Livro Man In The Music -Cap 2 – Thriller – The Girl Is Mine ,Thriller

3.                THE GIRLS IS MINE

(Escrita e composta por Michael Jackson;
produzida por Quincy Jones;
arranjos vocálicos por Michael Jackson e Quincy Jones.
Arranjos rítmicos por David Paich e Quincy Jones.
Sintetizadores programados por Steve Porcaro.
Sintetizador arranjado por David Foster.
Cordas arranjadas por Jerry Hey.
Vocais: Michael Jackson e Paul McCartney.
Concert master: Gerald Vinci.
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: Jeff Porcaro.
Piano elétrico: Greg Phillinganes.
Piano: David Paich. Guitarra: Dean Parks e Steve Lukather)

 

The Girl Is Mine” é geralmente considerada a faixa mais fraca do álbum.
Com a letra insipida e produção vulgar (que, na verdade, soa muito melhor nas demos de Jackson), ela, simplesmente, não tem o fervor e a profundidade de muitas outras faixas. É claro, a relativa deficiência dela foi ampliada por quê: (a) aconteceu de ela estar no álbum que seria o mais vendido de todos os tempos e, (b) apresenta dois dos mais significantes talentos na história da música moderna.

Mas há um charme zombeteiro em “This Girl Is Mine”: a melodia jovial, o “gostoso” refrão, o memorável one-liners (“Paul, eu acho que lhe falei, eu sou um amante, não um lutador”). Décadas depois, a cafonice disso parece ter uma piscada e um sorriso, enquanto a diversão simples dela evoca uma inocente nostalgia.
Ela também tem simples, mas lindos, ritmo e melodia.Como Paul McCartney explicou em 1982: “A música que eu simplesmente fiz com Michael, você poderia dizer que é superficial. Havia mesmo uma palavra – ‘gracinha’ – que eu não colocaria nisso.
Quando eu chequei com Michael, ele explicou que ele não estava procurando profundidade, ele estava procurando por ritmo, ele estava procurando por sentimento. E ele estava certo. Não é a letra que importa nesta música em particular – é muito mais o som, a performance, minha voz, a voz dele.” Na verdade, anos depois, os críticos continuam elogiando os vocais sem esforço de Jackson.

“A exaltação que Jackson dá à palavra ‘eternamente’ midsong pode fazer o ouvinte sentir como se estivessem nadando em um mar de *  ‘Loves Baby Soft’”, escreveu a crítica musical Ann Power.

Mas “The Girls is Mine” é mais significante, talvez, pelo que ela representa.
Em 1982, com a trágica passagem de John Lenon, dois anos antes, Paul McCartney era, sem dúvidas, o mais renomado cantor de música popular. Colaborando com a mais promissora estrela jovem, Michael Jackson, enviou a mensagem sobre onde a música estava indo. Eventualmente, a dupla gravou três canções juntos, duas das quais (o #1 hitSay Say Say e “The Man”) foram incluídas no álbum de Paul McCartney, Pipes of Peace, de 1983. Naquela época, Jackson considerou a experiência a mais destacada da jovem carreira dele. Neste caminho, “The Girls Is Mine” foi um tipo de simbólica passagem de tocha do lendário cantor Beatle ao, “muito em breve”, Rei do Pop.

A música também foi significante por causa da raça.
A segregação musical nas rádios continuava sendo norma no início dos anos oitenta com rock e R&B ocupando, na maior parte, mundos separados. Com “The Girl Is Mine” – uma música que apresentava o mais famoso artista negro e o mais famoso artista branco do mundo – muitas estações de rádio foram, finalmente, forçadas a reconsiderar a obsoleta categoria de programação delas. Que Jackson e McCartney estivessem abertamente competindo pela mesma garota fez disso um tabu ainda maior. Observou Jim Miller da News Week, em 1983, “[The Girl Is Mine] soa muito bonita e perfeitamente inócua – até você estar pensando sobre a letra. As estações de rádio americanas já tocou antes uma música sobre dois homens, um negro e o outro branco, brigando pela mesma mulher?” Isso foi uma nova concepção, na verdade (uma que é tomada por garantia hoje). Mas “The Girls Is Mine” ajudou a pavimentar o caminho para o amor inter-racial na rádio.

Nota da tradutora:

*Love Baby Soft é um perfume feminino suave e ligeiramente adocicado.
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4.                THRILLER

(Escrita e composta por Rod Temperton;
produzida por Quincy Jones.
Sintetizadores programados por Anthony Marinelli.
Instrumentos de sopro arranjados por Jerry Hey.
Vocais guias e backgrounds por Michael Jackson.
Efeitos: Bruce Swedien e Bruce Cannon.
Rap: Vincent Price.
Sintetizador: Brin Banks, Greg Phillinganes e Rod Temperton.
Guitarra: David Williams.
Saxofone e flauta: David Williams.
Trombone: William Reichenbach. Trompete e flugelhorn: Gary Grant e Jerry Hey)

 

 

É difícil pensar em outra música na história da música popular que evoque a apresentação visual dela tão completamente quanto “Thriller”. “Se alguma vez um vídeo matou a estrela do rádio” escreveu Baz Dreisinger, “foi ‘Thriller’”. Longe de matar a música, no entanto, Thriller a trouxe para uma vida nova.
O álbum vendeu o triplo depois da aparição dele na MTV. O vídeo atraiu as pessoas para a música e a música atraia as pessoas de volta para o vídeo. Eles logo se tornaram inseparavelmente ligados. O traço comum, é claro, era Michael Jackson. Ainda hoje, quando alguém escuta o famoso refrão, a imagem, instantânea, é de um jovem e radiante Jackson em elétricas jaquetas e calças vermelhas, circulando Ola Ray, em flerte, metamorfoseando-se em alteregos, dançando sem esforço, com graça e funk entre zumbis, enquanto projetava uma energia e magnetismo que ainda empurram através da tela.O revolucionário vídeo de quatorze minutos de Thriller, essencialmente, reinventou o meio. Vídeos musicais foram feitos antes. Mas não como este. Thriller foi o Cidadão Kane dos curtas-metragens.

Escrita para Jackson, por Rod Temperton, “Thriller” sempre foi concebida para ser “vista” além de ser ouvida. Ela deu ao álbum uma entrada dramática e narrativa teatral, que poderia ser tão literal ou figurativa quanto os ouvintes quisessem.
Alguns críticos sentiam que o tema de horror era muito extravagante e exagerado. Isso, no entanto, era a intenção de Jackson. Com o espetacular tema gótico dela, incluindo portas abrindo, soalhos estalando, lobos uivando e o macabro rap de Vincent Price, “Thriller” estava revivendo a Velha Hollywood. Mas como a Rolling Stone notou, este “charme extravagante” tornou “fácil deixar de lado as trevas insolentes, inerentes da música. Ela é, antes de tudo, uma música que começa como alguma coisa demoníaca espreitando da escuridão, [e] faz um breve intervalo na possessão do demônio antes de terminar com um exercito de zumbis descendo sobre a presa deles”.

Sonoramente, a faixa oferece tudo isto: drama, funk, um riff de brass explodindo, que uma vez esteve no “1999”, de Prince, e um dos refrãos mais famosos já cantado  (“ ‘Cause this is thriller!”) “Thriller” é quase tão épico quanto uma música pop pode ser”, escreveu o crítico musical Tyler Fisher. “A música extrai de Torre de Poder sons de trompetes e Funkadelic sensibilidade pop. O enorme afirmativa brass que guia a música para dentro do groove principal dela, simplesmente declara que “Thriller” planejava ir além dos limites do música pop.”

Por toda a grandiosidade de Thriller, há algumas nuances a ser apreciadas também. “Na introdução”, revela o engenheiro de gravação Bruce Swedien, “há uma pequena faixa rítmica que inicia a música e eu, propositadamente, limitei a banda nisso, assim, quando você a escuta, seu ouvido se ajusta a esta resposta espectral. Então, de repente, todo o baixo e arrasadora bateria vêm e o efeito é realmente sensacional”.

Nos versos, Jackson cuidadosamente constrói a tensão alongando a vívida representação de vagar ao longo de um curso transversal de sintetizador e guitarra, antes de explodir no refrão. A letra começa a formar um cenário assustadoramente grotesco, no qual o mal está constantemente “espreitando na escuridão”. O narrador se sente preso com “não há para onde correr”, e tem visões de mortos vivos “caminhando com seus disfarces”. Exatamente como no vídeo, o narrador tem uma identidade partida: a outra parte dele pega uma personalidade do “terror”, do “monstro”, que ameaça “aterrorizar toda a vizinhança”. “E quem for encontrado”, narra Vincent Prince, “Sem disposição para dançar/ Deve enfrentar os cães do inferno/ E apodrecer dentro de um cadáver”.

Para maioria dos ouvintes, porém, como o critico musical J. Edward Keyes notou, a letra é envolta em “espetacular funk-robô – na qual simples riffs de sintetizador de seis notas rolam mais e mais, inconfundivelmente e inesquecivelmente – que é fácil esquecer o esqueleto agachado nas sombras”. A música encapsulou perfeitamente o genial paradoxo do álbum: é tanto um espetáculo enormemente popular e divertido quanto um humorístico espelho negro que reflete as fascinações o os medos da sociedade.

Thriller” foi o sétimo e o último single lançado do álbum, alcançando a quarta posição na Billboard Hot 100 em 1984. Esse curta, que é um marco divisor, é mundialmente considerado como o mais incrível vídeo musical de todos os tempos.
Em 2009, Thriller se tornou o primeiro vídeo musical a ser introduzido no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso.

 Nota da tradutora:
Brass é qualquer instrumento musical de latão, bronze.

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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