Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2: A TERRA PROMETIDA – 1/4

Michaeljacksonlivromoonwalk14

Estávamos exultantes quando soubemos que havíamos passado na audição da Motown. Lembro Berry Gordy sentando conosco e dizendo que estávamos indo fazer história juntos. “Eu irei fazer de vocês a melhor coisa do mundo,” ele disse, e será escrito sobre vocês em livros de história.”  Ele realmente disse aquilo para nós. Estávamos aprendendo à frente, escutando-o e dizendo: “Ok! Ok!” Nunca esquecerei aquilo. Estávamos todos em sua casa e era como um conto de fadas tornando-se realidade ouvindo este poderoso, talentoso homem nos dizer que estávamos indo ser muito grandes. “Seu primeiro disco será o número um, seu segundo disco será o número um, e assim será seu terceiro disco. Três discos número um seguidos. Vocês estarão nas paradas de sucesso como somente Diana Ross e as Supremes estiveram.” Isto foi quase inédito naqueles dias, mas ele estava certo. Viramos e fizemos exatamente aquilo: três em uma sequência.

Então, Diana não nos descobriu primeiro, mas eu não penso que seremos capazes de pagar devidamente a Diana por tudo que ela fez por nós naqueles dias. Quando finalmente mudamos para o Sul da Califórnia, nós efetivamente vivemos com Diana e permanecemos com ela por mais do que um ano em tempo parcial. Alguns de nós viveram com Berry Gordy e alguns de nós com Diana e, em seguida, mudaríamos.
Ela era tão maravilhosa, cuidando de nós, fazendo-nos sentir bem em casa. Ela realmenre ajudou a cuidar de nós por pelo menos um ano e meio enquanto meus pais fechavam a casa em Gary e procuravam uma casa que todos nós pudéssemos viver aqui na Califórnia.  Era importante para nós porque Berry e Diana viviam na mesma rua em Beverly Hills. Podíamos ir para a casa de Berry e depois voltar para a casa de Diana. A maior parte do tempo eu pasava o dia na casa de Diana e à noite na casa de Berry. Este era um importante período em minha vida porque Diana amava arte e me encorajou a apreciá-la também. Ela tomou tempo para educar-me sobre isso. Nós saíamos quase todos os dias, apenas nós dois, e comprávamos lápis e tinta. Quando não estávamos desenhando ou pintando, íamos a museus. Ela introduziu-me ao trabalho de grandes artistas como Michelangelo e Degas, e aquele era o início de meu interesse na arte ao longo da vida. Ela realmente me ensinou muito. Isto era tão novo para mim e emocionante. Era realmente diferente do que eu habitualmente estava fazendo, que estava vivendo e respirando música, ensaiando dia a dia. Você não pensaria que uma grande estrela como Diana tomaria tempo para ensinar uma criança a pintar, dar a ele uma educação em arte, mas ela fez e eu a amo por isto. Eu ainda amo. Sou louco por ela.  Ela era minha mãe, minha amante, e minha irmã, tudo junto em uma pessoa incrível.

Aqueles eram verdadeiramente dias ferozes para mim e meus irmãos. Quando voamos de Chicago para a  Califórnia, era como estar em outro país, outro mundo. Vir de nossa parte de Indiana, que era tão urbana e frequentemente sem vida, e a região no Sul da Califórnia era como ter o mundo transformado em um verdadeiro sonho. Estava incontrolável naquela época. Estava em todo lugar – Disneylandia, praia. Meus irmãos amavam isso também. Entramos em tudo, como crianças que tinham apenas visitado uma loja de doce pela primeira vez. Estávamos impressionados pela Califórnia; árvores tinham laranjas e folhas no meio do inverno. Havia palmeiras e lindos pôr-do-sol e o tempo estava tão quente. Cada dia era especial. Estava fazendo alguma coisa que era divertida e não queria que isso terminasse, mas então eu percebi que mais tarde havia alguma coisa que seria tão agradável quanto. Aqueles eram dias de glória.

Michaeljacksonlivromoonwalk16

Uma das melhores partes de estar lá era encontrar todas as grandes estrelas da Motown que tinham ido para a Califórnia juntamente com Berry Gordy, depois que ele se mudou de Detroit. Lembro quando eu apertei a mão de Smokey Robinson. Era como apertar a mão de um rei. Meus olhos iluminavam com estrelas, e eu lembro contando a minha mãe que eu sentia as mãos dele como se elas fossem uma camada com almofadas macias. Você não pensa sobre as pequenas impressões de pessoas passando como quando você mesmo é uma estrela, mas os fãs fazem. Eu pelo menos, sei que fiz. Quero dizer, eu andei ao redor dizendo: ‘Sua mão é tão macia.’ Quando penso sobre isso agora, isto soa bobo, mas fez uma grande impressão em mim. Tinha apertado a mão de Smokey Robinson. Existem tantos artistas, músicos e escritores que eu admiro. Quando eu era novo, as pessoas que eu assistia eram os reais homens show – James Brown, Sammy Davis Jr, Fred Astaire, Gene Kelly. Um grande homem show toca todo o mundo. Aquilo é o real teste de grandeza e estes homens têm isso. Como o trabalho de Michelangelo, isto toca você, eu não me importo o que você é. Estou sempre animado quando tenho a chance de encontrar alguém cujo trabalho tem me afetado de alguma forma. Talvez eu tenha lido que tenha me tocado profundamente ou tenha feito eu pensar sobre coisas que não tinha focado antes. Uma certa música ou estilo de cantar pode animar-me ou mudar-me e transformar-se em uma favorita que eu nunca canso de ouvir. Uma foto ou uma pintura pode revelar um universo. Na mesma linha, a performance de um ator ou uma performance coletiva pode transformar-me.

Naqueles dias, a Motown nunca tinha gravado um grupo infantil. Na verdade, o único cantor juvenil que eles já tinham produzido foi Stevie Wonder. Assim, a Motown estava determinada que iriam promover crianças, eles iriam promover o tipo de crianças que eram bons em mais do que apenas cantar e dançar. Eles queriam que pessoas gostassem de nós por causa de quem nós éramos, não apenas por causa de nossos discos. Queriam nos definir como um exemplo por nosso trabalho escolar e simpatia com nossos fãs, repórteres, e todo o mundo que vinha em contato conosco. Isso não era difícil para nós porque nossa mãe tinha nos ensinado para sermos educados e atenciosos. Era a segunda natureza. Nosso único problema com o trabalho escolar era que, uma vez que nos tornamos bem conhecidos, não podíamos ir a escola porque pessoas entravam em nossas classes através das janelas, procurando por um autógrafo ou uma foto. Eu estava tentando acompanhar as minhas aulas e não ser a causa de perturbações, mas isso finalmente se tornou impossível e nos foi dado tutores para nos ensinar em casa.

Durante este período uma senhora chamada Suzanne de Passe estava tendo um grande significado em nossas vidas. Ela trabalhou para a Motown e era ela quem nos treinava religiosamente uma vez que nos mudamos para Los Ângeles. Ela também se transformou em uma gerente do Jackson 5. Vivíamos com ela ocasionalmente, almoçávamos com ela, e até tocávamos com ela. Éramos barulhentos, grupo alto astral, e ela era jovem e cheia de graça. Ela realmente contribuiu muito para a formação do Jackson 5, e eu nunca serei capaz de agradecer o suficiente a ela por tudo o que ela fez.

Lembro Suzanne mostando esses esboços de carvão para os cinco de nós. Em cada esboço tínhamos um diferente penteado. Em outro conjunto de desenhos a cores, estávamos todos fotografados em diferentes roupas que poderiam ser mudadas como formas de cores em volta. Após todos decidirmos os penteados, eles então nos levaram a um barbeiro para que ele pudesse nos fazer de acordo com nossas fotos. Assim, após ela nos mostrar as roupas, descemos para um departamento de figurino onde nos deram roupas para experimentar. Eles nos veriam em um conjunto de roupas, decidiriam as roupas que não estavam certas, e todos voltaríamos para experimentar mais algumas.

Nós tínhamos aulas de boas maneiras e gramática. Eles nos davam listas de perguntas e diziam que eram os tipos de perguntas que nós poderíamos esperar que as pessoas nos fizessem. Estávamos sempre sendo perguntados sobre nossos interesses e nossa cidade natal, e como gostávamos de cantar juntos. Tanto fãs como jornalistas queriam saber qual idade cada um de nós tínhamos quando começamos a performar. Era difícil ter sua vida transformada em propriedade pública, mesmo se você apreciasse que aquelas pessoas estavam interessadas em você por causa de sua música.

Uma das muitas sessões de fotos que nós fizemos com a Motown

Uma das muitas sessões de fotos que nós fizemos com a Motown

O pessoal da Motown testou-nos nas respostas para perguntas que ainda não tínhamos ouvido de ninguém. Eles testaram-nos na gramática. E maneiras à mesa. Quando estávamos prontos eles nos trouxeram para as últimas alterações em nossas mangas e o corte de nosso novo Afro.

Depois de tudo aquilo houve uma nova música para aprender chamada “I Want You Back”. A música tinha uma história por trás dela que nós descobrimos pouco a pouco. Foi escrita por alguém de Chicago chamado Freddie Perren. Ele tinha sido o pianista de Jerry Butler’s quando nós abrimos para Jerry em uma boate de Chicago. Ele tinha sentido pena dessas pequenas crianças que o dono do clube havia contratado, pensando que o clube não poderia pagar para conseguir mais ninguém. Sua opinião mudou dramaticamente quando ele nos viu performar.

Como se viu, “I Want You Back” foi originalmente chamada “I Want To Be Free”, e foi escrita por Gladys Knight. Freddie  tinha até pensado que Berry podia ir na cabeça de Gladys e dar a música para as Supremes. Em vez disso, ele mencionou para Jerry que ele tinha apenas assinado este grupo de crianças de Gary, Indiana. Freddie colocou dois e dois juntos, percebeu que aquilo éramos nós, e decidiu confiar no destino.

Vontando a Gary, quando nós estávamos aprendendo as músicas da Steeltown, Tito e Jermaine tinham que prestar especial atenção porque eles eram responsáveis por tocar naqueles discos. Quando eles ouviram o demo para “I Want You Back, ” escutaram guitarras e parte do baixo, nas o pai explicou que a Motown não tinha a expectativa de eles tocarem em nossos discos; deveria ter o cuidado de colocar a faixa ritmo antes das nossas vozes em baixo. Mas ele lembrou a eles que isto deveria colocar mais pressão neles para manter suas práticas independentemente porque teríamos que duplicar aquelas canções em frente de nossos fãs. Entretanto, todos nós tínhamos letras e sinais para aprender.

Os caras que cuidaram de nós no departamento de canto eram Freddy Perrin e Bobby Taylor e Deke Richards, quem juntamente com Hal Davis e outro cara da Motown chamado “Fonce” Mizell, eram parte de um time que escreveu e produziu nossos primeiros singles. Juntos, esses caras eram chamados de “A Corporação.” Fomos ao apartamento de Richards para ensaiar, e ele estava impressionado de estarmos tão bem preparados. Ele não tinha que fazer muitas alterações com o arranjo do vocal que tinha trabalhado, e pensou que enquanto estávamos com a voz aquecida, deveríamos ir direto para o estúdio gravar nossas partes. A tarde seguinte, fomos para o estúdio. Estávamos tão felizes com o que conseguimos que levamos nossa primeira mistura para Berry Gordy. Era ainda meio da tarde quando chegamos ao estúdio dele. Imaginamos que, uma vez que Berry ouvisse isso, estaríamos em casa em tempo para o jantar.

Mas, era uma da manhã quando eu finalmente sentei no banco de trás do carro de Richards balançando e equilibrando minha cabeça para lutar contra o sono em todo o caminho para casa. Gordy não tinha gostado da música que nós fizemos. Fizemos cada parte novamente, e quando fizemos, Gordy imaginou quais mudanças ele tinha que fazer nos arranjos. Ele estava tentando novas coisas com nós, como um maestro de coro de escola que tem todos cantando sua parte como se estivessem cantando sozinhos, ainda que você não pudesse ouvir ele ou ela distintamente do grupo.
Depois que ele estava inteiramente ensaiando-nos como um grupo, e tinha trabalhado novamente a música, ele levou-me de lado, a sós, para explicar minha parte. Ele me disse exatamente o que queria e como ele queria para ajudá-lo a conseguir. Então, ele explicou tudo para Freddie Perren, que estava indo gravá-la. Berry era brilhante em sua área. Logo após o single ser lançado, fomos lançar um álbum. Estávamos particularmente impressionados com a sessão de  “I Want You Back” então porque aquela única canção tomou mais tempo (e fita) que todas as outras canções do disco junto.
Aquela era a forma como a Motown pensava naqueles dias porque Berry insistia na perfeição e atenção para  detalhes. Eu nunca vou esquecer esta persistência. Este era seu gênio. Em seguida e mais tarde, observei cada momento da sessão onde Berry estava presente e nunca esqueci o que aprendi. Até hoje eu uso os mesmos princípios. Berry foi meu e um grande professor.
Ele poderia identificar os pequenos elementos que deveriam fazer uma música grande em vez de somente boa. Era como magia, como se Berry estivesse espalhando pó de fada sobre tudo.

Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2 : A TERRA PROMETIDA 2/4

 

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
Esse post foi publicado em LIVRO MOONWALK: A AUTOBIOGRAFIA DE MICHAEL JACKSON e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s