Livro Man in the music -Invencible (continuação)

Condensado e exibido pela CBS, dois meses depois, os concertos foram assistidos por mais de vinte e cinco milhões de telespectadores, o maior especial musical em uma rede de televisão em mais de seis anos. Isso foi um prometido começo para o longamente esperado retorno de Jackson.

Infelizmente, a manhã seguinte viu o caos e destruição de 11/9. De repente, a música pop, além de muitas outras coisas, parecia supérflua e tomou um lugar secundário, enquanto as pessoas tentavam se reorientar e se recuperar do trauma.


Apesar de receber avaliações mornas dos críticos, Invincible vendeu uma saudável quantia de 366.300 cópias na primeira semana, apenas nos Estados Unidos, (onde muitos previram que ele fracassaria). Dentro de cinco dias, ele tinha, alegadamente, vendido três milhões de cópias globalmente.

O público, no entanto, parecia responder de forma meio indiferente ao primeiro single de Jackson, “You Rock My World”. Embora o single tenha alcançado a 10º posição na Billboard Hot 100, foi criticado por não ser particularmente original ou novo, especialmente dado o quanto o álbum foi aguardado. “You Rock My World” foi o único single líder de Jackson, como artista solo, a não chegar ao Top Five nos Estados Unidos. (O single se saiu muito melhor internacionalmente, chegando a 2º posição no Reino Unido e em 1º na França).
O vídeo para a música apenas reforçou que os dias visionários de Jackson tinham ficado para trás. Dirigido por Paul Hunter (que tinha trabalhado com Mariah Carey, Will Smith e a irmã de Michael, Janet) parecia uma pobre imitação de “Smooth Criminal”, desta vez, filmado em Cuba.  Apesar de participações especiais do comediante Chris Tucker e lendas da tela, como Marlon Brando, o vídeo nunca decolou realmente. É claro, não foi apenas o problema com o vídeo em si. Por essa época, vídeos musicais, em geral, não tinham mais o impacto que eles tinham nos anos oitenta e início dos anos noventa. MTV e VH1 tinham mudado mais em direção a reality televisions, enquanto o youtube ainda não existia.

De acordo com aqueles próximos a Jackson, ele também não estava feliz com o álbum. Ele também não estava feliz com a sequência de singles da Sony (ele preferia lançar “Unbreakable” primeiro). Atrás das cenas, problemas muito mais sérios estavam em ebulição. Uma rixa grande se desenvolveu entre Jackson e o cabeça da Sony, àquela época, Tommy Mottola. As apostas tinham atingido o ponto de Jackson ameaçar deixar a Sony, enquanto Tommy Mottola informou ao cantor que ele estava preso por cláusulas no contrato.

Dentro de meses, apesar do promissor começo. Invincible começou a cair nos charts e a Sony, abruptamente, encerrou a promoção. “Butterflies”, que estava agendada como um lançamento de single, atingiu a 2º posição nos charts R&B tocando sozinha no ar, mas a Sony atrasou e acabou cancelando o lançamento dela. Também foi cancelado o vídeo para “Unbreakable” e uma planejada performance para “Whatever Happens” no Grammy.

Os fãs ficaram perplexos e irados. Invincible tinha, alegadamente, vendido cinco milhões de cópias em todo o mundo nos primeiros meses. Então, o que estava acontecendo? A Sony já estava desistindo do álbum? Michael estava cansado de trabalhar nele?

Os dois álbuns de estúdio anteriores de Jackson, Dangerous e HIStory, foram promovidos por quase dois anos, Invincible foi abandonado depois de menos de dois meses (embora Mottola, apenas meses antes, ter dito que ele era o melhor trabalho de Jackson desde Thriller). Jackson estava, justificadamente, irado. Ele sentia que Mottola o tinha usado e traído. De acordo com uma fonte, Mottola ameaçou “arruinar” Jackson. “não ameaças físicas”, a fonte disse à Fox News, “mas certamente a ameaça de que Michael seria destruído e a carreira dele estaria acabada se ele não concordasse com os termos de Tommy”.

O produtor Rodney Jerkins lamentou que todo o trabalho duro que ele e Jackson colocaram no álbum estava, agora, sendo abandonado, em razão de uma poderosa batalha. “Eu penso que isso é um beco sem saída”, ele disse, “porque não há promoção, não há vídeo. Se não há nada para promover ou vir, como você pode vender álbuns?” A Sony até mesmo se recusou a distribuir o single para caridade de Jackson, “What More Can I Give”, que deveria arrecadar dinheiro para os sobreviventes do 11/9. “Eu gostaria de ver a Sony, pelo menos, ter a decência de deixar uma gravadora, terceira parte neutra, lançar as músicas”, disse o produtor executor Marc Shaffel. “todo mundo que tinha ouvido duas músicas sentiram que ambas eram hits número um e que elas arrecadariam muito dinheiro para causas beneficentes”.

Enquanto os motivos de Tommy Mottola para cancelar as promoções pra Invincible tenham sido objeto de imensa especulação, a verdade continua, de alguma forma, obscura. Alguns sentiam que o motivo principal era dar o troco pela enorme soma de dinheiro que Jackson tinha gastado fazendo Invncible; outros alegaram que Mottola estava atrás do famoso catálogo dos Beatles. O que é sabido, como certeza, é que a disputa atingiu um nervo sensível para Michael Jackson. Isso não eram apenas negócios para ele; era traição pessoal. Desde os dias dele na Motown, ele tinha trabalhado sem descanso na arte dele e colocado o coração e a alma dele na carreira. Nesse processo, ele tinha feito bilhões de dólares para gravadoras, incluindo a CBS/Epic e Sony, que o tinham firmemente apoiado. Agora, ele sentia, esse apoio tinha acabado. De muitas formas, o mau tratamento era uma repetição do trauma que ele sentiu com o pai dele: ele sentia que ele era um fantoche, um produto, explorado infinitamente pelo que ele podia oferecer, mas não recebia a básica dignidade de um artista respeitado. A dor ficou pior quando muitos antigos amigos e colegas ficaram do lado de Mottolla. Como em 1993, Jackson se sentiu abandonado, quando ele mais precisou de apoio.

A questão racial mais que exacerbou a situação. Michael Jackson estava bem consciente da história de artistas negros na indústria da música. Desde Chuck Berry a Little Richard, Bo Diddley a Jack Wilson, Jackson viu revolucionários artistas afro-americanos não apenas menosprezados em proporção ás realizações deles, mas explorados pelas gravadoras brancas. Ele assistiu ao herói dele, James Brown, sair em turnê com idade avançada para fazer dinheiro, porque executivos brancos possuíam os direitos e royalties das músicas que fizeram dele uma lenda (isso, na verdade, foi uma razão para que Jackson – com a ajuda do advogado John Branca – não apenas se certificasse de que ele possuía todo o material dele próprio, mas também, ativamente adquirisse direitos autorais das músicas de outros artistas).

Michael Jackson sentia tão fortemente que o caso dele era parte de uma ampla evolução de racismo e exploração na indústria da música, que ele começou a defender o caso dele publicamente.  Isso foi uma rara atitude de manifesto político para o cantor. Na conferencia de imprensa, no Harlem, para a National Action Network, apoiado por Jhonnie Cochran e Al Sharpton, Jackson estabeleceu o caso dele:

É muito triste ver que estes artistas realmente estão sem um centavo, porque eles criaram tanta alegria para o mundo. E o sistema, começando com as gravadoras, totalmente tira vantagem deles… E preciso que vocês saibam que isto é muito importante, pelo que nós estamos lutando, porque eu estou muito cansado – eu estou realmente, realmente cansado da manipulação… Eu estou aqui para falar por toda a injustiça. Vocês precisam se lembrar de algo, o minuto que eu comecei a quebrar os recordes de todos os tempos de vendas – eu quebrei os recordes de Elvis, eu quebrei o recorde dos Beatles – o minuto em que [eles] se tornaram os álbuns mais vendidos de todos os tempos na história do [Guinness World Records], da noite para o dia, eles me chamaram de aberração, eles me chamaram um homossexual, eles me chamaram de abusador de crianças, eles disseram que eu tentei clarear minha pele. Eles fizeram tudo para tentar jogar o público contra mim.

“Eu estou cansado – eu estou realmente, realmente cansado da manipulação.”

Embora houvesse muitos que vissem algumas hipérboles nas alegações de Jackson, houve uma significante quantidade de verdades no maior ponto que eles estavam fazendo. Independentemente do pigmento da pele dele, Jackson, claramente, continuava se identificando com as lutas dos artistas afro-americanos e músicos. A maioria na mídia, no entanto, simplesmente desdenhava as queixas deles como uvas azedas, porque o álbum dele não tinha se saído tão bem quanto esperado.

 

Independentemente da controvérsia e a decepção em torno de Invincible, como Jackson colocou: “A música é o que vive e dura”. E muito de Invincible, em retrospecto, continua soando muito novo e impressionante.

O padrão para Michael Jackson, é claro, sempre foi ele mesmo.
Um álbum poderia ter várias músicas muito boas (como Invincible tinha), mas se não vendesse cinquenta milhões de cópias e produzisse uma sequencia de # 1 hits, era rotulado de fracasso. “O fato de que [Michael Jackson] é um grande músico está agora esquecido”, observou o crítico musical Robert Cristgau em 2001. “Eu uso a presente tensão porque a) as habilidades dele parecem intactas e b) como somente Frank Kogan tem escutado objetivamente o suficiente para observar, ele está fazendo coisas novas com elas – o funk dele está afiado e as baladas, mais leves, ambos para efeito inquietante.”

Tais avaliações, no entanto, provaram ser minoria. Como usual, muitos poucos críticos foram capazes de focar na música, sem injetar a opinião deles sobre as excentricidades, aparência física e controvérsias pessoais de Michael Jackson. Porém. Se alguém fosse capaz de ultrapassar as distrações e comparações estranhas, Invincible tem os méritos dele. “De todos os álbuns que eu tenho escutado”, disse o rapper Eminem, em 2002, “o melhor do ano é de longe Invincible. Michael Jackson merece muito mais crédito do que está recebendo”.

Na verdade, desde o “minimalismo R&B ligeiro, durável” das faixas a frente do tempo, à rica sentimentalidade dos grooves meio-tempo e à emoção e pureza do vocal das baladas dele, Invincible continuou a mostrar os talentos únicos e diversos de Jackson.

A parte frontal foi carregada com faixas rítmicas afiadas, corajosas, criadas para atrair uma nova geração de ouvintes. “Unbreakeble” e “Heartbreaker”, ambas coescrtitas com Rodney Jerkins, são, sonoramente, músicas explosivas que representam o funk-techno do novo milênio. O tempo é balanceado com suave jam retrô como “Heaven Can Wait” e “Butterflies” e baladas sublimes como “Speechless”. Mark Anthony Neal descreveu o álbum como “um retorno de alguns dos tipos de sólidos R&B contagiantes que marcaram o melhor das gravações de Jackson com os irmãos dele e a estreia ‘adulta’ dele com Off The Wall.” Tematicamente, o álbum tem um segmento similar ao de Dangerous, começando com a determinação e desafio de “Unbreakable”, chegando ao ápice com a transcendência pessoal de “Speechless” e “You Are My Life”, mudando para a consciência social de “Cry” e “The Lost Children” e terminando com a provocativa reviravolta de “Threatened”.

Jackson no set do único vídeo musical dele para Invincible, Your Rock         My World.

Jackson no set do único vídeo musical dele para Invincible, Your Rock
My World.

Um dos principais debates sobre Invincible, contudo, teve a ver com a lista de produtores dele. Alguns sentiam que a “irregularidade” foi devido a “muitos cozinheiros na cozinha” e acreditavam que Jackson teria sido mais bem servido apenas fixando com um ou dois produtores. “Butterflies”, argumentou Mark Anthony Neal, “é o melhor exemplo de por que o investimento de Jackson em Jerkins foi um equívoco tão grande, pois [Andre] Harris e outros fragmentos do campo do “Toque de jazz” poderiam ter, legitimamente, feito todo o projeto, eles mesmos.” Outros sentiam que Teddy Riley, parceiro de Jackson em um dos mais criativos trabalhos dele (Dangerous), colaborou com uma das faixas mais convincentes do álbum. “Teddy Riley prova, com apenas duas músicas, que ele é uma centena de vezes o jovem compositor descolado inundando a maior parte deste álbum”, escreve Nikki Transter. “Enquanto as batidas jocosas das faixas de Jerkins, absolutamente, são funk e divertidas, é o trabalho influenciado de Riley, como ‘Whatever Happens’ e ‘Don’t Walk Away’, que são mais intrigantes e que fornecem a Jackson o ambiente para experimentar liricamente, vocalmente e instrumentalmente.”

No fim, entretanto, parecia que o argumento de alguém pelo melhor produtor ou melhor visão do álbum tinha mais a ver com as preferências estéticas. Na verdade, todos os principais colaboradores de Jackson – Rodney Jerkins, Teddy Riley, R. Kelly, Floetry e Babyface – eram enormemente talentosos; mas juntos, os trabalhos deles parecia desordenado para alguns ouvintes. O próprio Jackson reconheceu, mais tarde, que ele pode ter trabalhado demasiadamente no álbum e deixado de fora alguns dos primeiros materiais que deveriam ter continuado.

O legado de Invincible, portanto, ainda é, de alguma forma, indefinido. O impacto cultural dele foi relativamente mínimo em relação ao lançamento inicial dele. O médio ouvinte de música iria, provavelmente, reconhecer uma ou duas das músicas dele. Em adição, diferentemente dos álbuns anteriores, não houve nenhuma interpretação visual para associar a ele através de vídeos musicais ou performances. Ele foi um álbum assolado por controvérsias, expectativas não satisfeitas e decepções.

Contudo, o álbum vendeu mais de dez milhões de cópias e foi recentemente votado “o melhor álbum da década” pelos leitores da Billboard.com. Muitas das músicas, da mesma forma, nunca ouvidas na época, são redescobertas pela nova geração sem a bagagem e distrações que, antes, as acompanhavam. Para os fãs de Jackson, igualmente, o álbum Invincible e as músicas excluídas dele são um verdadeiro tesouro subestimado de material, que representa o último trabalho, totalmente realizado, de Jackson.

 

Livro Man in the music – Cap 7 – Invincible AS MÚSICAS : Unbreakable, Heartbreaker

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
Esse post foi publicado em Livro Man In The Music e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s