Livro Man In The Music -Cap 7 – Invincible : Cry , The Lost Children

13.                CRY

(Escrita e composta por R. Kelly.
Produzida por Michael Jackson e R. Kelly.
Gravada por Mike Ging. Brad Gilderman e Humberto Gatica.
Mixada por Michael Jackson e Mick Guzauski.
Arranjo de coro: R. Kelly.
Programação de bateria: Michael Jackson e Brad Buxer.
Programação de teclado: Michael Jackson e Brad Buxer.
Vocal líder: Michael Jackson.
Coro: Andraé Crouch e o Andraé Crouch Singer Choir.
Percussão: Paulinho Da Costa.
Bateria: John Robinson. Guitarras: Michael Landau)

Seguindo a dor de coração “Don’t Walk Away” vem uma lamentação mais universal. “Cry” revisita um sentimento que Jackson esteve apresentando em toda a carreira solo dele. As raízes dela voltam tão longe quando poetas-profetas do Velho Testamento como Jó e Jeremias acessaram um mundo de sofrimento, injustiça e desespero e tenta encontrar esperança na escuridão.
Eles também tentaram provocar respostas e ações. Similarmente, Jackson “chora” porque ele vê toda tragédia em volta dele e as internalizam. Ele canta sobre pessoas mal conseguindo ficar de pé, sem saber quando a dor irá passar; ele canta sobre “estórias enterradas e não contadas”, sobre pessoas “escondendo a verdade”; ele canta sobre ilusões e máscaras (“Faces cheias de loucura”, “pessoas riem quando elas se sentem tristes”). Então, no refrão, ele faz uma súplica (“com os ouvintes dele e ele mesmo”) para de alguma forma superar.
O que nos conecta não é fingir que a tragédia não existe, mas vê-la pelo que ela é e confrontá-la como uma coletividade.

A ideia de ser conectado a outra pessoa através de nossos sofrimentos e aflição era, certamente, relevante para o contexto histórico da música. Lançada brevemente depois da tragédia de 11 de setembro de 2001, “Cry” era exatamente o tipo de música que era necessária em momento tão devastador. Alguns críticos alegaram que ela era muito simplista e messiânica; parte do coro pode, na verdade, parecer dessa forma.
Mas o centro da música é mais profundo, olhando dentro e fora, ao mesmo tempo, e não oferecendo respostas fáceis. Como uma lamentação, ela apresenta o “som de um trauma”. Escute o desolado vento soprar no começo e a batida dolorida.
Ela apresenta uma alienação que relembra a introdução para “Stranger in Moscow”. Os vocais de Jackson não são festivos, mas melancólicos e comedidos. Como hinos anteriores, ela tira a ajuda do coro (simbolizando comunidade) para ele encontrar esperança e resolução. A magnífica chamada e resposta na qual ele engaja no clímax é Michael Jackson clássico, demonstrando a poderosa comunicação que deve acontecer se nós quisermos “mudando o mundo”.

____________________________________________________________

14. THE LOST CHILDREN

(Escrita e composta por Michael Jackson.
Produzida por Michael Jackon.
Arranjada por Michael Jackon.
Programação de teclado: Michael Jackson e Brad Buxer.
Narrativa: Baby Rubba e Prince Jackson.
Coro juvenil: Tom Bahler.
Edição digital: Brad Buxer e Stuart Brawley.
Gravada por Bruce Swedien, Brad Buxer e Stuart Brawley.
Mixada por Bruce Swedien.
Fragmento de áudio de The Twilight Zone, cortesia da CBS Broadcasting Inc.)

 

 

“The Lost Children” foi um alvo fácil para críticos, um dos quais a chamou de “assustadora, estúpida peça de acompanhamento para pinturas de crianças desaparecidas em caixas de leite”. Executivos musicais, indubitavelmente, desencorajaram a inclusão dela em Invincible. Embora ela seja uma valsa pop finamente elaborada, com uma bela melodia, ela não encaixa na imagem, estilo ou som de uma tradicional estrela pop/R&B (ela, também, é claro, lembra as pessoas da longa especulação sobre o relacionamento de Jackson com crianças). Em termos de coerência do álbum, ela parece estranha na sequência de músicas como “20o0 Watts” e “You Rock My World”. Diz algo, portanto, sobre a coragem e a independência criativa de Jackson que a música tenha entrado no “álbum de retorno” de altas apostas dele. Ele sabia que a maioria dos críticos iria desprezar; mas ele também sabia para quem e para o que a música foi escrita – e isso importava mais para ele.

Jackson nunca esteve tão ativamente engajado em nome dos direitos das crianças quanto ele estava nos anos que antecederam Invincible. Ele trabalhou com um contingente de pessoas, incluindo Nelson Mandela e o Rabino Shmuley Boteach, para arrecadar fundos e decisão políticas; ele trabalhou em um livro sobre a importância da paternidade com amor incondicional, ele deu um discurso bem recebido na Universidade de Oxford, chamando por um renovado foco na invertida e perturbadora tendência de negligência, abuso, e hipersocialização. Ao lado da ambição artística, ele via o trabalho dele em nome das crianças como o principal propósito. “The Lost Children”, portanto, foi a tentativa de Jackon em fundir a música dele a uma causa que importava profundamente para ele. Se “Cry” era uma lamentação pelo mundo, “The Lost Children” era uma oração por aqueles mais vulneráveis.

No discurso dele em Oxford, ele explicou:

Aqui é um típico dia na América – seis jovens abaixo dos 20 anos irão cometer suicídio, 12 crianças abaixo dos 20 anos morrerão por armas de fogo – lembrem-se de que é um dia, não um ano – 399 crianças serão presas por abusos de drogas, 1.352 bebês nascerão de mães adolescentes. Isso acontece em um dos mais ricos, mais desenvolvidos países do mundo… É evidente que crianças estão bradando contra a negligência, grasnando contra a indiferença e implorando para serem notadas.

As várias agências de proteção infantil, nos Estados Unidos, dizem que milhões de crianças são vítimas de maus-tratos, em forma de negligência, em um ano comum. Sim, negligência. Em lares ricos, lares privilegiados, conectadas ao máximo com todos os petrechos eletrônicos. Lares onde os pais vêm para casa, mas eles não estão realmente em casa, porque a cabeça deles ainda está no escritório.
E os filhos deles? Bem, os filhos deles apenas pegam qualquer migalha emocional que eles recebem. E você não consegue muito com infinita TV, jogos de computadores e vídeos. Esses difíceis e frios números que, para mim, deturpam a alma e agitam o espírito, deveriam indicar a vocês por que eu devoto muito do meu tempo e recursos em fazer nossa iniciativa Heal the Kids.

Uma simples súplica em nome dos negligenciados e abandonados, “The Lost Children” pode não encaixar no típico molde para um álbum pop, mas para Jackson isso não importava. Ele escreveu e gravou a música para crianças como ele – aquelas forçadas a enfrentar muita coisa, muito cedo. Ele sentia que a música era crucial, independentemente da reação, para dar a elas uma voz através da música dele.

Livro Man In The Music – Cap 7 – Invincible : Whatever Happens , Threatened

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
Esse post foi publicado em Livro Man In The Music e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s