou que Miami era o único que queria que os Arvizos o acompanhassem em Miami, para que pudessem ser protegidos contra supostas “ameaças de morte”.
Janet disse aos jurados que, quando chegou em Miami no dia 7 de fevereiro de 2003, Michael Jackson decidiu que nenhuma coletiva de imprensa era necessária. Janet afirmou que Jackson e seu “pessoal” estavam a observando atentamente, a impedindo de assistir à exibição do documentário de Bashir que seria transmitida na rede de canais ABC durante o mesmo período.

Enquanto dava detalhes sobre sua viagem com Jackson à Miami, Janet disse que, no início de fevereiro de 2003, ela e seus filhos atravessaram o país com o famoso ator Chris Tucker num jatinho particular. Eles foram para o Turnberry Resort em North Miami, onde ela deu entrada em seu próprio quarto com seus filhos e depois se reuniu com Michael Jackson em sua suíte presidencial. Janet contou ao júri que seus filhos receberam massagens no SPA do Turnberry, mas reclamou que a maior parte do tempo foi passada com Michael, trancada em sua grande suíte.
Ainda em Miami, Janet alegou que realmente não teve chance de desfrutar as instalações do luxuoso hotel. Ela passou dias com Michael, Prince e Paris, que estavam acompanhados por Frank Cascio, sua irmã mais nova, Nicole Marie e seu irmão menor, Aldo – a quem Jackson chamava de “Baby Rubba”.
Janet apresentou múltiplas queixas sobre sua estada no Turnberry Resort, e disse que sentiu que era como uma viagem de trabalho. A Sra. Arvizo indicou que seus filhos estavam felizes por serem convidados de Michael, mas, de uma forma indireta, ela reclamou que ela e as crianças não puderam passar muito tempo fora por causa do assédio da mídia.
Mais tarde, uma exibição foi inserida como evidência no tribunal, mostrando as ligações da imprensa que Jackson recebera no dia 6 de fevereiro de 2003, dia seguinte à exibição britânica de Living With Michael Jackson. Era uma lista que incluía uma enxurrada de mensagens do Extra!, Entertainment Tonight, dos programas da CBS Early Show e Good Morning America, Skynews London, e também ligações do Larry King e de Barbara Walters. A lista era surpreendente.

Para o júri, Janet confirmou que fora sobrecarregada de pedidos da mídia, mas insistiu que não estava interessada em tirar dinheiro de tabloides, alegando que ela teve “zero” conversas com jornalista, e que seu contato com a imprensa era um “duplo zero”. Janet declarou que concordou em ter viajado para Miami para se encontrar com Michael e seu “pessoal” enquanto eles tentavam saber o que fazer com o pesadelo de relações públicas criado pelo documentário de Martin Bashir. Ela afirmou que os “associados” de Michael criaram uma resposta à mídia pra ela. Ao longo de seu depoimento, Janet falou que todas as suas declarações no vídeo de refutação foram imprecisas e simplesmente inventadas.
Mas isso não caiu bem para o júri.
“Agora, Sra. Arvizo, você disse que você e seus filhos foram negligenciados e cuspidos, correto?”, Mesereau perguntou.
“Sim.”, ela respondeu.
“E a quem você estava se referindo?”
“Eles pegaram elementos da minha vida e da vida dos meus filhos que eram verdadeiros, e incorporaram no script. E isso aconteceu na primeira reunião em Miami. Eles já estavam pensando nisso. Levei um tempo pra descobrir.”
“Quem negligenciou a sua família?”, Mesereau queria saber.
“Naquele roteiro, tudo foi um roteiro.”
“Quando você diz que a sua família foi cuspida, a quem você estava se referindo?”
“Nessa coisa de refutação, tudo foi um script, um roteiro. Eles pegaram elementos verdadeiros da minha vida e da vida dos meus filhos e os incorporou naquele roteiro.”
“Quando você disse: „Nós não tínhamos um CEP certo, não tínhamos raça certa‟, o que você esta se referindo?”
“Isso tudo foi roteirizado.”, Janet insistiu.
Enquanto seu testemunho prosseguia, Janet fez afirmações difíceis de engolir, simplesmente impossíveis de se acreditar. Por um lado, ela alegou nunca ter visto o documentário de Bashir inteiro, nunca. Ela disse que na época em que o documentário foi gravado em Neverland, ela não tinha sido informada de que seus filhos estavam participando de uma gravação que iria ser exibida na TV.
Janet falou que descobriu que Gavin e seus irmãos estavam gravando “algo sobre Michael ter ajudado Gavin a se curar do câncer” somente depois que o documentário foi ao ar na Grã-Bretanha. Durante o interrogatório, a Sra. Arvizo admitiu que havia se juntado à Michael Jackson num processo contra a Granada Television por ter utilizado imagens de seus filhos sem permissão.

Parecia que, quanto mais Janet Arvizo testemunhava, mas ela cavava um buraco na acusação. O júri não estava acreditando nela. Como seus filhos, Janet afirmava que Gavin fora tocado inadequadamente por Jackson depois do escândalo do documentário de Bashir, não antes. De acordo com Janet, a primeira vez que o Sr. Jackson decidiu agir de forma inadequada com Gavin foi durante a viagem de volta à Califórnia, logo após o documentário ter sido exibido. Foi o testemunho de Janet dizia que ela nunca vira Michael Jackson fazer qualquer coisa sexualmente inadequada com Gavin, embora ela tenha afirmado que viu Michael lamber a cabeça de seu filho durante o vôo de Miami para Santa Barbara.
No interrogatório feito por Mesereau, a versão de Janet para os supostos abusos sofridos por Gavin fazia cada vez menos sentido, as afirmações de Janet começaram a soar cada vez mais ultrajantes. O advogado de defesa cortou a Sra. Arvizo em pedaços, particularmente sobre seu alegado cativeiro em Neverland. Se havia algum tipo de conspiração, Mesereau fez com que parecesse que a conspiração era destinada a Michael Jackson.
Mesereau passou o dia todo tendo Janet testemunhando que Michael conspirara para raptar os Arvizos e depois abrir a caixa de Pandora. Mesereau mostraria que nas semanas seguintes à exibição do documentário de Bashir, Janet Arvizo e seus filhos foram voluntariamente passar um tempo em Neverland, aproveitando as comodidades do rancho de Michael.

O advogado de defesa provaria que, enquanto Janet estava tirando um tempo para decidir se queria ou não gravar um vídeo de refutação, a Sra. Arvizo se manteve ocupada em ter Michael pagando tudo, desde o tratamento dentário de Gavin até as caixas de cera depiladora que Janet usava em todo o corpo. Quanto Janet e seus filhos finalmente fizeram o vídeo, que foi gravado muito tempo após os Arvizos terem voltado à Califórnia, muito além do prazo de ter sido gravado para aparecer no programa The Michael Jackson Interview: The Footage You Were Never Meant To See, exibido pela Fox.

Quanto aos seus comentários sobre Jackson no vídeo de refutação, Janet continuou insistiu que ela e seus filhos liam um script e disse aos jurados que nenhum deles quis dizer qualquer uma daquelas coisas positivas sobre Michael. Janet afirmou que ela e os filhos tinham sido forçados a dizer que Jackson agia como uma “figura paterna” para Gavin. Ela disse que ela e os jovens receberam de mão beijada cada uma das palavras que disseram na entrevista. Mas seu testemunho não pareceu sincero.
Foi interessante observar Janet se tornar tão irada sobre ter sido forçada a usar um roteiro para a gravação do vídeo de refutação, especialmente uma vez que todos no tribunal já tinham assistido as filmagens dos bastidores daquela gravação e viram Janet espontaneamente dizendo às crianças que se sentassem em linha reta, que se comportassem, sugerindo que ela e Gavin dessem as mãos em frente à câmera.
Quando questionada sobre se a gravação dos bastidores também tinha sido forjada, Janet disse ao júri que sim. Quanto mais Janet insistia nisso, mais parecia uma má mentirosa. Enquanto Mesereau a questionava, ele estava levando aos jurados o seu ponto de vista: Janet Arvizo era uma mulher com planos.
“Eu não sou uma boa atriz.”, Janet testemunhou.
“Ah, eu acho que você é, sim.”, retrucou Mesereau.

O advogado de defesa tinha razão em acreditar que Janet estava criando um show. Mas, às vezes, Janet não conseguia controlar suas emoções e se tornava explosiva e antagônica no banco das testemunhas. Seu emocional depoimento dado à promotoria foi tão desequilibrado que, ao longo do interrogatório, Mesereau deliberadamente se recusou a objetar. Como um advogado intuitivo, Mesereau observou Janet atentamente e ficou satisfeito por deixá-la sair pela tangente. Enquanto contava ao júri sobre sua doida teoria de conspiração, Janet alegou que planejava escapar de Neverland num balão de ar quente.
Em prol da teoria de conspiração, a gravação de uma conversa telefônica entre Janet e o amigo íntimo de Michael, Frank Cascio, foi apresentada ao júri. Na conversa, Frank pedia à Janet que voltasse à Neverland com as crianças, mencionando sua preocupação com a segurança deles. No entanto, Frank não falou nada sobre supostas ameaças à vida de Janet. Enquanto o júri ouvia o telefonema gravado, escutaram Frank Casio dizer que estava preocupado com a segurança dos Arvizos por causa de todos aqueles paparazzi.
Não houve menção de ameaças de morte.
Não houve menção de assassinos.
A única pessoa que alegou que o documentário de Bashir havia criado uma situação de risco foi a Sra. Janet Arvizo. Era uma afirmação que seus dois filhos, Gavin e Star, tentaram comprovar – sem sucesso. No início do julgamento, os dois rapazes testemunharam que ouviram de sua mãe alguma coisa sobre “assassinos”, mas suas lembranças eram vagas. Sob o interrogatório de Mesereau, os dois meninos Arvizos admitiram que gostavam de estar em Neverland, que nunca se sentiram ameaçados por qualquer um, e disseram ao júri que não queriam ir embora do rancho de Jackson em nenhum momento.
As acusações de Janet sobre ter sido mantida prisioneira em Neverland, sobre ela e seus filhos terem sido escondidos de misteriosos “assassinos” pareciam inverossímeis e doidas, especialmente quando entraram como evidência registros que mostravam que Janet Arvizo estava gastando milhares de dólares em maquiagem, produtos e tratamentos de beleza pela conta empresarial de Neverland Valley Entertainment durante fevereiro de 2003.

A teoria de conspiração que a promotoria apresentara era o ponto mais fraco do caso. Isso levou muitas pessoas a pensarem duas vezes sobre um plano de vingança do promotor contra Jackson, sobre Sneddon estar tentando arruinar a vida do artista de todas as formas possíveis. É claro que Tom Sneddon negou isso veementemente. Quando a promotoria afirmou que Michael Jackson tinha criado um plano para mandar a família Arvizo para o Brasil, a alegação pareceu totalmente absurda.
A promotoria produziu os passaportes e os vistos, mostrando que os “associados” de Jackson obtiveram esses itens juntamente com Janet Arvizo, dando a entender que o “pessoal” de Michael queria que os Arvizos fizessem uma viagem permanente para o Brasil. Mas a acusação foi incapaz de mostrar que a viagem ao Brasil foi nada mais do que uma oferta de férias. E o promotor Sneddon não conseguiu provar, por qualquer meio que fosse, que Michael Jackson estava realmente ciente do planejamento de uma viagem ao Brasil.
Quanto mais o testemunho se focava na viagem ao Brasil, mais o enredo de conspiração parecia um cenário inventado pela acusação. Parecia estranho que a promotoria tenha colocado tanta ênfase sobre isso, especialmente porque os Arvizos nunca fizeram uma viagem realmente.
Para o júri, o promotor Sneddon argumentou que Michael Jackson estava tão desesperado após a exibição do documentário de Bashir que toda a carreira e o status dele estavam em jogo – assim, o pop star precisava sequestrar, encarcerar e extorquir a família Arvizo a fim de manter sua “imagem” limpa. Para muitas pessoas, aquela era a afirmação mais absurda de todo o julgamento. Os observadores do caso zombaram dessa ideia.
As pessoas acharam aquela teoria da conspiração simplesmente ridícula.

No final do dia, Tom Sneddon não conseguiu provar que Michael Jackson tinha qualquer conhecimento de uma conspiração para enviar os Arvizos pra longe. A equipe da promotoria afirmava, sem sucesso, que Jackson, através de seus “associados”, planejava o rapto e o cárcere privado dos Arvizos. O promotor falou que Jackson estava envolvido numa trama criminal, a fim de se salvar da ruína financeira e profissional. Era uma teoria que deixou intrigada a maioria das pessoas presentes na Corte. As pessoas começaram a se perguntar se os promotores eram sérios, se a promotoria havia perdido a ideia das coisas.

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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Uma resposta para Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap – 21

  1. mimijak disse:

    Ajudei a Blankie em algumas dessas traduções e adorei fazê-lo, pois as coisas iam se descortinando a nossa frente como se fosse o início de uma peça de Teatro, começa tudo às escuras, muito silêncio na platéia e todos numa expectativa do que iria se desenrolar ao abrirem-se as cortinas para o início do Primeiro Ato, e no desenrolar de todo o enredo, mais aumenta o nervosismo por conta das emoções vivenciadas, a cada palavra dita pelos personagens você vai se posicionando para torcer por um ou por outro desfecho que venha de encontro com a sua própria expectativa, e que esbarram, passam pelos seus próprios princípios e valores, e tem quase a sensação de estar vivenciando uma história Shakespeariana às vessas em pleno Século 21, mas, tão pungente que nos prende a atenção à medida que vamos absorvendo toda a história por trás dos acontecimentos, mesmo que pelos olhos de outra pessoa, que não você mesma em primeira mão, Fora esta, maravilha sobre os bastidores desse ignóbil Julgamento só a que estou compilando do Espanhol, para Contar breve espero sobre Neverland, da mesma Época.
    Blankie me falou que você entrou em contato com Ela para transcrever a História por aqui, quem sabe a próxima seja a que estou montando, lindo Rita!!!
    Desculpe o abandono, a Blankie também anda reclamando a minha ausência, mas se não fizer assim não termino os Projetos em andamento que envolvem toda a história de Michael, e esta merece ser contada…

    Um grande abraço, beijo no seu Coração e na sua Alma…Mimijak

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