Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2: A TERRA PROMETIDA – 3/4

Por esse tempo, o microfone tinha se transformado uma extensão natural de minha mão

Por esse tempo, o microfone tinha se transformado uma extensão natural de minha mão

“I’ll Be There” foi nosso verdadeiro avanço: era uma que dizia:  “Nós estamos aqui para ficar.” Foi número um por cinco semanas, o que é muito incomum. Aquele era um longo tempo para uma música e aquela era uma de minhas músicas favoritas de todas as que nós já havíamos feito.
Como eu amava as palavras: ‘Você e eu podemos fazer um pacto, nós podemos trazer salvação de volta...’ Willie Hutch e Berry Gordy não pareciam ser as pessoas que tinham escrito aquilo. Eles estavam sempre brincando com nós quando não estávamos no estúdio. Mas aquela música se apoderou de momento. Eu ouvi o demo.
Não conhecia ainda o que era corda de uma harpa até que a abertura dos acordes foram tocados para nós. A música foi produzida graças ao gênio de Hal Davis, assistido por Suzy Ikeda, minha outra metade que ficou próxima a mim música após música, deixando claro que eu coloquei corretamente a emoção, o sentimento e o coração na composição. Era uma música séria, mas nós jogamos uma parte divertida quando eu cantei ‘Basta olhar por cima do ombro, querida!‘ Tirando o ‘querida’, era parte da grande canção do “Four Tops, ” ‘Reach Out, I’ll Be There.’ Assim, estávamos nos sentindo como parte da história da Motown, bem como de seu futuro.

Originalmente o plano era para que eu cantasse todo o material e Jermaine fizesse as baladas. mas pensaram que a voz de dezessete anos de Jermaine era mais natural, meu amor era mais pelas baladas, mas realmente  não era meu estilo, ainda. Aquele era a nossa quarta música número um consecutiva como um grupo, e muitas das pessoas gostavam da música de Jermaine, “I Found That Girl”, o lado B de “The Love You Save,”  tanto quanto os hits.

Trabalhávamos aquelas músicas como um grande medley, com muito espaço para a dança, e voltamos para aquele medley quando nos apresentamos em todos os tipos de programas de Tv. Por exemplo, nós tocamos no “The Ed Sullivan Show” três diferentes vezes. Motown sempre nos orientou o que dizer em entrevistas nesta época, mas Sr. Sullivan foi uma das pessoas que nos atraia e fazia nos sentir confortáveis. Olhando para trás, eu não diria que a Motown estava nos colocando em um tipo de camisa de força, ou transformando-nos em robôs, mesmo pensando que eu não gostaria de ter feito aquilo daquela maneira; se eu tivesse filhos, não falaria a eles o que dizer. O pessoal da Motown estava fazendo algo conosco que não tinham feito antes, e quem era para dizer qual era o caminho certo para lidar com esse tipo de coisa?

Repórteres nos fariam todos os tipos de perguntas e o pessoal da Motown seria colocado para nos ajudar ou monitorar as perguntas se fosse preciso. Não pensaríamos em tentar qualquer coisa que pudesse constrangê-los. Eu acho que eles estavam preocupados sobre a possibilidade de parecermos militante a maneira como as pessoas frequentemente estavam fazendo naqueles dias. Talvez eles estivessem preocupados que depois de nos darem aqueles Afros, tinham criado pequenos Frankensteins.
Uma vez um repórter fez uma pergunta sobre Poder Negro e uma pessoa da Motown disse a ele que nós não tínhamos pensado naquelas coisas porque nós éramos um “produto comercial.”  Isto soou estranho, mas nós piscamos e demos Poder Saudação quando saímos, que pareceu emocionar o cara.

Nós até tivemos uma reunião com Don Cornelius em seu “Soul Train” show. Ele tinha sido um disc jockey durante nossos dias em Chicago, então todos conheciam um ao outro naquele tempo. Nós apreciávamos assistir seu show e pegar ideias daqueles dançarinos que eram de nossa parte do país.

Os loucos dias das grandes turnês do Jackson 5 começaram logo depois dos sucessos que tivemos com nossos discos. Começou com uma turnê por grandes arenas no outono de 1970; tocamos em salas enormes como Madison Square Garden e Los Ângeles Forum. Quando “Never Can Say Goodbye” era um grande sucesso em 1971, nós tocamos em 45 cidades aquele verão, seguido por mais 50 cidades no final daquele ano.

Eu recordo a maior parte daquele tempo como um período de extrema proximidade com meus irmãos. Nós tínhamos sempre sido um grupo muito leal e afetuoso. Fazíamos palhaçadas, passávamos muito tempo juntos,  e jogávamos piadas uns nos outros e em pessoas que trabalhavam conosco. Nós nunca fomos muito agitados – não saíram tvs pelas janelas do nosso hotel, mas uma grande quantidade de água foi derramada em várias cabeças. Estávamos principalmente tentando vencer o tédio que sentíamos por estar tanto tempo na estrada.
Quando você está entediado na turnê, você tende a fazer alguma coisa para animar a si mesmo.  Aqui estávamos nós, apertados nesses quartos de hotéis, impossibilitados de irmos a qualquer lugar por causa das multidões de garotas histéricas lá fora, e nós queríamos ter alguma diversão. Eu desejo que nós poderíamos ter capturado, em filmes,  algumas das coisas que nós tínhamos feito, especialmente algumas das brincadeiras ferozes.
Tínhamos que esperar até nosso gerente de segurança Bill Bray, dormir. Então, colocávamos em cena corridas no hall de entrada, lutas de almofadas, encontros de luta, guerras de creme de barbear, e muitas outras brincadeiras. Éramos loucos. Jogávamos balões e sacos de água direto da janela e as víamos estourar. Assim, nós morríamos de rir. Jogávamos coisas uns nos outros e passávamos horas no telefone  fazendo chamadas falsas e ordenando imensos serviços de refeições que eram levadas nos quartos de estranhos. Qualquer um que entrasse nos nossos aposentos tinham noventa por cento de chance de ser encharcado por um balde de água colocado nas portas.

Quando chegávamos a uma nova cidade, tentávamos fazer todas as visitas que podíamos. Viajávamos com uma maravilhosa tutora, Rose Fine, que nos ensinou muitíssimo e assegurava de que fizéssemos nossas lições. Foi Rose que incutiu em mim um amor por livros e literatura que me sustenta hoje.
Eu lia tudo o que chegava às minhas mãos. Novas cidades significavam novos lugares para comprar. Amávamos comprar, especialmente em livrarias e lojas de departamentos, mas como nossa fama se espalhou, nossos fãs transformaram nossas viagens de compras casuais em combate de mão para mão. Ser assediado de perto por garotas histéricas foi uma das mais terríveis experiências para mim naqueles dias. Quer dizer, foi difícil.
Nós decidimos seguir para alguma loja de departamento para ver o que eles tinham e os fãs descobriam que estávamos lá e demoliam o local, simplesmente despedaçavam. Contadores derrubados, vidros quebrados, caixas registradoras derrubadas. Tudo o que queríamos fazer era olhar algumas roupas! Quando aquelas cenas eclodiram, todas as loucuras, adulação e notoriedade, transformaram-se em mais do que podíamos controlar. Se você ainda não assistiu uma cena como aquela, não pode imaginar como é. Aquelas garotas eram sérias. Elas ainda são. Elas ainda não perceberam que podem machucar você porque estão agindo por amor. Elas são de bem, mas posso testemunhar que machuca ser assediado. Você sente como se fosse sufocar ou ser desmembrado. Há milhares de mãos agarrando você. Uma garota torce seu pulso desta forma enquanto outra está puxando seu relógio. Elas agarram seu cabelo e puxam com força e isto dói como fogo. Você cai nas coisas e os arranhões são horríveis. Ainda tenho as cicatrizes e eu posso lembrar cada cidade que me fizeram cada uma delas. Desde cedo aprendi como correr através de multidões de garotas desordeiras fora de teatros, hotéis e aeroportos.  É importante lembrar de proteger seus olhos com suas mãos porque garotas podem esquecer que tem unhas durante esses confrontos emocionais. Eu sei que as fãs têm boa intenção e eu as amo por seu entusiasmo e apoio, mas cenas da multidão são assustadoras.

A cena mais selvagem da multidão que eu testemunhei aconteceu na primeira vez que estivemos na Inglaterra. Estávamos voando sobre o Atlântico quando o piloto anunciou que ele tinha sido informado que dez mil jovens nos esperando no Aeroporto Heathrow. Nós não podíamos acreditar. Estávamos animados, mas se pudéssemos ter voltado para casa, nós teríamos. Sabíamos que isso iria ser algo, mas desde que nós já não tínhamos combustível para voltar, seguimos voando. Quando pousamos, pudemos ver que os fãs haviam tomado todo o aeroporto. Foi selvagem ser assediado daquela maneira. Meus irmãos e eu sentimos felizes por sairmos vivos do aeroporto naquele dia.

Livro Moonwalk A autobiografia de Michael Jackson cap 2: A TERRA PROMETIDA – 4/4

Sobre PoemforMJ

Michael ... "Quando olho no dentro dos seus olhos eu sei que é verdade.Deus deve ter gasto um pouco mais de tempo em você!"
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