Livro Man In The Music- Dangerous Cap 4 (continuação)

No lugar deste fundamentalismo, Jackson estava desenvolvendo uma visão do mundo mais naturalística, inclusiva, que, por sua vez, teve um profundo impacto na arte dele. Em uma peça chamada “God”, em Dancing the Dream, ele escreveu:
“É estranho que Deus não se importa em expressar-se, Ele /Ela, em todas as religiões do mundo, enquanto as pessoas continuam se agarrando à noção de que o jeito deles é o único jeito certo…
Para mim, a forma de Deus não é a coisa mais importante.

O que é mais importante é a essência.
Minhas músicas e danças são delineadas por Ele para vir e preencher.
Eu ofereço a forma, Ela coloca na doçura…

Eu tenho olhado para o céu noturno e contemplado as estrelas tão intimamente de perto, é como se minha avó as tivesse feito para mim…
Mas para mim o mais doce contato com Deus não tem forma.
Eu fecho meus olhos, olho para dentro, e entro em um suave silêncio profundo.
A infinidade da criação de Deus me envolve. Nós somos um.”

Jackson ainda apreciava muitos rituais, costumes, e comunidades de religiões. Agora, no entanto, ele vê Deus menos como uma figura autoritária, e mais como uma energia criativa.

Muito do resto de Dancing the Dream fornece vislumbres da visão romântica, maravilhosa, de Jackson sobre o “mundo em volta de nós e o universo dentro de cada um de nós”. Esse é um livro que tem recebido pouca atenção; mas anos depois da publicação, Jackson disse que ela era uma melhor representação dele que a autobiografia.

Em “Planet Earth” ele fala para a Terra como um amante, perguntando: “Você se importa, você tem uma parte/Na profunda emoção do meu próprio coração/ Suave com brisas, carícias e inteiramente/ Viva com música, assombrando minha alma.” O poema de Jackson “Magic Child” carrega ecos do poeta inglês William Wordsworth, com a mensagem de sabedoria, verdade e êxtase encontrada na inocência e pureza das crianças. “E enquanto eles sussurravam e conspiravam” escreve Jackson, “Através dos infinitos rumores para deixa-lo cansado/ Para matar a maravilha dele, espezinhá-lo/ Queimar a coragem dele, alimentar o medo dele/ A criança continua apenas simples, sincera.” Em outros trabalhos, Jackson escreve sobre graça e a alegria de golfinhos, a liberdade de falcões e a majestade de elefantes.

“O mundo inteiro abunda em mágica”, Jackson exclama em uma obra. “Quando uma baleia precipita para fora do mar como uma montanha recém-nascida, você se sobressalta em inesperado deleite… Mas uma criança que vê o primeiro girino dela cintilando em uma poça de lama sente a mesma emoção. Maravilha alimenta nosso coração, porque ele tem relance de um momento de diversão da vida…
Toda vez que o sol nasce, a Natureza está repetindo um comando: ‘Contemple! ’ A magia dela é infinitamente prodigiosa e em troca tudo que nós temos que fazer é apreciá-la.”

A linguagem de Jackson vividamente evoca o êxtase da emoção da criação: “Que deleite a natureza deve sentir quando ela faz estrelas de um turbilhão de gases e espaço vazio”, ele escreve. “Ela as arremessa como lantejoulas de uma capa de veludo, um bilhão de razões para que nos despertemos em puro gozo. Quando nós abrimos nossos corações e apreciamos tudo que ela nos dá, a Natureza encontra a recompensa dela. O som de aplausos rola através do universo, e ela se curva.”

O livro foi, na maioria, ignorado ou zombado por críticos; a sinceridade de Jackson fez dele um alvo fácil. Mas o livro fornece uma fascinante janela para o interior do artista, que tinha uma misteriosa habilidade de experimentar (e demonstrar nas performances) o que Deepak Chopra descreveu como a “sensação de Deus” – um transcendente, “estado estático”, que dissolve linhas duras, barreiras e ideologias e reconhece, em vez disso, a unidade da existência – entre diferentes raças, culturas e religiões, entre mente e corpo, entre seres humanos, natureza e animais. “Toda a vida está em mim”. Ele escreveu em uma das obras finais. “As crianças e a dor delas; as crianças e a alegrias delas. O oceano expande sob o sol; o oceano gotejando com petróleo. Os animais caçando com medo; os animais estourando com a pura alegria de estar vivo.”

Jackson posa com uma dançarina indiana no set do vídeo dele, Black or White. A visão mundial e ambição criatividade dele estava expandindo dramaticamente quando os anos 90 começaram.

Era uma filosofia que parecia não tiver nenhum problema como “lá fora”. “Você e eu nunca nos separamos”, Jackson diz, “É apenas uma ilusão.” Ele, similarmente, colapsa o espaço entre humanos e divino/universo:
“Este mundo em que vivemos é a dança do criador.
Dançarinos vêm e vão, em um piscar de olhos, mas a dança continua.
Em muitas ocasiões, quando eu estou dançando, eu me sinto tocado por algo sagrado. Nesses momentos, eu sinto meu espírito plainar e se tornar um com tudo que existe.
Eu me torno as estrelas e a lua.
Eu me torno a amante e o amado.
Eu me torno o vitorioso e o conquistado.
Eu me torno o mestre e o escravo.
Eu me torno o cantor e a canção.
Eu me torno o conhecedor e o conhecido.
Eu continuo dançando e, então, essa é a eterna dança da criação.
O criador e a criatura se fundem naquela plenitude de alegria.
Eu continuo dançando e dançando… e dançando, até existir apenas… a dança.”

Com tal visão sobre vida e criatividade, Jackson também tinha uma clara visão do que ele esperava realizar com a música. “Eu realmente acredito que Deus escolhe pessoas para fazer certas coisas”, Jackson explicou à revista Ebony, em 1992, “a forma como Michelangelo ou Leonardo da Vinci ou Mozart ou Muhammed Ali ou Martin Luther King Jr é escolhido.
E que é a missão deles fazer essa coisa. E eu sinto que eu não tenho riscado a superfície ainda do que é meu verdadeiro propósito de estar aqui. Eu estou comprometido com minha arte. Eu acredito que toda arte tem como definitivo objetivo dela a união entre o material e o espiritual, o humano e o divino. E eu acredito que essa é a maior razão para a existência de um artista e o que eu faço. E eu me sinto afortunado em ser este instrumento através do qual a música flui”.

Em citações como essa alguém poderia sentir uma nova confiança em Jackson, uma profunda consciência do que ele queria alcançar além da fama e sucesso comercial. Parecia que o espetáculo circense de artimanhas publicitárias e distrações (se voluntariosa ou não), que tão frequentemente o definiu durante a era Bad tinham ido. Jackson queria que o foco – tanto o dele próprio quanto o da audiência dele – voltasse para arte dele. Com uma nova casa, novo empresário, e novos parceiros criativos, ele tinha uma nova paleta na qual trabalhar. Ele queria mostrar ao mundo algo diferente do que ele já tinha feito antes – algo que iria ressoar em um nível profundo, uma obra de arte, algo que iria viver.

No total, Michael Jackson trabalhou em Dangerous por mais de três anos. Com vários estúdios reservados em todo o tempo – principalmente no Recorde One e Larrabee (ambos em Los Angeles) – o álbum custou aproximadamente $10 milhões, um montante inédito na indústria da música (antes e depois). Jackson gravou, aproximadamente, uma centena de músicas, em vários estados de completude, para Dangerous.
Muitas faixas brilhantes, por uma variedade de razões, não fizeram o corte final (incluindo destaques como “Earth Song”, “Blood on the Dance Floor” e “Dou You Know Where Your Children Are”).

O perfeccionismo de Jackson significava que ele se recusaria a lançar qualquer coisa até que estivesse tão perto da meta quanto possível. “Eu nunca estou satisfeito com nada”, ele confessou mais tarde. “Depois que eu corto uma faixa, eu vou para casa e digo, ‘oh, não, isto não está certo’, e você apenas volta e volta.” Enquanto ele estava na maior parte competindo com ele mesmo, ele era motivado pela inovação artística do álbum de 1990 da irmã dele, Janet, Rythman Nation 1814.
O álbum e os vídeos dele foram, ambos, vanguardistas e elogiados pelos críticos. As batidas eram afiadas, angulares e mecânicas; o imaginário, desabitado, urbano, de estilo militar e sexual. Michael amou isso, especialmente a faixa título. Essa foi uma das razões por que ele procurou Teddy Riley para substituir o funk mais arejado de Bryan Loren. Ele queria que as faixas de dança em Dangerous realmente acertassem o ouvinte e ele queria que o material tivesse mais consciência de rua.

Finalmente, no fim do verão/início do outono de 1991, sob pressão do empresário dele, Sony e fãs, do mesmo modo, Jackson percebeu, apesar do constante fluxo de novas ideias e material, que era tempo de determinar uma data definitiva para concluir o projeto. Durante os dois meses finais, Jackson e Bruce Swedien ficaram em um hotel apenas minutos distante do estúdio, assim, eles podiam voltar ao trabalho tão rápido quanto possível. “Nós dirigíamos até o estúdio e trabalhávamos até que não pudéssemos trabalhar mais”, recorda Swedien. “Depois, nós dirigíamos de volta ao hotel, íamos dormir e, depois, voltávamos de manhã e acertávamos isso de novo.”

A semana final de outubro foi uma total corrida para o acabamento. “nos últimos dias do projeto, Michael e eu tínhamos quatro horas de sono”, relembra Bruce Swedien.

Dangerous foi finalmente completado cedo na manhã de 31 de outubro de 1991. Um ainda hesitante Jackson, contudo, queria mais uma opinião: a do mentor de longa data dele, Quincy Jones. Depois de enviar o CD, Jackson, ansiosamente, esperou a resposta. Não muito depois, ele foi respondido: Quincy sentiu que Dangerous era “uma obra prima”. Jackson ficou exultante. Ele finalmente se sentiu pronto para liberar o trabalho dele para o público.

Para a mídia, todo álbum de Michael Jackson depois de Thriller era medido em relação ao impossível padrão comercial dele. Se o novo álbum dele não vendia mais cópias que o álbum mais vendido de todos os tempos, era considerado um fracasso.
Em 1991, uma manchete do New York Times dizia: “THRILLER” – MICHAEL JACKSON PODE BEAIT IT? “Esse é o desafio que Jackson enfrenta”, ecoou a Rolling Stone. Enquanto isso fazia boas forragens para a mídia, porém, tendia a obscurecer a atenção para a verdadeira qualidade do álbum.

Jackson, ele mesmo, é claro, atuou dentro dessas expectativas. Desde o início, ele deixou claro para os produtores e colaboradores que ele não apenas queria superar Thriller, mas ele queria que Dangerous vendesse cem milhões de cópias.

Jackson, certamente, teve um bom começo.
Antes mesmo de o álbum ser lançado, o vídeo Black or White, fez história. Exibido simultaneamente na FOX (alcançando a maior audiência dela em todos os tempos), BET, VH1 e MTV, o vídeo Black or White foi assistido em mais de vinte e sete países por uma estimada audiência de quinhentos milhões de espectadores. A reação foi esmagadora. Black or White se tornou o vídeo mais assistido da história da MTV, ultrapassando até mesmo Thriller.

O single, da mesma forma, dominou as ondas do rádio. Uma estação de New York o tocou por noventa minutos diretos para satisfazer as exigências da audiência.
Dentro de vinte e quatro horas, a música tinha sido adicionada a noventa e seis por cento da trilha sonora nas estações de rádio americanas. Dentro de semanas, “Black or White” alcançou o primeiro lugar nos charts – a mais rápida subida nos charts desde “Get Back” do Beatles, em 1969 –, onde ela ficaria por seis semanas, tornando-se a música mais bem sucedida de Jackson desde “Billie Jean”. Ela também se tronou #1 em outros dezenoves países, incluindo o Reino Unido, Israel e Zimbabwe.

A MTV dedicou um fim de semana inteiro exclusivamente ao material de Michael Jackson, referindo-se a ele, repetidamente, como “o Rei do Pop” (uma estratégia de makerting elaborada pelo empresário de Jackson anos antes). A reclamação à realeza pop, o que alguns consideraram egoística, poderia dificilmente ser disputada: “Black or White” deu a Jackson um #1 hit em cada uma das últimas três décadas, uma marca nunca alcançada antes por um artista solo e um testamento do poder permanente dele.

Enquanto a música e o vídeo, de muitas maneiras, encontraram sucesso sem precedentes, contudo, não foi sem detratores. A sequência final do vídeo, sempre referido como “a sequencia da pantera”, gerou uma tempestade de fogo de controvérsia por ser muito violenta e sexual. Alguns a descreveram como uma “traição” aos fãs de longa data dele.
Uma história de capa para o Entertainment Weekly chamou Black or White de o “vídeo pesadelo” de Jackson. “Isto é como usar conversa de banheiro para chamar a atenção.” Disse Peggy Charren, do Action for Children’s Television (ACT). “Eu gostaria de saber se alguma das pessoas envolvidas com isso teve as vitrines quebradas ou as janelas dos carros delas estilhaçadas.”

Em resposta a este frenesi, Jackson emitiu uma declaração dizendo que ele simplesmente quis retratar os instintos animalescos da pantera e mostrar a destrutividade da discriminação. “Chateia-me pensar que ‘Black or White’ poderia influenciar qualquer criança ou adulto a comportamento destrutivo, sexual ou violento”, ele disse. Apesar das explicações dele, no entanto, espectadores “ofendidos” prevaleceram, e as redes de televisão, subsequentemente, censuraram o segmento final. (De acordo com Bill Bottrell, algumas estações de rádio também censuraram o segmento de rap de “Black or White”, sentido que isso não era apropriado para a tradicional rádio pop/rock.).

Como outros vídeos controversos da época (Like a Prayer de Madonna e Jeremy de Pearl Jam), o vídeo atingiu um nervo sensível, apresentando desconfortáveis questões sobre racismo, violência, e sexualidade. Ele também aumentou a já visceral fofoca em torno do novo álbum de Jackson. Jackson tinha estado costumeiramente quieto desde o lançamento de Bad e a turnê subsequente dele. Agora, com um novo single subindo nos charts e o vídeo agitando controvérsia e debates, ficou claro que muitos ansiavam pela aparição de Michael Jackson. A antecipação era tão alta, na verdade, que assaltantes venderam trinta mil cópias do novo álbum, no terminal aéreo de Los Angeles, antes do lançamento oficial dele. No final de novembro, fãs em todo o mundo estavam fazendo fila para pegar a cópia deles de Dangerous.

Antes mesmo que as pessoas ouvissem a música, elas eram confrontadas com a fascinante capa do álbum. Uma pintura acrílica envernizada criada (com a contribuição de Jackson) pelo surrealista pop, Mark Ryden, ela foi descrita por um crítico como uma “capa tão carregada de simbolismo que poderia fornecer munição para um inteiro simpósio de psiquiatras pop”.
Na verdade, não desde a capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles, um álbum continha tão misteriosa e intrigante embalagem (uma edição especial, de 1992, do álbum foi embalada com uma caixa grande, que, quando dobrada, abria como um diorama).
À primeira vista, a capa parecia a exibição para o circo, com Michael Jackson sendo prometido como “o maior espetáculo da Terra”. Próximo ao fundo, vestido em um terno, na verdade, está ninguém menos que P.T. Barnum, o legendário showman com quem Jackson se tornou fascinado em meados dos anos oitenta. Circenses, é claro, eram espetáculos públicos, e Jackson parecia estar reconhecendo, para melhor ou pior, que isso é o que a pessoa “Michael Jackson” tinha se tornado.

A pintura também parecia, divertidamente, repelir essa caracterização. Jackson está consciente da forma como ele é percebido e, às vezes, deliberadamente desempenha o papel. Dessa forma, ele é responsável por designar e montar a máscara que atrai tanta atenção. Porém, por toda a atenção, ele também tenta ocultar uma parte de si mesmo atrás de uma fachada. Os olhos penetrantes de Jackson olham fixamente, a partir de uma casa de diversões pós-moderna, a sociedade; exatamente como ela o fita de volta. Isso se torna, desse modo, uma espécie de espelho. Como o famosamente pensado painel de T.J. Eckleberg, no The Great Gastby, isso veio a “significar” o que nós interpretamos no olhar disso: uma ilusória realidade, um circo, uma divindade, um trabalho de arte.

A máscara em si contém todas essas coisas, revelando um fascinante labirinto de símbolos. À direita de Jackson, está um “Cachorro Rei” sentado em um trono, vestido em um robe vermelho e segurando um cetro. A imagem é derivada da pintura de Jean August Dominique Ingres, de 1806, intitulada Napoleon On His Imperial Throne e significa poder, autoridade e dominação. (Jackson, famosamente, usou cachorros no vídeo de 1989 dele, Leave Me Alone, para representar poder corporativo e ganância.)
Em oposição ao Cachorro Rei está a “Ave Rainha”, que usa púrpura e segura uma bússola e está conectada à engrenagem que bombeia vida dentro de um globo que parece uma bolha contendo um homem e uma mulher nus. Derivado de uma elaborada pintura de um excêntrico artista de século XV, Hieronymus Bosch, (The Garden of Earthy Delights), a rainha parece representar vida, criatividade e amor.

Freud teria um dia cheio com tão carregados símbolos (contudo, deveria ser notado, o psicólogo da escolha de Jackson era Jung). Na pintura, os arquétipos animus/anima são apresentados como partes de uma identidade inteira; mas como Jung, criatividade frequentemente vem do feminino. Portanto, bem abaixo da Ave Rainha, uma versão infantil de Jackson sai de um brinquedo no estilo Disney, o que pode representar a alegria simples, desinibida, da infância associada com a mãe.

Da mesma forma, exatamente debaixo olhos de Jackson, está uma indústria que parece ser inspirada pelos sons de abertura da faixa título “Dangerous” (Ryden reconheceu que ele, na verdade, tirou inspiração dos sons de Dangerous e de outros aspectos bem conhecidos da vida do cantor.).
Como a máquina de “engrenagem” da Ave Rainha, a fábrica parece representar a vida interior de criatividade do artista, o que bombeia diretamente dentro de um globo em miniatura, representando o mundo. Bem no meio da capa está uma pista, sugerindo que, seguindo para o interior, alguém pode ir além da máscara e entrar no mundo criativo e alma de Michael Jackson. A máscara, em outras palavras, é apenas uma superfície; na música dele, alguém pode não apenas descobrir a “essência” dele, mas também o maior propósito do trabalho dele, que é bombear vida e energia dentro do mundo através dos ritmos, melodias e palavras da música dele.

Um trabalho de arte em si mesma, a capa de Dangerous prepara o ouvinte para entrar em um mundo que é tão estranho quanto espetacular.

Misteriosa, sugestiva, intrigante e excitante, ela anuncia Michael Jackson, “o maior espetáculo da terra”, mas simultaneamente há mais a ser descoberto que diversão.

Dangerous foi oficialmente lançado em 26 de novembro de 1991. A avaliação crítica inicial foi confusa, mas geralmente muito positiva. O crítico musical Mark Coleman sentiu que o “electro-groove saltitante, melódico, patenteado por [Teddy] Riley, acabou por se encaixar em Jackson como uma… luva.
Esta colaboração poderia ter sido uma desastrosa tentativa de recuperar o atraso… Mas em vez de se confrontar, ou meramente coexistir, as fortes personalidades musicais de Jackson e Riley, na verdade, complementaram-se.
Não há dúvidas de que é um álbum de Jackson, mas o conteúdo de Dangerous apresenta o superstar em um moderno contexto”.

Rolling Stone chamou o álbum de um “triunfo… que não se esconde dos medos e contradições de uma vida inteira passada sob os holofotes… apesar da imagem de Peter Pan, fora do palco, a melhor música e dança de Jackson é sempre sexualmente carregada, tensa, envolvente – ele está na melhor compreensão dele, quando ele realmente é perigoso”. Stephen Thomas Erlewine do All Music, similarmente, elogiou Dangerous como “um álbum muito mais afiado, difícil, arriscado, que Bad, um que tem os olhos na rua”.

Outros, porém, foram mais temperados nas declarações deles, ansiando pelo mais brilhante e mais alegre Jackson de antigamente: “Em Dangerous, humanidade deixa Michael Jackson para baixo em cada momento”, escreveu David Rowne da Entertainment Weekly. “Mesmo as mais agudas habilidades de estúdio não podem compensar pelo buraco-na-alma que assombra o álbum. As canções de amor substituem o calor com um inquietante senso de hostilidade, e mesmo a música pop-gospel de Jackson soa desamparada, não edificante.”

Para outros críticos, as preconcepções deles sobre Michael Jackson, o assunto de tabloide, impediam-lhes de, até mesmo, ouvir o álbum objetivamente. “De todas as aparições bizarras na atual música popular, nenhuma é tão estranha quanto Michael Jackson cantando, normalmente, canções de amor”, escreveu John Pareles do New York Times. “Ele pode mal sufocá-las. Ele passa por uma palavra ou duas, apenas uma sílaba, às vezes, antes de tomar fôlego; quando ele tenta de novo, a voz dele treme com ansiedade ou cai para um desesperado sussurro, sibilando entre dentes cerrados. Enquanto ele suspira aquelas frases quebradas, música mecânica martela e estala em volta dele, algumas vezes, quase o abafando. As músicas sampleadas são inflexíveis; a batida incessante, claustrofóbica.”

O criticismo de Pareles, no entanto, não apenas ignora os progressivos sons nas dance musics, no momento, ele também falha em reconhecer o proposito e o precedente histórico dos soluços sem palavras de Jackson, os quais foram, similarmente, usados com grande efeito por nomes como Little Richard, James Brown e Jackie Wilson e, às vezes, destinavam-se a transmitir a ansiedade e claustrofobia que Pareles notou.

Pareles continua a descrever Dangerous como o “álbum menos confiante” de Jackson, “desde que ele se tornou um superstar… Ele soa tão ávido por recuperar a popularidade dele que ele descartou a possibilidade de se arriscar”. Pareles, contudo, falha em oferecer uma convincente explicação para como um álbum pop de setenta e sete minutos, apresentando todos os novos produtores e colaboradores, sons inovadores, consciência social e letras pessoalmente reveladoras, passando de música R&B a rock, de hip-hop a gospel, de soul a clássica (incluindo um prelúdio de orquestra de Nona Sinfonia de Beethoven) qualifica-se como inseguro e cuidadoso. Em vez disso, ele está contente em falar sobre a “excentricidade” de Jackson e especular sobre construídas manobras de markenting.

Enquanto a reação dos críticos foi mista, porém, Dangerous tornou-se o álbum mais rapidamente vendido de Jackson, desde Thriller, vendendo seiscentas mil cópias nos Estados Unidos, apenas na primeira semana, e mais de dois milhões globalmente. No final de dezembro, apenas um mês depois do lançamento, ele tinha vendido impressionantes quatro milhões de cópias nos Estados Unidos e dez milhões em todo o mundo. Dangerous também alcançou a primeira posição em quase todos os países do mundo, incluindo Japão, Austrália e França.

Pelos próximos dois anos, Danegerous passaria 117 semanas no Hot 200 da Billboard. Em adição a “Black or White”, três outros singles – “Remeber the Time”, “In the Close It” e “Will You Be There” – também entrariam para o top tem, nos Estados Unidos, enquanto músicas como “Heal the World”, “Jam”, “Who Is It” e “Dangerous” tornaram-se grandes hits mundiais. Dangerous se tornou o álbum mais bem sucedido de Jackson, internacionalmente, e o segundo mais bem-sucedido dele, no total, em todo o mundo; atrás apenas de Thriller.

Em 1993, quando parecia que o álbum tinha, finalmente, seguido o curso dele, ele pegou fogo de novo, depois que Jackson performou para um recorde estabelecido de 120 milhões de espectadores no show de intervalo do Super Bowl. Menos de uma semana depois, Jackson apareceu, ao vivo, com Oprah Winfrey, em Neverland Ranch, para o “evento televisivo do ano”. Excluindo os Super Bowls, isso foi o quarto programa de TV mais assistido na história da TV, com mais de oitenta milhões de telespectadores conectados. As duas aparições impulsionou Dangerous de volta ao Top Ten, quase dezesseis meses após o lançamento original dele.

No Grammy Award, naquele fevereiro, Jackson – presenteado com um Livin Legend Award pela irmã, Janet – parecia tão elevado quanto ele tinha sido desde Thriller. Ele tinha lançado um bem-sucedido álbum; completado a primeira etapa da turnê mundial dele; aberto à publicidade, de um jeito que ele nunca esteve antes; e redefinido a imagem dele. “Nas últimas poucas semanas”, ele disse no discurso de aceitação do Grammy, “eu tenho me purificado e isso tem sido um renascimento para mim. É como uma purificação espiritual”. Tudo parecia estar se unindo para Jackson. Apenas cinco semanas depois, no entanto, no meio da segunda etapa da Dangerous Tour, notícias de alegações de abuso sexual infantil surgiram. A vida dele nunca mais seria a mesma.

Como um álbum, então, Dangerous representa um período intermediário para Jackson. É um álbum transacional, lançado em um momento transacional da vida dele e história da música popular. Na verdade, uma das ironias de Dangerous ser simbolicamente derrubado por Nevermind do Nirvana nos charts – desse modo, de acordo com muitas narrativas, assinalou a “morte do pop” e inaugurou a “era rock-alternativo” – é o quão similar eles são em certos aspectos. Como o crítico musical Jon Dolan nota: “O medo, depressão e sensação de criança ferida de Jackson sobre bem e mal têm mais em comum com Kurt Cobain que alguém teve tempo para perceber.”

Enquanto alguém, certamente, não consideraria “Keep the Faith” ou “Heal the World” em um álbum do Nirvana, muitas músicas, de igual forma, confrontam o desconforto e estranhamento de Jackson com o mundo que ele habita. “Jam” fala sobre ser “condicionado pelo sistema” de “confusão e contradições”. “Who Is It” é uma devastadora expressão de solidão e isolamento. Em “Black or White”, uma música que muitos críticos eliminaram como um chavão racial, Jackson antecipa a duplicidade da sociedade, cantando: “Não diga que você concorda comigo, quando eu vi você chutando terra nos meus olhos.”

Ao longo do tempo, contudo, reavaliações do álbum estão colocando as conquistas dele em um melhor foco. Muitos críticos e fãs, do mesmo modo, agora sentem que ele é um dos melhores álbuns dele. Em uma revisão de 2009, Ben Beaumont-Thomas chama Dangerous de “auge da carreira” de Jackson: “Com toda a admiração pelas vendas de Thriller e a bem-aventurança pré-cirurgia de Jackson”, ele escreve, “Dangerous corre o risco de se tornar ainda mais subestimado do que e agora. Isso seria uma tragédia – para mim, este é o melhor momento dele”.

Rolling Stone tinha, logo no início, elogiado as faixas Jackson/Riley, na revisão de 1991, como “reminiscência do álbum solo de Jackson, Off the Wall, e o extrato de disco para a perfeita essência pop desse álbum”. Exatamente como Off the Wall aperfeiçoou, aprimorou e laborou em disco, Dangerous fez o mesmo para new jack swing. Compará-lo a outros álbuns new jack revela um enorme abismo em termos de riqueza, profundidade e qualidade.

É a segunda parte de Dangerous, contudo, que realmente leva o álbum a outro nível. O brilhante trio de “Black or White”, “Who Is It” e “Give In To Me” é seguido pelas majestosas cepas clássicas de “Will You Be There” e o inflamado vigor gospel de “Keep the Faith”. Finalmente, a grande fragilidade “Gone Too Soon” funde-se, lentamente, nos fornos de “Dangerous”. Isso é uma abrangente pesquisa de estilos e temas musicais, exibindo uma visão, inteligência e agilidade raramente vista em música pop.

É impossível, é claro, dizer, definitivamente, qual álbum de Jackson é o maior. Cada um contém as próprias virtudes singulares. As justificativas de fãs são, frequentemente, mais pessoais que objetivas, enquanto críticos, frequentemente, inclinam-se com o vento cultural e comercial. Dangerous não está sem falhas também. Contudo, se não é o melhor álbum de Michael Jackson, ele faz parte da conversa. Culturalmente, falta-lhe o impacto cultural de Off the Wall e Thriller (particularmente na América), mas a música é o que definitivamente importa e, como Quincy Jones disse a Michael antes do lançamento: musicalmente, Dangerous é uma obra prima.

Livro Man In The Music -Cap 4 – Dangerous-AS MÚSICAS – Jam , Why You Wanna Trip On Me

 

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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