Livro Man In The Music: Introdução V “Incorporando Mídia”

 

Um absorto Jackson na Bad World Tour dele.

Em uma parte não pequena, por causa dessa influência elétrica, o trabalho do próprio Jackson foi caracterizado pela fusão: de diferentes eras, diferentes estilos, diferentes mídias e diferentes gêneros. Em razão disso, avaliar o trabalho dele é mais que desafiante, pois eles nunca isolaram expressões.
Em Black or White, por exemplo, há elementos de rock clássico, R&B, rap e pop. Mas é também um curta-metragem que se desenha a partir de fontes tão díspares quanto a Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Geny Kelly; e a Do The Right Thing, de Spike Lee. Além disso, é uma rotina de dança que aproxima inúmeros estilos, de sapateado a hip hop e dança moderna. Para cada peça, há “um longo primeiro plano” que faz o trabalho dele parecer simultaneamente familiar (porque é historicamente informado) e novo (porque é uma fusão de formas muito únicas e criativas).

Quando se avalia a música de Jackson, é particularmente importante levar em conta a representação visual dela. Mais que qualquer outro artista antes dele, nós “vemos” as músicas de Michael Jackson, através das interpretações dele e vídeos. É quase impossível escutar faixas como “Thriller”, “Bad”, “Smooth Crmiminal” e “Black or White” sem visualizar os figurinos de Jackson, coreografia e narrativas cinematográficas. Alguns puristas da música, tanto dos anos 80 quanto de hoje, têm lamentado essa tendência de fusão de meios, sentindo que isso polui a integridade da música. Antes de Jackson, é claro, muitos outros artistas, incluindo Elvis Presley e Beatles, apresentaram as músicas deles visualmente em filmes e na televisão. Durante a maior parte dos anos 70, porém, a forma artística conhecida com “music-video” foi, essencialmente, uma ignorada ferramenta de promoção, realizando produções pobres, pequenos orçamento e narrativas ruins.

Em 1983, contudo, Jackson reinventou completamente as possibilidades. Billie Jean e Beat It iniciaram a transformação, substituindo montagens promocionais baratas por produções elaboradas, completamente concebidas, que continham narrativas fortes, visual e efeitos espetaculares e, é claro, a característica coreografia e movimentos de dança de Jackson. Depois veio o inovador vídeo de quatorze minutos de “Thriller”, o qual custou mais de meio milhão de dólares para ser feito e se tornou o vídeo caseiro em VHS mais vendido de todos os tempos. Thriller é, agora, quase universalmente considerado o vídeo musical mais influente da história.

Tal inovação nos meios continuaria por toda a carreira de Jackson, fazendo dele a definição de artista visual da geração MTV. Desde a pioneira atração 4-D, Capitain EO, ao espetáculo gótico de quarenta minutos, Ghosts, Jackson esteve sempre à frente, expandindo as possibilidades dos meios, enquanto inflamava a imaginação dos espectadores.
Na verdade, em retrospecto, como o crítico cultural Hampton Stevens notou, “A tradicional sabedoria convencional, repetida tantas vezes, de que os vídeos de Jackson fizeram a MTV e, daí, ‘mudaram a indústria da música’ é apenas metade da verdade. É mais como se a indústria da música tivesse infldo para abranger o talento de Jackson e se encolhido, de novo, sem ele.
Os vídeos não importavam antes de Michael e eles deixaram de importar quase no momento cultural preciso em que ele parou de produzir grande obra.”

Cantando além da linguagem

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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