Conspiração Michael Jackson by Afrodite Jones cap-29

ASK ME HOW I KNOW

“PERGUNTE-ME COMO SEI”

A voz de Michael Jackson

Exibição 5009-A, 5009-B, 5009-C, imagens dos bastidores com Martin Bashir.

Durante toda a exibição da filmagem dos bastidores do documentário de Bashir, que o júri viu por duas horas e meia, houve um enorme sentimento de intimidade. Michael tinha seu próprio cinegrafista gravando simultaneamente, o que permitiu momentos espontâneos, o suficiente para se ter uma noção sobre o verdadeiro eu do pop star. Foi estranho ver Jackson sentado numa almofada no chão – da cintura pra cima parecendo um rei, da cintura pra baixo, vestido com confortáveis calças de usar em casa.

Quando a entrevista começa, Bashir diz a Michael que ele é um gênio musical, afirmando que seu documentário transmitirá duas coisas: o gênio Michael Jackson e seu trabalho de caridade com crianças de todo o mundo. Bashir não quer constranger Michael com muitos louvores, mas insiste que o mundo deveria saber sobre os esforços de Michael pra ajudar as crianças. Michael reclama que a mídia relata apenas “coisas negativas” sobre ele, e Bashir responde chamando os repórteres de tablóide de “escória”. Enquanto a câmera foca apenas o rosto de Michael, ouvimos Bashir insistir que as reportagens que ele tem visto sobre Michael são “repugnantes” e que estão “ficando piores”.
Michael reclama, cansado de boatos estúpidos.
Bashir promete que não vai produzir esse tipo de “lixo”.
Assim que as câmeras de Bashir estão prontas para a gravação, o jornalista joga na afinidade de Michael pelos britânicos, pedindo ao cantor para “fazer um sotaque inglês”, mas o pop star fica tímido. Michael apenas sorri, olha pra longe da câmera e educadamente recusa.
Bashir começa as perguntas, aproveitando o amor de Jackson pela inocência das crianças e, em seguida, transforma rapidamente a conversa para o gênio musical de Jackson, perguntando se o sucesso de Michael Jackson faz as pessoas terem inveja.
Michael diz a Bashir que “o sucesso é isso” e afirma que a inveja é algo com que ele tem convivido, algo com que ele teve que aprender a lidar ao longo dos anos. Michael se sente como um alvo, mas parece dizer que isso vem junto com o fato de ser um superstar. Ele afirmar que a cada passo do sucesso, as pessoas criam mais boatos sobre ele.
Para Bashir, o ícone pop explica que, quando começou a quebrar todos os recordes com o álbum mais vendido de todos os tempos, quase que simultaneamente, ele começou a ser chamado de “estranho”. Jackson se encolhe e parece ferido quando fala sobre como as pessoas o chamam de estranho e “maluco”, sobre as pessoas especulando que ele é uma “garota” ou “homossexual”. Jackson insiste que os rumores são falsos, dizendo à Bashir muito dito sobre ele é “completamente inventado”. Enquanto começa a se sentir confortável com o jornalista, Michael menciona que as pessoas se surpreendem ao ver quão normal e simples é a sua maneira de viver.
Bashir fala que Jackson é o “maior artista musical vivo hoje” e que produziu “a música de maior sucesso que o mundo todo já ouviu”. O jornalista pergunta se o sucesso de Michael Jackson pode fazer com que as pessoas se voltem contra ele.
Michael é sincero sobre as pessoas e a inveja. Ele fala sobre os artistas, figuras historicamente famosas que foram maiores do que a vida, e sobre como alguns volta delas ficam com inveja. Ele usa o exemplo de Michelangelo, que supostamente teve seu nariz quebrado por um colega durante uma discussão sobre quem era o maior artista. “As pessoas fazem isso comigo, mas de uma maneira diferente”, afirma Jackson.

Michael explica como a “opinião” pode ser mais poderosa do que a espada, e expressa seu pesar sobre o fato de a mídia “ir longe demais”. Ele diz à Bashir que é humano, e insiste que doi muito ouvir mentiras, especialmente por saber que as crianças estão lá fora, ouvindo todos esses rumores.
Quanto sobre lidar com o público, Jackson explica que muitas vezes, quando sai, ele se disfarça por causa da imprensa. Ele diz que, vez ou outra, por causa de uma emergência ou o que quer que seja, ele simplesmente tem que pular pra dentro de uma loja e sair correndo, e narra um momento em que estava numa loja de departamento e, de repente, foi cercado por uma multidão de pessoas que empurravam as portas e quebravam o vidro, tentando tocá-lo.
Jackson recorda para Bashir que, enquanto estava nessa loja de departamento, as coisas ficaram loucas, e ele foi cercado por seguranças. Ele também fala sobre um menino que atravessou a multidão, aproximou-se e perguntou: “Michael Jackson, é verdade que você toma pílulas de hormônio feminino pra sua voz ficar mais fina?”.
Jackson pareceu ter sido ferido por aquela pergunta e odiava os rumores loucos que corriam entre as crianças. O pop star lembra à Bashir que sua voz é um tenor natural, explicando que seu avô era um tenor, e que os cantores de maior sucesso são tenores. “Eu nunca vi uma pílula de hormônio feminino na minha vida”, Jackson disse, “Eu nem sei com o que parece.”
Bashir fica curioso sobre o interesse de Jackson em Peter Pan e pergunta por que o personagem de J.M. Barrie é uma grande inspiração para o cantor.
Jackson explica que Peter Pan representa algo muito especial em seu coração: a juventude, a infância e o fato de nunca crescer. Ele insiste que ama a ideia da magia e do vôo, e admite que maravilha e magia são coisas “que eu nunca vou me separar”.
Bashir pergunta se Jackson não quer crescer.
“Não. Eu sou Peter Pan”, Jackson fala.
Mas… “Você é Michael Jackson!”, Bashir rebate.
Eu sou Peter Pan no meu coração.”, Jackson lhe diz.
Michael fala sobre a música e a dança que cria e explica que “vem daquele lugar de inocência”. Ele conta à Bashir sobre uma árvore especial em Neverland, sua “árvore da sorte.”, que inspirou muitas de suas canções, incluindo Heal The World e Will You Be There. Ele fala sobre a árvore ser um local para meditação e criar músicas.
Bashir quer saber por que, se Jackson é tão inspirado por Peter Pan, algumas de suas músicas são “tão adultas”.
“Bem, isso é verdade, mas as minhas músicas simplesmente vêm. Eu não penso em nada disso”, Jackson lhe diz, “É como eu sei que a música é do espírito, ela realmente é.”
Bashir pergunta sobre Neverland, que ele chama de “um lugar extraordinário e de tirar o fôlego”. Ele pede à Jackson para explicar o que inspirou a criação de Neverland.
Jackson responde que foi inspirado por tudo o que tinha a ver com criança, dizendo que Neverland é um lugar onde recolhe todas as coisas que desejava poder fazer quando era pequeno.
Bashir pergunta por que, quando os portões são abertos, há música ambiente saindo do chão, de todos os lugares do rancho.
Michael fala sobre amantes de árvores e dizer que as pessoas costumam tirar sarro de quem conversa com as plantas, insistindo que tem se descoberto mais e mais que as plantas respondem a outros seres vivos. “As plantas, a grama e as árvores respondem à música”, afirma Jackson, “Elas têm emoção. Elas sentem. Elas têm sentimentos. Quando ouvem música, elas crescem mais bonitas. As borboletas vêm, as aves vêm.”
Jackson fala sobre a música ser uma força de cura e ter um efeito sobre a condição humana, observando que há uma razão para a música ser tocada em lojas de departamento e em elevadores, uma razão para a música ser tocada em negócios. Michael sabe que a música está lá pra manter os clientes no ambiente, pra manter todos de bom humor.
Bashir desvia o assunto, questionando sobre as estátuas de Jackson em toda Neverland, querendo saber se Michael considera manequins como seus “amigos.

Jackson confessa que vive com manequins em seu quarto porque eles parecem aliviar sua grande solidão. O superstar diz à Bashir que, no auge de sua carreira, durante Thriller, ele se encaminhava aos estranhos na rua e perguntava: “Quer ser meu amigo?”. Jackson diz que tudo o que ele queria era alguém que o amasse por quem ele era. Por nunca ter encontrado isso, Jackson se trancava em seu quarto e ficava com seus animais de estimação e seus manequins, como uma maneira de lidar com o isolamento.
Bashir parece confuso. O jornalista não consegue entender por que Jackson afirma que não tinha amigos.
Michael responde que a maioria das pessoas ao seu redor é gente do mundo da música. Ele fala sobre quando as pessoas “vêem Michael Jackson” e, de repente, “não são mais as mesmas”. Diante das câmeras, Jackson parece ansiar ter um papel na vida simples, cotidiana. Ele diz à Bashir que, muitas vezes, lê graffiti, apenas para descobrir como é a “normalidade”, “Porque é tão difícil de encontrá-la. Eu nunca tive isso”.
Numa conversa no intervalo das gravações, Bashir diz que o pop star é incrível e verdadeiramente inspirador. O jornalista assegura que essa franca entrevista de Jackson vai inspirar pessoas em todo o mundo. Enquanto uma mulher toca o rosto de Jackson, enquanto vão reorganizar a iluminação do local, Bashir elogia tanto Jackson quanto sua maquiadora, Karen. Tímido, Michael muda de assunto.
Jackson pergunta se Bashir gosta de andar de avião.
Bashir afirma que odeia e diz que as pessoas nos aviões bebem demais porque recebem álcool de graça (dando a entender que só voa de primeira classe).
Michael diz que gosta de conversar com as aeromoças, mas Bashir não acha que esse é um assunto que vale a pena discutir. Michael continua com o papo, provocando Bashir sobre as comissárias de bordo, mencionando que gostam do jeito que as mulheres cuidam dele. Mas o jornalista opta por ignorar o assunto.
Bashir lê um trecho de uma canção de Jackson, que diz que inspira muitas pessoas: “Você não está sozinho, pois eu estou aqui com você. Embora estejamos distantes, você está sempre no meu coração”. O jornalista pergunta à Jackson no que ele se inspirou para escrever esse tipo de poesia.
Jackson é humilde e explica à Bashir que não pode levar o crédito por essa música em particular, afirmando que o jornalista citou uma canção escrita por R. Kelly. Jackson diz que ajudou Kelly a criar a canção, certificando-se que a música foi estruturada corretamente, colocando toda a composição do conjunto.
Bashir elogia Jackson descaradamente e lhe assegura que a música é importante, servindo de inspiração para milhões de pessoas.
Jackson agradece o jornalista e fala sobre amar poder ver pessoas de felizes todos os cantos do mundo quando se relacionam com sua música. “De Rússia à China, da Alemanha à América, os jovens são todos iguais, em todo o mundo”, diz Jackson. O pop star explica que, onde quer que ele se apresente, os gritos da multidão acontecem nas mesmas partes, eles se animam nas mesmas partes.
“Há uma parte no show em que um grande tanque do exército aparece e eu o paro, e vem uma menina com uma flor. Este soldado sai do tanque e aponta a arma pra mim. O público vaia, em cada país que vamos.”, explica Jackson, “Então, quando a menina chega com a flor, todo mundo chora.”
Jackson fala sobre Earth Song, outra música que as pessoas do mundo inteiro respondem, sempre levando isqueiros e balançando as mãos. Ele conta à Bashir que, onde quer que cante Earth Song, o estádio todo fica iluminado. “Eles sabem do que a música trata… É sobre a Terra, é sobre o planeta. É sobre a conservação e a preservação”, diz Jackson, “E eles estão com ela. Eles querem. Eles querem curar o mundo, eles realmente querem.”
Mais de uma vez, Bashir pergunta se Jackson não se sente só.
O pop star fala que muitas vezes se sente sozinho em hoteis, mesmo quando há milhares de fãs gritando por ele na rua. Mesmo quando os fãs cantam seu amor por ele, Michael descreve a experiência como algo que o faz chorar: “Há tanto amor lá fora. Mas, ainda assim, você se sente realmente preso e solitário. E você não pode sair.”. Jackson conta sobre as poucas vezes em que sai e como é examinado por todos ao seu redor. “Por que Michael Jackson comprou isso? Por que ele está lendo isso?”. Ele menciona raras ocasiões, quando vai à clubes, em que os DJs sempre tocam sua música, e as pessoas começam a cantar e dançar pra ele, o que, em certo sentido, faz com que o trabalho comece de nove.
Bashir pergunta repetidas vezes se Michael gostaria de levar uma vida normal, se ele deseja poder ir ao supermercado da cidade.
Jackson responde que adoraria ir a um mercado, pegar um carrinho e jogar os produtos nele, e ri quando explica que tentou fazer compras num supermercado, mas o lugar inteiro parou, todo mundo queria autógrafo.
Bashir quer saber se ficar sozinho deixa Jackson “obcecado com as coisas”.
Michael fala sobre como é difícil ser julgado o tempo todo, ter todo mundo o julgando. As pessoas perguntam por que Michael Jackson está visitando a casa deles, as pessoas perguntam por que Michael Jackson escolhe determinadas famílias e estabelece amizade com elas. “Bem, você quer estar em algum lugar! Você quer estar com alguém! E você é vigiado, julgado”, explica Jackson, “E é como: „Me deixe em paz. Eu só quero tentar me encaixar‟ [ele encolhe os ombros]. Você entende?”
Bashir pergunta se Jackson lamenta ser famoso.
Michael diz a ele que o que mais lamenta é a questão das pessoas mentirem sobre ele. Jackson fala sobre as pessoas repetirem coisas que “não são completamente verdadeiras” e indica que doi quando é visto como alguém que não é de verdade. “Você pode ver nos olhos deles. As pessoas olham através de você – não para vê, mas através de você”, explica ele, “Ficam pensando toda essa baboseira. É tudo tão longe da verdade. Isso machuca.”
Bashir questiona o que pergunta Michael sobre seu futuro.
Jackson diz que espera que, depois de seu documentário, as pessoas possam ser colocadas de volta aos trilhos. É irônico ver Jackson afirmar especificamente: “Mesmo depois dessas conversas [com Bashir], ainda haverá um julgamento bem longe da verdade”.
Fora das gravações, Bashir conversa com Michael e sua maquiadora. O jornalista diz que tudo o que Michael está revelando é “tão importante”. Ele fala à Jackson o quanto as pessoas querem ouvir o que ele está dizendo. Enquanto Karen reaplica a maquiagem do cantor, Bashir fala repetidas vezes sobre a grandeza de Michael.
Então, ao lado da maquiadora, com Michael ouvindo atentamente, Bashir sussurra: “Ouça-me, Karen. Três semanas após a morte da Princesa Diana, fui convidado pra uma reunião com um editor de fama internacional. Ele me ofereceu mais de um milhão de libras pra que eu escrevesse um livro”. Bashir explica que foi pego numa limusine e levado para o Claridges, um hotel chique, onde a Rainha costumava fazer seu café da manhã. Num sussurro, Bashir confessa que quando chegou ao Claridges, um editor lhe pediu para escrever um livro sobre Diana, e o homem mostrou um contrato, como se pressionasse o jornalista com a grande quantidade de dinheiro oferecida.
“Eu estava como… Ganhava apenas 50 mil dólares na época”, Bashir conta à maquiadora. Mas nem Michael nem Karen responderam.
E a gravação é cortada.
Enquanto as câmeras de Bashir são ligadas de novo, o jornalista quer continuar de onde parou. Ele questiona sobre a estranha vida de isolamento de Michael e pergunta sobre “a violência do pai” e “a pressão pra se apresentar”.
Jackson lembra uma época em que era muito jovem, com 11 ou 12 anos, e que estava sob contrato com a Motown; ele tinha que ir ao estúdio de gravação pra fazer álbuns, com uma turnê de verão se aproximando. O pop star fala sobre um parque do outro lado da rua do estúdio. Jackson lembra que conseguia ouvir as crianças se divertindo, brincando, jogando bola. “E algumas das vezes, eu queria tanto ir lá e jogar pelo menos um pouquinho, e não ter que ir pro estúdio pra gravar. Apenas, sabe, me divertir com as crianças.”, Jackson confessa, “E eu não podia. Eu simplesmente não podia.”
Bashir pergunta se aquilo teve algum efeito sobre Jackson, não poder sair e brincar como uma criança.
Jackson diz que a experiência o deixou triste, afirmando que, quando pequeno, ele costumava se esconder em sua casa ou em seu quintal. Ele conta ao jornalista que sua mãe precisava caçá-lo, já que ele não queria sair de casa. “Eu não queria ter que ir [em turnês].”, Michael admite, “Eu queria ficar em casa e ser normal.”
Bashir pergunta Michael sobre o que ele pensa de seu pai, questionando se, Joe não tivesse sido duro demais, Michael não alcançaria tanto sucesso.
Jackson diz que não há verdade nisso, mas repete que ele ama se apresentar e cantar. Ainda assim, o pop star admite que houve momentos em que não queria se apresentar. “Eu só queria me divertir, saber como é ter amigos. Ou como é uma festa do pijama. Ou um aniversário. Coisa que nunca tivemos. Ou um Natal, que também nunca tivemos.”
Bashir elogia Jackson como o artista “que está escrito, na verdade, na melodia de nossas vidas”. O jornalista diz à Michael que sua música “formou o meu desenvolvimento romântico”. Martin Bashir age dissimuladamente, perguntando por que uma pessoa que trouxe tanta felicidade ao mundo tem que ser tão excessivamente criticada pelos outros.
Jackson responde que não consegue entender a constante crítica que recebe, explicando que tudo isso é muito doloroso pra ele, dar todo o seu coração apenas pra ver as pessoas sendo crueis. Michael não entende por que as pessoas são tão más com ele, especialmente quando tudo o que ele quer fazer é dar um pouco de felicidade e escapismo aos outros. “Por que prejudicar o cara que quer trazer um pouco de sol pra sua vida? Por que?”, o pop star questiona, “Eu não entendo.”
Bashir menciona as duras críticas recebidas por Jackson, principalmente sobre as cirurgias plásticas. O jornalista nota que todos os tipos de pessoas fazem “esse tipo de coisa”, perguntando por que a questão da cirurgia plástica se tornou uma questão tão pública para Jackson.
Michael diz que as celebridades fazem cirurgias plásticas o tempo e todo e parece ofensivo a imagem que a mídia passa sobre ele ser alguém obcecado com cirurgias plásticas. Jackson afirma que não fez a quantidade de cirurgias que as pessoas falam, insistindo que seus olhos nunca foram mexidos, que as maçãs do rosto são suas mesmo e seus lábios também.
Bashir pergunta se Michael pode sempre fazer qualquer coisa certa.
Jackson diz que não importa o que ele faça, sempre haverá alguém pra dizer algo negativo sobre ele. O cantor fala que não importa quão boas sejam suas intenções, haverá sempre alguém mesquinho que tentará derrubá-lo.
Bashir pergunta sobre algo que é um “segredo”. É chamado Feriado Internacional das Crianças, e é a visão de Jackson, algo que ele espera ajudar a materializar.
Michael fala menciona o fato de celebrarmos o Dia das Mães e o Dia Dos Pais, e diz que deveríamos celebrar o Dia das Crianças. A visão de Jackson é ter esse feriado comemorado no mundo inteiro. Ele vê isso como uma festa, um dia de folga da escola, em que os pais podem passar o dia levando os filhos ao parque, à praia, à loja de brinquedos, e simplesmente fazer o que a criança deseja.
“Se eu tivesse um dia como esse quando pequeno, quando estivesse crescendo, meu relacionamento com meu pai seria totalmente diferente”, Jackson confessa, “Eu nunca brinquei com ele. Ele nunca brincou comigo. Nada de jogos ou brincadeiras. Se ele fosse forçado, mesmo num feriado, se tivesse dito: „Ok, Michael, é Dia das Crianças, quer ir a uma loja de brinquedos?‟, o meu sentimento por ele seria totalmente diferente.”
Jackson fala sobre os crimes que vemos nas escolas atualmente, e afirma que esses crimes são uma forma de chamar atenção e que, muitas vezes, as crianças são negligenciadas. Ele insiste que se elas tivessem mais amor e atenção em suas vidas, não haveria tremenda raiva dentro delas.

Bashir menciona que uma das coisas que eles pretendem fazer é ir à África, pra uma determinada região onde muitas crianças não chegam ao seu 5º aniversário por causa da Aids. Ele quer saber o que um Feriado Internacional da Criança pode fazer por essas crianças africanas.
“Essas crianças da África?”, Jackson pergunta, “Oh, cara, levaria muito de você a uma criança, se eles tivessem apenas uma hora. Eu vi crianças doentes terminais se iluminarem de alegria. Eu vi crianças que só tinham mais uma semana de vida. Elas estavam me dizendo que tinham câncer em todo o seu corpo. E eu falei: „Deixe-me cuidar dessa criança, deixe-me simplesmente lhe dar um pouco de tempo comigo‟. E elas vêm pra Neverland.”
Enquanto estudavam Jackson na tela, as pessoas ficaram hipnotizadas. Alguns membros do júri pareciam atordoados ao ouvirem Michael dizer que tinha visto pacientes com câncer se curarem completamente. Jackson faz referência a um menino voltar a ter seus cabelos pretos e se livrar por completo de seu câncer após visitar Neverland.
Michael diz à Bashir sobre o poder do amor e da oração.
Então, Bashir fala: “Corta!”.
Com suas câmeras desligadas, Bashir pega a mão de Jackson pra agradecê-lo por ser tão “especial”. Ele promete que vai contar às pessoas a história da vida de Michael. O jornalista elogia Jackson por se importar com crianças negligenciadas, e, continuamente, pergunta por que a mídia mostra apenas coisas negativas sobre o ícone pop. Bashir continua a falar sobre como é maravilhoso assistir Michael elevar o espírito das crianças.
Enquanto os dois homens esperam as câmeras se ajustarem e a maquiagem ser retocada, Michael pergunta à Bashir se gosta de viver na Inglaterra. Bashir diz que prefere morar em Roma, e Michael fala que ama Roma, embora não consiga lidar com os paparazzi que o seguem em bicicletas. Enquanto Michael está sentando calmamente, esperando pelas câmeras e pela iluminação, o pop star comenta sobre o Papa João Paulo II, questionando sobre sua saúde. A menção do Papa João Paulo II estimula a conversa sobre a história do papa e da Igreja Católica:
Jackson: Eles não se casam, né? Eles são casados com Deus?
Bashir: Sim. Mas, claro, o problema é… Veja o que todos os sacerdotes têm feito…
Jackson: Sim, com as crianças. Eles estão em problemas.
Bashir: Eles estão em problemas, grandes problemas.
Jackson: Oh, sim.
Bashir: Problemas, grandes problemas.
Jackson: Porque eu sei que as mulheres, as freiras, são casadas com Deus. Os homens também.
Bashir: Sabe, estima-se… A Vanity Fair fez uma pesquisa recentemente, e estima-se que 60% dos padres da Igreja Católica abusaram sexualmente de pelo menos uma criança. 60%… Entende o que eu quero dizer?
Jackson: Sério:
Bashir: Escondendo-se atrás da Igreja! E você sabe que havia um cara que foi transferido pra várias igrejas, e os bispos… Ninguém assumia a responsabilidade.
Jackson: Onde ele estava…? Em Roma…?
Bashir: Não, ele era da América. Ele era transferido para diferentes estados.
Jackson: Isso acontece muito com os mórmons.
Bashir: Oh, grande estilo!
Em seguida, as câmeras de Bashir começam a gravar novamente e o assunto é ignorado.
Bashir quer falar sobre “um dia muito especial em Neverland”, quando Jackson recebeu uma centena de crianças que não precisaram gastar um centavo, que não foram negadas coisa alguma, que curtiram as instalações do rancho o dia todo.
Jackson explica que ele faz trabalho de caridade com as crianças há muitos anos, mesmo quando ele ainda era pequeno. Michael fala que sempre ouviu que a verdadeira caridade é quando você dá de coração, e diz que ama fazer as crianças sorrirem. Jackson sente que está fazendo o que deveria fazer, dizendo à Bashir que todos deveriam ajudar as crianças.
Bashir quer saber mais sobre a “ligação especial” de Jackson com as crianças.
Michael fala que vê Deus através das crianças, explicando que tudo o que faz – desde as apresentações, as composições de músicas à coreografias e criações de clipe – é tudo inspirado por elas. “Eu já disse antes e digo outra vez: se não fossem as crianças, eu jogaria a toalha. Porque eu não me importaria mais. De verdade. Eu não me importaria mais, eu não teria mais nenhuma razão pra viver”, Jackson confessa, “Tudo em meu coração é pra elas.”
Bashir questiona sobre os animais de Jackson, perguntando se eles também têm um impacto sobre o pop star. Michael explica seu amor pelos animais, e Bashir o pergunta o que aconteceu com Bubbles, o chimpanzé.
Jackson diz que dissera aos seus treinadores que Bubbles deveria ser tirado de Neverland quando chegou a certa idade, porque os chimpanzés se tornam muito agressivos. Aparentemente, eles são muito fortes e podem se tornar perigosos. Michael fala que lamenta ter deixado Bubbles ir embora, e diz que o chimpanzé pode viver até os 60 anos de idade. Ao descrever sua proximidade com Bubbles, Jackson traz à tona a estranha ideia de querer fazer uma “festa de celebridades animais” para Bubbles. O Rei do Pop conta à Bashir sobre seu plano de convidar Cheetah, o chimpanzé de Tarzan, assim como Benji, Lessie e outras estrelas animais de programas de TV para participarem da festa de Bubbles.
A ideia de uma festa para animais, mais tarde, causaria muitos “risinhos” entre o pessoal da imprensa. Mas, como o resto da filmagem dos bastidores, nenhum desses detalhes chegariam ao público. Era estranho que ninguém dissesse nada sobre as táticas de Bashir, que foram expostas claramente no tribunal. Quando os repórteres relatavam seus noticiários, o assunto de Bashir e as filmagens dos bastidores nunca apareciam.
Bashir pede à Jackson para voltar ao assunto das crianças, e afirma ter visto “uma interação muito especial” entre Jackson e seus filhos, afirmando que “foi um privilégio” e “uma aula” ver Michael em seu papel de pai.
Michael fala sobre a relação com os filhos, ele pode conversar com “os dois, porque eles não te julgam”. Jackson diz que se importa com as crianças porque elas só querem se divertir, o que é algo que ele consegue entender. O artista comenta que, uma vez, ele começou a perceber o quanto tinha perdido quando pequeno e também começou a desenvolver um forte amor pelas crianças.
Bashir pergunta se ele encontrava o tipo de amizade com as crianças que ele não consegue encontrar com os adultos.
Jackson admite que, sim, ele prefere as crianças aos adultos, já que nunca fora traído ou enganado por uma criança. “Os adultos já me decepcionaram. Adultos já decepcionaram o mundo.”, afirma Michael, “É a hora das crianças agora. É hora de dar uma chance a elas. Como a Bíblia diz: „As crianças devem ser os líderes de todos eles‟”.
Bashir pergunta diversas vezes por que as pessoas criticam Jackson.
Michael responde que as pessoas que o criticam são ignorantes, que não se importaram em descobrir a verdade. Ele diz que há pessoas com mentes corruptas, que não conseguem ver o maravilhoso tempo que ele passa com as crianças como algo simplesmente puro. Jackson sente pena dessas pessoas.
Mais uma vez, Bashir quer saber o que as crianças significam pra Jackson.
“As estrelas, a lua, o universo. Mas quero dizer, todas as crianças, não apenas os meus filhos. Eu não sou territorial”, ele responde ao jornalista. Michael faz um circulo com as mãos, dizendo à Bashir que sempre sentiu ser sua responsabilidade cuidar dos outros. Ele explica que leva sempre seus filhos a hospitais. “Eu vou tanto a hospitais quanto faço shows, sabe? E eu não espero que a imprensa divulgue isso, mas eles simplesmente não querem divulgar, sabe? Eu tenho feito isso há anos.”, diz ele, “Eu levo brinquedos pra elas e arrumo tudo… Eu as surpreendo.”

Bashir, no intervalo de sua gravação, diz à Jackson que o que ele falou sobre como cuidar das crianças do mundo é “a jóia da coroa”. O jornalista elogia Michael por se expressar tão lindamente e o lembra por que é tão importante fazer esse documentário, dizendo: “As pessoas são a escória, e existe tanta inveja. O problema é que ninguém realmente vem aqui pra ver. Mas eu vi isso aqui ontem, o espiritual… E o que eu queria transmitir é a sua genialidade e também que vimos [em Neverland com as crianças] ontem.”
A fita termina.
Quando a entrevista final de Bashir com Michael Jackson é exibida, é a gravação de meses após a primeira, e os dois homens estão no quarto de um hotel em Miami. Michael parece estar um pouco apressado, à caminho de um funeral de uma lenda musical. Bashir se oferece pra escrever uma “coisinha para o pop star falar na ocasião triste, e Michael aceita a ideia educadamente, embora tenha parecido que o Rei do Pop não pretendia usá-la.
Michael parece solene. Ele recomenda a seu cinegrafista que pegue imagens de Bashir fazendo as perguntas. O jornalista brinca que ele sozinho vale uma única foto que pode custa 5 mil dólares a Jackson. Enquanto Michael aplica pó no rosto, todos os celulares e os telefones do quarto são desligados e, antes que as gravações comecem, Jackson canta suavemente uma melodia.
Bashir pergunta à Michael se ele lembra a letra da canção With a Child’s Heart.
Mas Jackson diz que não se lembra de tê-la gravado. Ele era muito jovem e havia tantas músicas. Ao falar, Michael balança a cabeça pra trás e pra frente, ajustando sua luxuosa camisa marrom de cetim. Ainda que elegantemente vestido, Michael é muito inibido e continua a se esquivar das câmeras, ajustando a camisa e o cabelo.
Bashir questiona por que Michael acha que está qualificado para lidar a causa de um feriado internacional para as crianças.
Jackson responde que o feriado das crianças tem sido um sonho pra ele há muitos anos. Ele explica que não houve um protesto pelos direitos das crianças, e afirma que sente que o vinculo familiar foi quebrado. Michael fala sobre a era da tecnologia, lamentando o fato de as crianças gastarem muito tempo com videogames e computadores. O artista diz que o Dia Internacional da Criança seja um momento de reunião entre as pessoas (ele junta as mãos) e totalmente dedicado às crianças.
Michael fala que acha que está qualificado pra liderar essa causa porque ninguém faz nada a respeito. “Elas são o nosso futuro, e eu as adoro demais.”, Jackson insiste, “Eu quero lutar por elas, quero ser a voz dos que não têm voz”.
Bashir traz à tona o assunto das acusações de 1993 acerca de Jackson e um menino. O jornalista pergunta o que as pessoas vão achar, ouvindo Jackson falar sobre um feriado internacional para as crianças, quando elas ainda têm dúvidas sobre o que aconteceu naquela época.
“Elas não me conhecem. Tudo aquilo era falso. Eu nunca faria isso. (segura os braços) Eu cortaria o meu pulso antes de fazer mal a uma criança”, Jackson fala à Bashir, “Você não pode julgar alguém assim. Como uma pessoa consegue olhar pra imagem de alguém e dizer: „Eu odeio ele!‟”
Jackson diz sobre ser criado num mundo de adultos e explica que quando as crianças estavam brincando, ou indo dormir em suas camas, ele estava se apresentando em clubes às 3 da manhã, e o show de striptease vinha logo depois. Michael fala que não tinha amigos quando pequeno, que ele e seus irmãos trabalhavam, trabalhavam e trabalhavam. Jackson acredita que, por ter sido criado numa rigorosa religião, ele agora compensa o que nunca teve quando criança, como Natal e festas de aniversário. Ele diz que Neverland é um lugar onde as pessoas podem ver os animais e terem todos os tipos de diversão que Jackson fora privado antigamente.
“Há doces em todos os lugares”, ele fala, rindo, “É divertido!”.
Bashir menciona a riqueza de Jackson, mas afirma que o pop star parece não ser capaz de realmente aproveitá-la.

Michael fala que ele aproveita sua riqueza através de seus filhos. Ele diz que só pode aproveitá-la atrás de seus portões, explicando que quando tenta sair pra se divertir, “Tudo volta a ser trabalho”.
Bashir quer saber se Jackson acha que seu talento é um trabalho.
Michael diz que não é trabalho, e comenta que se torna “um” com sua música, sua dança, explicando que, se um artista fica pensando o tempo todo, ele não consegue se aproximar de sua arte da melhor forma possível. O cantor fala que percebe quando um dançarino está contando (ele faz alguns passos de dança), e diz que a contagem e o pensamento são os conceitos errados de dança. Jackson diz que a música e a dança são sobre sentimentos, sobre como se tornar um com os instrumentos. “Você precisa sentir. Torne-se o baixo. Se torne o violão, as cordas.”
Bashir diz à Jackson que, depois de todo o tempo que passaram viajando juntos, ele sente que o pop star é muito solitário. O jornalista fala que está “preocupado” com Michael e pergunta se o cantor costuma se sentir feliz.
Jackson confidencia a Bashir que muitas coisas o deixam triste, é por isso que quer Neverland seja sempre um lugar feliz. Michael diz que doi ver notícias sobre crianças se matando, sobre criança usando armas, sobre a violência nas escolas públicas, afirmando que não assiste aos noticiais porque não consegue ouvir relatos sobre crianças seqüestradas e mortas.
“Isso simplesmente me mata, esse tipo de coisa. Então, eu tento não prestar atenção nas notícias”, confessa Jackson, “Eu sinto aquela dor. Eu sinto que… (ele põe as mãos sobre o peito) Eu sinto.”
Bashir implica que o entretenimento é a única coisa que pode fazer Michael feliz.
Jackson responde que ama se apresentar mais do que tudo. “É provavelmente porque eu passei toda a minha infância no palco.”
Bashir percebe que Jackson se cercou de pessoas que só dizem “sim” e pergunta se isso é saudável. O jornalista dá o exemplo da época em que eles estavam na Alemanha, ressaltando que ninguém disse pra Jackson não pendurar seu bebê naquela varanda.
“Minhas governantas estavam lá em cima. E eu estava segurando o bebê bem forte. E eu sei mais…”, Jackson insiste, dizendo à Bashir que vê pais arremessarem e pegarem seus filhos, assegurando que o que fizera não fora nada errado. Ele fala que só estava tentando dizer olá pros fãs alemães, que pediam para ver o novo bebê, e afirma que decidiu mostrar Blanket por um minuto para que eles pudessem ter uma noção do bebê. O cantor também diz que a imprensa passava essa cena bem mais devagar, propositadamente, para um efeito dramático.
“Eu fui pego pelo momento. Eu estava segurando com força. E aconteceu, tipo, durante dois segundos. Mas quando aparece na TV, eles mostram beeeeem devagar…”, diz Jackson, movendo suas mãos em câmera lenta. “Eles me fazem parecer um idiota excêntrico, balançando o bebê numa varanda, como um doido. Eles não mostram a história por completo”.
Bashir cita um jornal que diz: “Depois do ocorrido em Berlim, as pessoas estão preocupadas com o bem-estar dos filhos de Jackson”.
“Eles não me conhecem”, diz Jackson, “Como eles podem dizer isso quando não me conhecem?”
Sarcasticamente, Bashir pergunta se Michael está realmente “feliz” por ter balançado o bebê sobre a varanda.
“Eu não estou feliz por ter balançado o bebê sobre a varanda, não. Mas estou feliz por ter deixado as crianças acenar pra ele”, Jackson comenta, “Eu não percebi que ele estava sobre a varanda. Mas eu estava segurando ele muito forte. Eu não ia deixá-lo cair. Eu não sou um idiota. Eu sou muito inteligente. Você não pode chegar tão longe em sucesso e ser um idiota. (ele ri) Você pode cometer erros. Mas isso não foi um erro.”.
Atestando à Bashir que não havia nada de errado no que fez, que não havia nada de errado em ir para uma varanda e acenar com seu filho, Jackson insiste que, se qualquer outra pessoa tivesse feito isso, se fosse qualquer outro artista do mundo, “Ninguém teria falado nada.”
Bashir volta a perguntar sobre o que aconteceu em Berlim. O jornalista menciona que o bebê foi coberto por Jackson, que os fãs acabaram não vendo a criança.
Com isso, Jackson levanta a voz, dizendo à Bashir: “Eu não quero um bebê Lindbergh. Alguém raptou o bebê Lindbergh. Alguém o levou pra floresta e o queimou até a morte. Eu não quero que isso aconteça com os meus filhos, então, eu coloco véus neles. Eu não quero que as pessoas os vejam. A imprensa… Ela pode ser muito má. Eu não quero que eles cresçam psicologicamente malucos por causa da maldade que possam ouvir.”
Bashir desvia o assunto para algo mais leve e lembra Jackson que quando eles estavam no hotel em Berlim, o pop star jogou alguns travesseiros para os fãs.
Jackson conta ao jornalista que sempre manda cobertores e travesseiros, já que as pessoas dormem lá fora e, muitas vezes, está frio. Michael fala que pede aos seus seguranças que comprem 10 ou 15 pizzas, lanches e que mandem para os fãs, pois se preocupa com eles. Enquanto falava, Jackson batia a mão no joelho, como se estivesse se movendo ao ritmo da música de dentro da sua cabeça.
Obviamente, Bashir não fica em seu tema “tranquilo” por muito tempo. Logo, ele leva Jackson de volta à sua adolescência, mencionando fotos da juventude do cantor que mostram seu rosto com muitas espinhas.
“Sendo tímido do jeito que sou, e do jeito que era, foi ainda pior. Foi terrível. Era como uma doença [as espinhas no rosto]. Foi tão ruim. E u não conseguia passar por uma porta”, Jackson admite, confessando à Bashir que, naqueles dias, ele não conseguia ir à um encontro sem chorar atrás de uma porta fechada. Para o jornalista, o cantor fala que não sabia como lidar com as pessoas em reuniões de negócio e que sempre se sentia “um peixe fora d‟água”.
Bashir afirma que o que Jackson fez para “superar” sua timidez e seu embaraço sobre como se via no espelho foi mudar sua aparência.
Jackson nega ao jornalista que sua aparência tenha mudado drasticamente, dizendo que o que as pessoas vêem como uma mudança “se chama adolescência”.
“Se chama „mudar e crescer‟. Eu não fiz nenhuma cirurgia plástica no rosto – apenas no meu nariz, e me ajuda a respirar melhor e consigo atingir notas mais altas”, ele insiste. O ícone pop diz à Bashir que a mídia relata muitas mentiras sobre ele e repete que não fez nada nos olhos, no queixo ou nas bochechas. Ele menciona outras estrelas que fizeram cirurgias no nariz, entre elas, Marilyn Monroe e Elvis Presley, e pergunta por que a imprensa o escolheu quando há outros que já fizeram muito mais plásticas.
“Eles só me escolhem”, diz Jackson, erguendo as mãos. “Cher tem feito tanta coisa – seu traseiro, o nariz, os dentes… Ninguém a incomoda, e eu amo a Cher. Eu amo ela. Costumamos cuidar da nossa pele juntos.”
Bashir não acredita que Jackson fora honesto ao dizer que só tinha feito somente uma operação.
“Não, não, não”, Michael esclarece, “Eu fui gravemente queimado e tive que fazer uma cirurgia pra isso. Mas no meu nariz, só fiz duas cirurgias.”
O jornalista menciona fotos de Jackson do passado, afirmando que elas estão muito diferentes.
“Não, não, não. Eu pareço o meu avô”, Michael levanta a voz novamente, “A cirurgia não foi inventada para Michael Jackson. Todo mundo faz cirurgia plástica.”. Ao falar, ele bate as mãos como numa batida musical e parece irritado.
Bashir pergunta sobre as pálpebras de Jackson, sugerindo que algo fora feito para dar um olhar mais feminino à Michael.
“Nada foi feito nos meus olhos, nunca.”, ele responde, explicando que, por ter feito o nariz, por ter puxado o nariz, seus olhos pareciam maiores.
Martin Bashir pergunta sobre as maçãs do rosto.
“Essas maçãs do rosto? Não! O meu pai tem a mesma coisa”, Michael fala, “Temos sangue de índio.”
O jornalista agora questiona sobre a covinha no queixo.
“Podemos parar de falar sobre esse lixo de cirurgia plástica?”, Jackson pede, exasperado. “Isso é coisa de tablóide. Você está além disso. Você é um jornalista respeitado. Você está usando assunto de tabloides. (pausa) É estúpido.”
Bashir volta o assunto de Joe Jackson, lembrando Michael sobre sua infância e a forma como falou sobre querer fugir de seu pai.
“Eu me escondia, eu costumava me esconder. Ele não sabe disso até hoje, mas, eu entrava numa sala e ele estava lá, e eu desmaiava”, Michael confessa, dizendo a Bashir que, quando se trata de Joe, ele acha que seu pai não percebe o quanto o machucou e o assustou. Jackson chama o pai de gênio, mas, de alguma forma, parecia morrer de medo dele.
Bashir relembra que Joe o machucou quando ele era pequeno.
Michael o responde que talvez ele não tivesse esse nível de afeição por crianças se seu pai o criasse de uma maneira diferente.
Bashir diz que algumas pessoas pensam que, talvez por ter saído de uma infância traumática, Jackson era um homem tão obcecado com o rosto.
“Bem, eu sei o que está dentro da minha cabeça”, Michael fala em voz baixa, “Isso é tudo.”
Bashir questiona se Jackson acha que as pessoas vão longe demais com a cirurgia plástica.
Michael diz que está tudo bem, que ele não tem nenhuma opinião real sobre o assunto, afirmando que praticamente todos em Hollywood, que praticamente todos os artistas, têm alguma cirurgia feita.
Ainda insistindo no assunto da cirurgia plástica, Bashir pergunta por que Jackson é tão apontado pela mídia sobre essa questão.
“Barbara Walters acabou de esticar o rosto de novo. Ela nunca fala sobre isso. E você pode notar, basta olhar pra ela.”, Jackson diz à Bashir, listando algumas outras pessoas que tinham feito lifting facial recentemente, incluindo Mick Jagger e Paul McCartney.
Bashir quer saber por que Jackson é tão defensivo.
“Eles me escolheram”, ele responde, “Como se eu fosse o único a fazer isso.”
Quando fazem mais um intervalo, Bashir fala pra Jackson: “Bebe um pouco de água, chefe.”. O jornalista promete novamente a Michael que fará o melhor trabalho possível, o que sugere que está dando à Jackson a plataforma perfeita para esclarecer todas as dúvidas do povo através da cooperação com esse documentário.
Jackson relembra Bashir para entrevistar Elizabeth Taylor, e o jornalista age como se conhecesse o relacionamento de Michael com Liz. No entanto, quando Jackson o pergunta se falou com Liz, Bashir admite que só conhece uma coisa que Elizabeth Taylor falou sobre Jackson em público.
Pouco antes das câmeras de Bashir começarem a gravar novamente, o jornalista promete marcar uma entrevista com Elizabeth Taylor, mas isso nunca aconteceria.
Martin Bashir pede à Jackson para descrever sua amiga, Liz Taylor, e sugere que o público vê Jackson e Liz como “dois malucos” que são grandes amigos.
“Isso não é bom. Por que um cara mais jovem não pode ser legal com uma senhora mais velha? Tivemos a mesma infância. Temos tanto em comum. Nós tivemos a mesma vida. Tivemos que atravessar o sistema da mesma forma”, Jackson confessa. O cantor diz à Bashir que se relaciona com Liz porque ela é como uma menininha de coração, dizendo que a ama até a morte.
Bashir lhe pede para falar sobre Paris e Prince, e sobre o crescimento dos filhos de Jackson.
Jackson responde que eles riem o dia inteiro e que são carinhosos. Ele fala que tem filhos maravilhosos.

O jornalista pergunta por que Prince disse uma vez que não tinha mãe.
“Como muitas, muitas outras mães tem filhos sem pais? Isso acontece muito e não parece tão ruim”, diz Jackson defensivamente, “O pai também deve ter essa oportunidade.”
Bashir pergunta se Jackson sabe qual o papel que Debbie Rowe quer ter na vida de seus filhos.
“Eu não quero falar muito sobre esse assunto.”, diz Michael, “Mas ela [Debbie] fez isso por mim. Paris foi nomeada Paris porque ela foi concebida em Paris. Prince foi concebido em Los Angeles, mas ela disse: “São seus, leve-os“. Ela queria fazer isso por mim, como um presente.”
Bashir pede que Jackson explique seu casamento com Debbie Rowe.
Jackson diz ao jornalista que, para um artista, é difícil ser casado e afirma que vai se casar novamente em algum momento, após ele superar os dois divórcios que passou. “Estou casado com os meus fãs. (Pausa) Estou casado com Deus. Estou casado com os meus filhos”.
Bashir termina a entrevista dizendo à Jackson que, quando vê Prince e Paris, “quase me faz chorar”.
Sou louco por eles. Eu morreria por eles.”, Jackson fala, “E eu gostaria de ter mais filhos, é claro.”

Para os observadores do tribunal, a gravação de Bashir parecia que não acabaria nunca. Havia tantas filmagens dos bastidores, todas deixadas no chão da sala do tribunal, e, enquanto assistia à entrevista de Jackson, o júri foi claramente tocado por sua franqueza, pelo seu espírito honesto, por seu comportamento pé no chão. Era óbvio que eles pareciam pensar que Martin Bashir foi injusto. Ao optar por omitir detalhes importantes, escolhendo inserir seus próprios comentários tendenciosos sobre a inocente gravação, Bashir apresentou ao mundo um retrato desequilibrado de Jackson.
Foi interessante notar que durante a exibição das filmagens dos bastidores, quando o pop star apareceu muito emocionado, pelo menos três jurados tinham lágrimas nos olhos. Uma jurada asiática, uma mulher de 40 anos, literalmente desatou a chorar quando Jackson falou sobre ser espancado quando criança.
Quanto à mídia, nenhuma das pessoas parecia tocada. Nenhuma delas era recém-chegada à “saga Jackson”. A imprensa estava cansada. Mesmo que conseguissem notar as táticas maliciosas de Bashir, estranhamente, nenhum repórter falou sobre isso. Foi estranho ver que nenhum repórter revelou alguma coisa sobre as táticas injustas de Bashir em seu noticiário.
De 220 jornalistas credenciados, apenas dois fizeram menção sobre a injustiça de Bashir: o Usa Today, que descreveu o estilo de entrevista do jornalista britânico como “indevidamente intrusivo”, e o New York Times, que se referiu à Martin como um “ganancioso insensível mascarado de simpatia”.

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Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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