Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2 : A TERRA PROMETIDA 2/4

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Para mim e meus irmãos, gravar para a Motown era uma emocionante experiência. Nosso time de escritores moldava nossa música por estar com nós como nós gravamos repetidas vezes, moldando e esculpindo uma música até que ela estivesse simplesmente perfeita. Podíamos gravar uma faixa repetidas vezes por semanas até conseguirmos deixar como eles queriam. E eu pude ver enquanto eles estavam fazendo, que foi ficando cada vez melhor. Eles mudariam palavras, arranjos, ritmos, tudo. Berry dava a eles liberdade para trabalhar desta forma por causa de sua própria natureza perfeccionista. Eu acho que se eles não tivessem feito isso, ele teria. Berry tinha como um talento especial. Ele havia acabado de entrar na sala e de me dizer o que fazer e estaria certo. Foi incrível.

Quando “I Want You Back” foi lançado em Novembro de 1969, vendeu dois milhões de cópias em seis semanas e foi a número um. Nosso próximo single, “ABC”, saiu em março de 1970 e vendeu dois milhões de cópias em três semanas. Eu ainda gosto da parte onde eu digo: ‘Sente-se garota! Eu acho que eu amo você! Não, levante-se menina, mostre-me o que você pode fazer!” Quando nosso terceiro single , “The Love You Save,” foi para o número um em Junho de 1970, a promessa de Berry tornou-se realidade.

Quando nosso próximo single, “I’ll Be There,” foi, também, um grande sucesso no outono daquele ano, nós percebemos que podíamos, mesmo, superar as expectativas de Berry e sermos capazes de pagar a ele todo o esforço que ele tinha feito por nós.

Meus irmãos e eu – toda a nossa família – estávamos muito orgulhosos.
Tínhamos criado um novo som para uma nova década. Era a primeira vez que, na história discográfica, um grupo de crianças tinha feito tantos discos de sucesso. O Jackson 5 nunca tinha tido muita competição de crianças de nossa própria idade. Nos dias de amadores havia um grupo de crianças chamado The Five Stairsteps que nós usualmente vimos. Eles eram bons, mas  não pareciam ter uma unidade familiar forte que nós tínhamos, e lamentavelmente eles se dissolveram.
Depois do sucesso de  “ABC” ser grande de tal forma, nós começamos vendo outros grupos que as gravadoras estavam tutelando para montar no mesmo vagão que nós tínhamos construído. eu gostava de todos esses grupos: o Partridge Family, o Osmonds, o DeFranco Family. O Osmonds já estavam em toda parte, mas estavam fazendo um estilo de música muito diferente. Logo que fomos sucesso, eles e os outros grupos rapidamente se introduziram ao soul. Não nos preocupamos. Competição, como sabíamos, era saudável. Nossos próprios parentes pensaram: “One Bad Apple” era nós. Lembro eu sendo tão pequeno, que eles tinham uma caixa especial de maçã para mim, com meu nome nela para que eu pudesse alcançar o microfone. Microfones não descem o suficientes para crianças da minha idade. Assim, muitos dos meus anos de infância foram desta forma, comigo em pé sobre aquela caixa de maçã cantando meu coração enquanto outras crianças estavam do lado de fora brincando.

Como eu disse antes, naqueles primeiros dias, “A Corporação” da Motown produziu e moldou toda a nossa música. Lembro muitas vezes quando eu sentia que a música deveria ser cantada de uma forma, e os produtores sentiam que deveria ser cantada de outra forma. Mas, por um longo tempo eu fui muito obediente e não dizia nada sobre isso. Finalmente chegou um ponto onde me cansei de ser dito como exatamente deveria cantar. Isto foi em 1972, quando eu estava com quatorze anos, no tempo da canção “Looking’ Through the Windows.”  Eles queriam que eu cantasse de uma certa maneira e eu sabia que eles estavam errados.
Não importa que idade você está, se você tem isso e você sabe isso, então, as pessoas deveriam ouvir você. Eu estava furioso com nossos produtores e muito chateado. Então, chamei Berry Gordy e reclamei.
Disse que eles sempre tinham me dito como cantar, e eu tinha concordado todo este tempo, mas agora eles estavam ficando tão… mecânicos.

Então ele entrou no estúdio e disse a eles para me deixar fazer o que queria fazer. Eu penso que ele disse a eles para me deixarem ser mais livre ou algo assim. E depois daquilo, eu comecei a acrescentar muitas flexões vocais que eles realmente acabaram amando. Eu fiz um monte de improvisações, como flexão de palavras, ou adicionando alguma ênfase a elas.

Quando Berry estava no estúdio conosco, ele deveria adicionar sempre alguma coisa que estava certa. Ele tinha ido de estúdio para estúdio, checando os diferentes aspectos do trabalho de cada pessoa, frequentemente adicionando elementos que faziam a gravação melhor. Walt Disney usava fazer a mesma coisa; ele iria checar seus vários artistas e dizer, “Bem, este personagem deveria ser mais divertido.”  Eu sempre sabia quando Berry estava gostando de alguma coisa que eu fazia no estúdio porque ele tinha este hábito de rolar sua língua na bochecha quando ele estava satisfeito por alguma coisa. Se as coisas estavam realmente indo bem, ele dava soco no ar como o ex-profissional de boxe que era.

Minhas três músicas favoritas daqueles dias eram “Never Can Say Goodbye,” “I’ll Be There,” e “ABC.” Eu nunca esquecerei a primeira vez que ouvi “ABC.” Eu penso que isso era tão bom. Eu lembro sentindo esta ansiedade para cantar aquela canção, entrar no estúdio e fazer realmente trabalhá-la para nós.

Estávamos ensaiando diariamente ainda e trabalhando duro – algumas coisas não mudaram – mas estávamos agradecidos por estarmos onde estávamos. Havia muitas pessoas puxando para nós, e estávamos,  tão determinados em nós mesmos, que isso parecia algo que pudesse acontecer.

Uma vez que “I Want You Back” saiu, todos da Motown nos prepararam para o sucesso. Diana amava isso e apresentou-nos em uma discoteca de grande nome em Hollywood, onde ela nos teve tocando em um ambiente confortável de festa como a casa de Berry. Seguindo diretamente os passos de Diana, chegou o convite para tocar em um evento televisivo  “Miss Black America.” Estar no show permitiria-nos dar às pessoas uma prévia de nosso disco e nosso show. Após termos o convite, meus irmãos e eu lembramos nosso desapontamento em não conseguirmos ir para Nova Iorque para nosso primeiro show de TV porque a Motown tinha ligado.
Agora estávamos indo para nosso primeiro show de TV e estávamos com a Motown. A vida era muito boa. Diana, claro, colocou a cereja no topo. Ela estava indo apresentar “The Hollywood Palace,” um grande show de sábado à noite; esta deveria ser a última aparição dela com as Supremes e a primeira maior exposição para nós. Isto significava muito para a Motown que, então, tinha decidido que nosso novo álbum deveria se chamar  “Diana Ross Presents the Jackson 5.” Nunca antes teve uma super estrela como Diana passando a tocha para um grupo de garotos. Motown, Diana e cinco garotos de Gary, Indiana, estavam todos bastante animados. Até então, “I Want You Back” tinha saído, e Berry provou estar certo novamente; todas as rádios que tocavam Sly e os Beatles estavam tocando nós também.

Como eu mencionei anteriormente, não trabalhamos tão duro no álbum como fizemos no single, mas tínhamos diversão experimentando todo o tipo de músicas – de “Who’s Lovin’ You, ” a velha música do Miracles que estávamos fazendo nos dias de shows de talentos, para “Zip-A-Dee-Doo-Dah.”

Fizemos canções naquele álbum que direcionava a uma ampla audiência – crianças, adolescentes e adultos – e todos nós sentimos que foi uma razão para o grande sucesso. Sabíamos que “The Hollywood Palace” tinha uma audiência ao vivo, um sofisticado público de Hollywood, e estávamos preocupados; mas tínhamos eles desde a primeira nota. Havia uma orquestra no fosso, assim, era a primeira vez que ouvi toda a performance ao vivo de “I Want You Back” porque eu não estava lá quando eles gravaram os instrumentos de corda para o álbum. Fazer aquele show nos fez sentir como Reis, da mesma forma que quando tínhamos vencido shows por toda a cidade de Gary.

Selecionar as músicas certas para nós, seria um verdadeiro desafio agora que não estávamos dependendo do sucesso de outras pessoas para ganhar o público. Os homens da Corporação e Hal Davis foram colocados para trabalhar escrevendo músicas especialmente para nós, bem como produzindo-as. Berry não queria ter que nos socorrer todos para fora novamente. Então, mesmo depois de nossos singles número um nos registros, estávamos ocupados com os acompanhamentos.

“I Want You Back” poderia ter sido cantada por um adulto, mas “ABC” e “The Love You Save” foram escritos por nossas vozes jovens, com partes de Jermaine, bem como minha – outra reverência ao som de Sly, que girava os cantores ao redor do palco. A Corporação tinha também escrito aquelas músicas com rotinas de dança em mente: os passos que nossos fãs fizeram em festas, bem como aqueles que fazíamos no palco. Os versos eram com trava-línguas e aquilo era porque eles estavam divididos entre Jermaine e eu.

Nenhum daqueles discos poderia ter acontecido sem “I Want You Back. ” Estávamos adicionando e subtraindo nos arranjos daquela mãe de uma canção, mas o público parecia querer tudo que nós estávamos fazendo. Mais tarde fizemos mais dois registros na veia, “Mama’s Pearl” e “Sugar Daddy,” os quais relembram-me dos meus próprios dias no pátio da escola: “Enquanto estou dando a você o doce, ele está recebendo todo o seu amor.” Adicionamos uma nova ruga quando Jermaine e eu cantamos a harmonia juntos, que sempre tinha uma entusiasmada resposta quando fazíamos isso com o mesmo microfone no palco.

Os profissionais nos disseram que nenhum grupo teve um melhor início do que nós. Jamais.

Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2: A TERRA PROMETIDA – 3/4

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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