Livro Man In The Music :Cap 3 – Bad

“Nós trabalhamos em Bad por muito tempo. Anos. No fim, valeu a pena, porque nós ficamos satisfeitos com o que nós tínhamos realizado, mas foi difícil também… Você pode sempre dizer, ‘Ah, esqueça Thriller’, mas ninguém nunca irá.”
 
MCHAEL JACKSON, MOONWAL, 1998
Capa de Bad
LANÇADO: 31 de agosto de 1987
PRODUTOR:Michael Jackson e Quincy Jones
NOTÁVEIS CONSTRIBUIÇÕES:
Bruce Swedien (engenheiro de gravação),
Matt Forger (engenheiro técnico), John Barnes (Ritmo, Sintetizador, arranjo de bateria, Christopher Currel (Synclavier/ sintetizador/ teclado), Larry Williams (programação de sintetizador/sax), Greg Phillinganes (sintetizador/arranjo), Stieve Wonder (vocais), Siedah Garret (vocais/compositora), Glen Ballard (compositor), O Coral Andraé Crouch (vocais), Steve Stevens (guitarra)
SINGLES:I Just Can’t Stop Loving You”, “Bad”, “The Way You Make Me Feel”, Man In The Mirror”, “Dirty Diana”, “Another Part Of Me”, SmoothCriminal”, “Leave Me Alone”, “Liberian Girl
ESTIMATIVA DE CÓPIAS VENDIDAS: 35 milhões

A reação inicial a Bad foi previsível.

Nada poderia alcançar o fenômeno Thriller.
No início do meio dos anos oitenta, Michael Jackson alcançou o auge do sucesso como um artista de gravação e entertainer, alcançando toda a honra, recordes e prêmios imagináveis. Em 1987, ele já estava sendo rotulado de“Wacko Jacko”, enquanto as pessoas especulavam selvagemente sobre a mudança da cor da pele dele, cirurgia plástica, câmera hiperbárica e os ossos do Homem Elefante. Esta mudança na percepção pública teve um enorme impacto na forma como Bad foi recebido. Muitos críticos e consumidores, simplesmente, não puderam separar a música da nova imagem e das histórias sensacionalistas.

Apesar das controvérsias, porém, Bad tornou-se um hit massivo mundialmente, produzindo um recorde de cinco hits número1 .Enquanto ele não podia alcançar o exagerado número de vendas de Thriller, ele vendeu mais que trinta milhões de cópias (dois terços das quais foram fora dos Estados Unidos), fazendo dele um dos álbuns mais vendidos dos anos oitenta.

Similarmente a o clássico Purple Rain de Prince, 1984– para o qual Bad pode ser visto como uma resposta parcial –, Bad é um álbum fantástico, tematicamente eclético, uma odisseia sonoramente inovadora. As músicas funcionam como cápsulas de sonho cinematográficas, levando os ouvintes de uma urbana estação de metrô (“Bad”) a uma corrida de carro (“Speed Demon”),de uma floresta da África (“Liberian Girl”)à cena do homicídio de uma jovem garota (“Smooth Criminal”).

A forma de linguagem livre de Jackson nos mantêm conscientes de que nós estamos na época de várias realidades,” observa Davitt Sigerson, da Rolling Stone, “o filme, o sonho que ele inspira; o mundo despertando que ele ilumina”. Sonoramente, Bad expande nas músicas de Thriller, usando “uma combinação de sons de bateria digital, o espesso teclado, linhas de baixo e outros elementos de percussão que pulsa como batimentos cardíacos e pancadas com punhos”.

Como último álbum de Jackson produzido com Quincy Jones, Bad contém uma das mais duradouras obras artísticas dele.
Ele não foi um colosso comercial como Thriller (como nenhum álbum de nenhum artista tem sido), mas criativamente, ela era uma saudável sequência.

Quando Michael Jackson estava preparando para lançar Bad, em 1987, a era Reagan estava chegando ao fim. Enquanto o presidente poderia sair com uma marca de mais de sessenta por cento de aprovação, o legado dele era híbrido: conservadores viam-no como um líder forte, carismático, que reanimou o orgulho e o poder da América, revigorou a economia, e acabou com a Guerra Fria. Outros sentiam que ele era um intelectualmente desafiado, preenchido por corporações, que supervisionou déficits inflacionados, regressão social e uma crescente fenda entre rico e pobre.

Afora qualquer perspectiva, Reagan foi uma presença cultural poderosa, cuja fala macia, imagem de caw-boy e aura de avô, que lembrava as pessoas de uma imaginada “era de ouro” na América. A famosa campanha dele “Manhã na América” falou à nostalgia das pessoas pela a pré-estabilidade e simplicidade de 1960.

Se Ronald Reagan representava o conservador desejo da América no passado, outro grande ícone da década, Michael Jackson, porém, representava algo bem diferente. Na verdade, quando os dois se encontraram, em 1984, o contraste não poderia ter sido mais evidente. Reagan era velho e branco; Jackson era jovem e negro; Reagan era impassível e masculino, Jackson era elegante e feminino; Reagan vestia um escuro terno corporativo, Jackson vestia uma brilhante jaqueta azul sargento Pepper, de estilo militar, com uma guarnição dourada, lantejouladas meias, óculos escuros de aviador e uma luva de lantejoulas. “Houve alguma vez um encontro mais surreal de opostos” preguntou o crítico cultural Paul Lester,“que aquele entre o pop star mais excêntrico do mundo e o… ex-ator Presidente?”.

Jackson, flanqueado por Ronald Reagan e Nancy Reagan, visita a casa Branca, em 1984. Ele recebeu um prêmio pela participação dele na campanha contra dirigir embriagado.

Jackson, flanqueado por Ronald Reagan e Nancy Reagan, visita a casa Branca, em 1984. Ele recebeu um prêmio pela participação dele na campanha contra dirigir embriagado.

 

Isso foi em 1984.
Em 1987, Jackson tinha assumido uma personalidade mais excêntrica, contra cultural. A capa do álbum, o título do seguimento para Thriller, era tanto visualmente, quanto retoricamente, posicionado contra a expectativa dominante. Isso foi uma decisão calculada da parte de Jackson para evitar que fosse percebido como “seguro” e familiar.

A transformação, no entanto, não foi sem uma repercussão. Talvez o mais controverso fosse a aparência dele, a qual, crescentemente, desafiava toda categorização fácil, levantando questões desconfortáveis sobre raça, gênero, sexualidade e idade. Mais que David Bowie ou Prince, Jackson tornou-se o mais famoso símbolo da androgenia. Isso o tornou crescentemente impossível de definir – ou afirmar –por qualquer grupo. A maquiagem dele e couro preto, fivelas e botas, combinavam com a estética subcultural do glamour punk. Para os críticos, porém, isso era um talhe desconfortável para alguém popular como Jackson. Por razões similares, ele não era abertamente abraçado pelo hip-hop (embora ele viesse a ser, mais tarde). Jackson simplesmente via a nova imagem dele como um tipo de performance. O mundo era o palco dele e ele estava pronto para experimentar um novo personagem. O look punk, a dança com membros de gangue, a subversão de linguagem (“bad” se tornou bom, corajoso e valentão) todas enviaram sinais declarativos. Isso o tronou mais polarizado que em Thriller, mas isso era a intenção dele. A identidade envolvente dele, então, representava a completa oposição da dualística de Reagan, e/ou da visão mundial. Michael Jackson representava todas as complexidades e ambiguidades da nova América (e mundo).

Jackson, fotografado aqui em 1987, gerou questões e controversas com a crescente ambiguidade da aparência física dele. Evidência da doença de pele de Jackson, vitiligo, já pode ser vista nessa foto.

Jackson, fotografado aqui em 1987, gerou questões e controversas com a crescente ambiguidade da aparência física dele. Evidência da doença de pele de Jackson, vitiligo, já pode ser vista nessa foto.

Ele queria que Bad fosse mais ousado e mais resistente que Thriller

 

Madona, igualmente, levou o pop para outro território, criando uma imagem acessível, mas provocativa, que empurrou os limites da acessibilidade. Dos históricos álbuns dela, Like a Virgin (1984) e Tru Blue (1986) vieram clássicos controversos como “Material Girl” e “Papa Don’t Preach”, que ajudaram a torná-la, ao lado de Jackson, a definição de ícone popda década. Como Prince, a sexualidade dela era agressiva e, muitas vezes, rude, criando uma nervosa marca de pop que ameaçou fazer Michael Jackson parecer domesticado em comparação.

Jackson estava bem consciente dessas tendências musicais e respondeu de acordo. Ele queria que Bad fosse mais resistente e desafiador que Thriller. Em 1960, Quincy Jones arranjou um encontro com Run DMC. Naquela época, o impertinente, agressivo trio de hip-hop estava no topo da popularidade dele e ainda tinha grande credibilidade nas ruas. “Nós somos o Michael Jackson de agora”, gabou-se Darryl McDaniels para a Rolling Stones, em 1986. “Prince era isso quando Purple Rainsaiu. Mas nós somos o que está acontecendo agora. Nós somos a música. Nós somos o que é quente.”

Antes de encontrar Jackson, em pessoa, o grupo do Queens estava cético sobre trabalhar com o pop star. Eles sentiam que ele era muito separado do mundo real, até mesmo para compreender o que acontecia nas ruas. Depois de encontrar e discutir uma demo chamada “Crack Kills”, porém, a preocupação (ou postura) do Run DMC desapareceu. “Ele é o melhor homem do mundo”, Rev Run despejou, “Ele é um ser humano incrível. Nós comemos alimento espiritual no estúdio de Michael na noite passada e era como se ele estivesse em contato com Deus. Ele é tão calmo, tão contente e eu irei para o estúdio fazer uma gravação com ele. Isso será uma música anti-crack.
O cara que fez Mean Street e Taxi Driver [o diretor Martin Scorsese] fará o vídeo. A coisa toda é simplesmente incrível. Michael continuou perguntando a mim sobre rap. Eu perguntava a ele sobre venda de álbuns. E quando o frango frito chegou, eu soube que ele estava legal.”

Infelizmente, a colaboração entre os Reis do Hip-Hope o Rei do Pop nunca foi lançada para o álbum, embora haja demos existentes. Alguns alegam que houve uma desavença, embora publicamente o Run DMC tenha mantido o respeito e admiração por Jackson, desde o encontro deles. Quincy Jones tem afirmado que Jackson não foi vendido em hip-hopcomo uma legítima força na música naquele tempo, sentindo que isso poderia ser apenas outra mania. Outros, incluindo Jackson, no entanto, têm dito que ele estava, verdadeiramente, muito interessado em rap, mas sentia que isso precisava de uma injeção de melodia (o que, incidentalmente, logo aconteceria nos anos noventa). Portanto, Jackson gostou do conceito de “Crack”, mas não sentiu que ela era muito certa para o álbum. (Jackson, eventualmente, sampleou Run DMC na introdução de “2Bad”, em History.)

Jackson também estendeu um convite ao rival Prince (via Quincy Jones), para aparecer em um dueto para a faixa título. Para os, indiscutivelmente, dois maiores artistas da década – que tinham muito em comum, mas também eram ferozes competidores – performar juntos no auge do poder deles teria sido algo para contemplar. “Como Michael planejou isso”, escreveu o biografo J. Randy Taraborrelli, “ele e Prince enquadrariam um ao outro (no vídeo), revezando-se cantando e dançando, a fim de determinar, de uma vez por todas, quem era ‘bad’”.

Michael Jackson e Prince têm seguido a carreira um do outro desde o início dos anos oitenta e, relutantemente, admiravam o trabalho um do outro, embora ambos sentissem que eles eram artisticamente superiores. “Isso era um estranho ápice”, lembrou o jornalista Quincy Trouxe sobre um dos encontros entre os artistas. “Eles eram tão competitivos um com o outro que nem daria qualquer coisa. Eles meio que sentaram lá, observando um ao outro, mas falando muito pouco. Isso era um impasse fascinante entre os dois caras muito poderosos.”

Por fim, Prince decidiu recusar o projeto, sentindo que isso estava preparado para Jackson parecer melhor. “Eu estive lá para dois encontros entre Prince e Michael”, recorda o engenheiro de gravação de longa data de Jackson, Bruce Swedien. “Pessoalmente, eu pensei que, de encontrar com Michael, Quincy e John Branca, Prince percebeu que ele não podia vencer aquele dueto/duelo com MJ, artisticamente ou de outra maneira… e se retirou.”

Bad”, é claro, ainda acabou se tornando um hit number one (o que Prince previu que seria o caso), embora também tenha gerado um monte de críticas. Muitos sentiam que a nova imagem de valentão de Jackson era muito artificial.
Enquanto Prince e Madona podiam se sair muito bem sendo “bad”, Jackson ainda lutava para superar a personalidade, alternadamente, “inocente” e “excêntrica”. Como Jay Cocks escreveu para o Times, em 1984: “Muitos observadores descobriram na ascendência de Michael Jackson a definitiva personificação do andrógeno rock star. O alto tenor dele o fazia soar como o líder em algum coro funk de crianças, mesmo com o dinamismo sexual irradiando do arco do corpo dançante dele, desafiando normas governamentais para fusão nuclear. A estrutura flexível dele, os olhos penetrantes, cílios longos, poderiam ser ameaçadores, se Jackson desse, ainda que por um segundo, a impressão de que ele era alcançável. Porém, o senso que o público tinha da sensualidade dele tornou-se muito deliberadamente confusa com a imagem de espelho da vida dele: o bom menino, a religiosa Testemunha de Jeová, o vegetariano determinado, o convicto não adepto ao fumo, bebidas fortes, drogas de qualquer tipo, a inocência impossivelmente isolada.
Inegavelmente sexy. Absolutamente seguro. Erotismo à distância.”

Alguns argumentam que essa “segurança” resultou de uma vida de isolamento e privilégio, que tornou impossível para ele entender os assuntos do mundo real. O que ele sabia sobre drogas, pobreza ou violência de gangues?(Interessantemente, todo esse dilema foi mostrado no curta-metragem “Bad”, dirigido por Martin Scorcese.) Enquanto seja verdade que Jackson não tinha vivido nas “ruas”, desde que ele era um menino, em Gary – e, portanto, não podia, convincentemente, transmitir essa realidade do jeito que um grupo de hip-hop como o Run DMC poderia – ele tinha as próprias experiências dele de onde extrair. Ele tinha experimentado isolamento, abuso, exploração, traição, solidão, medo, discriminação, coisificação e uma tropa de outros desafios. Ele também tendia a internalizar profundamente o sofrimento e a injustiça experimentados por outros. Muitas dessas experiências e emoções vieram à tona no trabalho dele, embora de forma sutil e metafórica. Com Bad elas podiam ser misturadas com uma fantasia eclética, nervosa, que fornecia tanto uma saída quanto uma janela para o mundo único dele.
Antes de o trabalho em Bad começar, seriamente, porém, Jackson tomou parte em um projeto que, por toda a acusação do isolamento e fantasia dele, era decididamente voltado para o exterior.

Michael Jackson foi apresentado ao USA for Africa, primeiramente, em 1984. Uma idealização do músico e ativista social Harry Belafonte, o objetivo era unir as maiores estrelas da indústria da música para criar um hino (à la “Do They Know Its Christmas?” do Band Aid) para levantar fundos e sensibilização para a África faminta. As circunstâncias em partes da África, incluindo Etiópia e Sudão, eram terríveis: centenas de milhares de pessoas precisavam desesperadamente de comida, assistência médica, e outras coisas essenciais. Quando Quincy Jones foi contatado para dirigir a gravação da música, ele sugeriu que Michael, que previamente tinha expressado interesse em ajudar, coescrevesse um hino com Stevie Wonder e Lionel Richie. (Wonder, por fim, não pôde contribuir para a composição, embora tenha fornecido vocais para o álbum.)

Por anos, antes do projeto “We Are The World”, Jackson esteve envolvido em trabalho humanitário. Crescentemente, ele considerou isso um dos mais satisfatórios e importantes aspectos da vida dele. Em seguida ao acidente com queimadura dele, enquanto filmava um comercial da Pepsi, em 1984, ele doou todo o dinheiro que ele recebeu ($ 1,5 milhões de dólares) para criar o Centro de Queimados Michael Jackson para Crianças. Em 1986, ele doou outros $ 1,5 milhões para o United Negro College Fund para dar a jovens afro-americanos desprivilegiados a oportunidade de receber uma educação. Ele frequentemente visitava hospitais e conhecia crianças que estavam sofrendo, incluindo algumas que estavam à beira da morte. “Ele não tinha medo de olhar para dentro do pior sofrimento e encontrar a menor parte que é positiva e bela”, disse o, então, empresário, Frank DiLeo.

Durante toda e Turnê Mundial Bad, Jackson doou ingressos e presentes para crianças desprivilegiadas e doentes. “Toda noite as crianças viriam em macas, tão doentes que elas dificilmente podiam erguer as cabeças delas”, recorda o treinador de voz de Jackson, Seth Riggs, quem sempre viajava com o cantor em turnê. “Michael ajoelharia à altura da maca e colocaria o rosto dele bem ao lado dos delas, assim ele poderia ter a fotografia dele tirada com elas e, daí, dar a elas uma cópia para lembrar o momento. Eu era um homem de sessenta anos e eu não podia suportar isso. Eu estaria no banheiro chorando. Mas Michael podia suportar, e bem antes de ir para o palco, sem falta. As crianças se animavam na presença dele. Se isso desse a elas mais um par de dias de energia, para Michael, valia a pena.” Com “We Are The World”, no entanto, Jackson estava começando a ver novas e poderosas possibilidades em fundir a música dele com ações sociais de larga escala.

Jackson e Lionel Richie começaram a trabalhar na música no final de 1984. Depois de virem com apenas poucos versos das sessões deles juntos, eles receberam um cutucão gentil de Quincy Jones – “Meus queridos irmãos, nós temos quarenta e cinco estrelas vindo em menos de três semanas e nós precisamos de uma maldita música.” Jackson respondeu à pressão pegando um par de canções que ele e Richie tinha feito e se trancou em casa até ter terminado a música. “Por volta daquele tempo”, ele recorda “eu costumava pedir a minha irmã, Janet, para me seguir para dentro de uma sala com uma acústica interessante, como um closet ou um banheiro e eu cantaria para ela apenas uma nota, um ritmo de uma nota. Não seria uma letra ou nada; eu apenas sussurrava do fundo da minha garganta. Eu diria ‘Janet, o que você vê? O que você vê, quando você escuta esse som? Nesse momento ela responderia: ‘Crianças morrendo na África. ’”

Pedaço por pedaço, ele criou uma demo tosca, inteira, no estúdio na casa dele em Hayvenhurst. “Eu adoro trabalhar depressa”, ele disse. “Eu fui em frente sem nem mesmo Lionel saber, eu não pude esperar. Eu entrei e sai, na mesma noite, com a música completa – bateria, piano, cordas e palavras para o refrão.”

Quando o dia de gravar a música chegou, Quincy Jones colocou um sinal sobre a entrada no qual se lia: Deixe o ego de vocês na porta. “Eu queria lembra-los de que este projeto era maior que todos nós”, ele disse. Na noite de 28 de janeiro de 1985, os mais proeminentes músicos da indústria começaram a se apresentar: Stevie Wonder, Diana Ross, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, Billy Joel, Ray Charles, Tina Tuner, Bob Dylan e Paul Simon, entre outros. “Eu nunca tinha experimentado antes ou desde então, a alegria que eu senti àquela noite trabalhando com este rico, complexo tapete humano de amor, talento e graça”, Quincy Jones escreveu mais tarde.

We Are the World” foi lançada, junto com o vídeo dela, em março de 1985, e o carregamento inicial de 800.000 cópias foi vendido dentro de três dias. Ela se tornaria o single mais vendido de todos os tempos (vendendo, estimativamente, vinte milhões de cópias) e levantou mais de $60 milhões de dólares para o esforço de socorro à África.

A música em si era um hino habilidosamente arranjado com um refrão memorável e um majestoso final em estilo gospel. Em uma crítica, em 1985, o New York Times elogiou-a como “mais que uma colaboração comunal sem precedentes entre a elite da música pop por uma boa causa – ela era um triunfo artístico que transcendeu a natureza “oficial”dela. O single do Band Aid [‘Do They Know It’s Christmas? ’] foi uma alegre canção pop de Natal, que tendeu a homogeneizar vozes individuais em um canto único, para que soassem como vários pequenos sinos. Em contraste, os vocais solos em ‘We Are The World’ tem sido, artisticamente, entrelaçados para enfatizar a individualidade de cada cantor… A música, uma balada simples, eloquente, cujas harmonias de abertura relembram ‘We’ve Got Tonight’, é uma declaração pop plenamente realizada, que soaria extraordinária, mesmo se ela não tivesse sido gravada por estrelas.” “We Are the World” continuaria para vencer três Grammys Awards, no America Music Award, e um Peoples’s Choice Award.

As pessoas, desde então, se tornaram mais cínicas sobre a efetividade de tais “hinos de celebridade”, ou“músicas de causa”. Elas são, muitas vezes, percebidas como arrogantes, presunçosas, sentimentalismos, para aqueles com tendências messiânicas. (Antes de Jackson, John Lennon, talvez, tenha sido o primeiro alvo de tal criticismo. Depois de Jackson, Bono, do U2, assumiu o papel.) Porém, é difícil discutir com o resultado prático de uma música como “We Are the World”, que não apenas, literalmente, salva vidas humanas, mas também atrai conscientização em todo o mundo sobre a condição da África. Ela, obviamente, não resolveu todos os problemas da África; mas como Quincy Jones colocou: “Qualquer um que queria jogar pedras em algo como isso, pode tirar a bunda daqui e procurar o que fazer. Deus sabe, há muito mais a ser feito”.
Jackson, então, com vinte sete anos, fazendo “We Are the World” foi uma experiência de abrir os olhos sobre o poder da música em trazer “cura” pessoal, social e política. O criticismo sobre a insuficiência disso simplesmente perde o ponto. Jackson não pensava em termos de políticas públicas. Ele poderia, no entanto, imaginar as pessoas em todo o mundo, de diferentes culturas e línguas, cantarolando a melodia simples; ele poderia sentir o despertar e ações coletivas que ela inspiraria; e ele poderia ver as crianças morrendo de fome na Etiópia sendo alimentadas e vestidas. Ela forneceu a semente para muitos outros hinos que viriam; desde “Man In The Mirror” a “Heal the Wolrd”, de “Earth Song” a “What More Can I Give?”.

 Jackson em uma rara fotografia para o vídeo musical dele,The Way You Make Me Feel, em 1987.

Jackson em uma rara fotografia para o vídeo musical dele,
The Way You Make Me Feel, em 1987.

 

Vinte e cinco anos depois do lançamento inicial, “We are The World” tem se provado durável. Em 2010, a música foi colocada em uso humanitário de novo, dessa vez em nome dos esforços de auxílio que se seguiram a devastação do furacão no Haiti. Apresentando uma inteira nova geração de artistas, incluindo Jeniffer Hudson, Pink, Usher e o nascido no Haiti, Wyclef Jean, a música e o vídeo, mais uma vez, surgiu no topo dos charts, enquanto fornecia milhões de dólares para auxílio e desenvolvimento.

“Ser pioneiro de novas ideias é excitante para mim e a indústria do cinema parece estar sofrendo de uma escassez de ideias”, ele explicou.

Logo depois de “We Are The World”, Jackson realizou outro sonho: ele se tornou a própria atração característica na Disneylândia.
Já tendo conquistado a indústria da música, ele estava ansioso por estar mais envolvido em filmes, uma mídia que ele amava e sentia que possuía um enorme potencial inexplorado. Os revolucionários vídeos musicais dele (os quais ele preferia chamar de “curtas-metragens”) já tinham dado a ele uma plataforma na qual combinar o talento dele para dançar e cantar.Ele já tinha recebido também críticas elogiosas pela atuação em The Wiz. Mas Jackson queria fazer mais. Ele queria realmente inovar, criar algo que as pessoas nunca tivessem visto ou experimentado antes. “Ser pioneiro em novas ideias é excitante para mim, e a indústria de filme parecia estar sofrendo de uma escassez de ideias”, ele explicou. “Muitas pessoa estão fazendo as mesmas coisas. Os grandes estúdios me lembram do jeito como a Motown estava agindo quando nós estávamos tendo discordâncias com eles: eles queriam respostas fáceis, eles queriam que o pessoal deles fizessem coisas formuladas – apostas certas – mas o público ficava entediado, é claro.”

Jackson pensou que o antidoto seria Captain EO, um filme musical futurista, completamente imerso em 4-D, que levou mais de um ano para ser criado. Naquela época, a experiência multissensorial de setenta minutos era o filme mais caro já feito em uma base de minutos. Jackson reuniu um autêntico time dos sonhos para trabalhar no projeto: George Lucas produziu o filme, Francis Ford Coppola o dirigiu e James Horner escreveu o arranjo. A atração era o testemunho do poder de estrela, sem paralelo, de Jackson em meados dos anos oitenta. Em 1985, havia poucas pessoas ou entidades que não quisessem trabalhar com ele, incluindo a familiar Disney (esse apelo quase universal, é claro, começou a mudar rapidamente por esse tempo, colocando a Disney na desconfortável posição de decidir se matinha uma atração que ainda era popular, mas crescentemente controversa).
Captain EO estreou no Pavilhão da Imaginação da Epcotem 12 de setembro de 1986 (e logo depois na Disleyland, em Anaheim) para uma grande multidão e expectativa. Enquanto o enredo do filme era mais que simplista – Jackson liderava um time de personagens esfarrapados, no estilo Star Wars, para enfrentar a demoníaca Supreme Leader (interpretada por Angelica Huston) e salvar a galáxia –, os efeitos especiais estavam à frente do tempo deles e os números musicais eram fascinantes. Pela combinação de filme 3-D com tais efeitos especiais, Captain EO se tornou o primeiro filme “4-D” já feito.

“Era uma coisa incrível, excitante”, relembra Matt Forger, que trabalhou no projeto com Jackson desde o princípio, e, depois, com o pessoal da Disney’s Imagineering e THX, de Geroge Lucas. “Ele foi o primeiro filme 5.1 discreto em contínuo playback.
O pessoal da Disney desenvolveu o equipamento. Não existia antes. Ele era uma banda larga completa, com seis faixas digitais de áudio.” Forger ajudou coma configuração de todos os quatros cinemas, cada um contendo áudio especialmente desenvolvido para a acústica da sala respectiva. De todas as estreias, porém, ele ficou mais impressionado pela experiência em Tokyo. “Tokyo foi simplesmente impressionante”,ele se lembra. “Eles tinham um sistema de playback que abalava totalmente. Era como estar em um concerto de rock, a sala, fisicamente, balançava. Soava fenomenal. Todos os teatros soavam maravilhosos, mas Tokyo era simplesmente incrível.” Para crianças, especialmente, a experiência era mágica. Michael Jackson era super-herói mais legal, suave, funk, na galáxia.

O filme também apresentava uma mensagem simples, mas importante para Jackson, sobre usar a música e dança para trazer paz e harmonia ao universo. “[Captain EO é] sobre transformação e o modo como música pode ajudar a mudar o mundo”, ele explicou. Captain EO continuou a ser uma atração característica na Disney por mais de uma década. Ele foi reinstituído por exigência popular em fevereiro de 2010, meses depois da morte de Jackson.

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Jackson no set do vídeo musical de 1988 dele,Leave Me Alone, com o chipanzé dele (Bubbles) e a jiboia (Muscles).

Continua

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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